[[legacy_image_229323]] Com a informação de mais um atraso nas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), noticiado por A Tribuna no domingo (11), comerciantes e moradores se aborrecem e acumulam prejuízos na Rua Campos Mello, entre a Encruzilhada e a Vila Mathias, em Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A segunda fase do VLT, que ligará a Linha 1 (Barreiros-Porto) ao Terminal Valongo e com previsão inicial de entrega em 30 meses (até março de 2023), está com apenas 32% das obras prontas. Assim, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), admitiu rever os prazos de conclusão. Dono de um motel na rua, o empresário Beto Mendes, de 48 anos, disse terem vindo, em média, 2 mil carros a menos de janeiro a outubro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. No mínimo, R\$ 10 mil mensais de prejuízo. Mendes explica que, desde o início da obra, foram diversas interdições. O problema, diz o empresário, é que elas “vão e voltam”. “Eles falam: ‘Ah, é uma interdição rápida’. Aí, coloca tubo. Depois, cavam. Agora, estão voltando para refazer tudo. Quando interditaram a quadra toda, eu fiquei 70 dias totalmente fechado”, diz. O autônomo Sandro Haiek Ferreira, de 48 anos, declarou que as interdições são confusas. Tudo foi quebrado, e a rua, asfaltada. Mas, após o trecho próximo ao número 231 ter alagado, criaram canaletas. “Agora, foram as calçadas, rebaixadas uns 20 centímetros. Só que, quando acabar essa obra e for fazer a parte que receber os trilhos, vai ter que quebrar o asfalto todo de novo. Não faz sentido”, considera. Também há problemas para sair de casa de carro, pois ruas são interditadas e liberadas sem um planejamento específico, de acordo com moradores. Quando a Reportagem esteve no local, havia trechos parcialmente interditados, como nas esquinas da Campos Mello com as ruas Lowndes e Xavier Pinheiro. O taxista Marco Aurélio Pena, de 54 anos, é um dos que tiveram a calçada perto de casa rebaixada. “E fizeram a calçada. Agora, parece que vão quebrar de novo, mais o trânsito para sair e chegar em casa. Está muito complicado”, afirma. Em carta para A Tribuna, a moradora do número 230 e mulher de Marco Aurélio, Viviane Heik, citou a “surpresa” ao saber dos novos prazos. No texto, ela citou problemas de realocação de postes, estações de embarque e desembarque canceladas devido à “constatação de erro grave de conceito e projeto defronte a comércio e residências”, indefinições quanto a desapropriações tardias, redes novas de esgoto com problemas frequentes de entupimento, lama e calçadas com inclinações “absurdas” de acesso aos imóveis. “Foram introduzidos enormes desníveis entre as calçadas e alguns imóveis devido ao rebaixamento de toda a rua e calçadas”, descreveu Viviane. Resposta Em nota enviada no dia 11, a EMTU afirmou que “o cronograma de entrega do segundo trecho do VLT está em reavaliação para ser adequado às novas intercorrências surgidas no decorrer das obras”. De acordo com a empresa, continuam os serviços na Rua Campos Mello, onde estão sendo atendidas as demandas da Associação dos Comerciantes e Moradores da Campos Mello (Amocam) para realização de melhorias na drenagem superficial. “Essas obras possibilitam o escoamento da água acumulada na superfície, o que inclui entradas de casas e edifícios”, explica a empresa. Ela declara haver constante diálogo com moradores e comerciantes da região. A próxima etapa prevê a continuação do remanejamento das redes de esgoto de todo o trecho e melhorias do sistema de drenagem para, em seguida, se instalar uma superestrutura permanente na via, capaz de suportar o deslocamento do VLT.