[[legacy_image_220004]] No entorno do Mercado Municipal de Santos, há tapumes, andaimes e homens trabalhando nesta primeira fase de obras do espaço. Ela vai durar um ano, segundo a Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi). Para comerciantes, é uma promessa “de Copa do Mundo” que eles esperam que dê certo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Os que atuavam dentro do Mercado, na Vila Nova, dizem que o movimento despencou e estão “respirando por aparelhos” para manter os negócios. A primeira etapa prevê a recuperação da parte externa do espaço. Haverá recuperação de esquadrias metálicas, com instalação de venezianas, e as marquises receberão novo revestimento, após passar por impermeabilização. Um sistema de proteção contra descargas atmosféricas atualizado será instalado, e a fachada terá iluminação especial. As marquises também serão recuperadas. A Reportagem esteve no local na manhã desta sexta (4) e encontrou trabalhadores em ação. O telhado já foi retirado. A cobertura do edifício, localizado na Praça Iguatemi Martins, s/nº, terá um sistema de impermeabilização. Além disso, diz a Prefeitura, haverá substituição da estrutura de sustentação e instalação de novas telhas metálicas e forro, incluindo nisso a troca das instalações de águas pluviais. Essa primeira etapa custa mais de R\$ 5 milhões, a serem pagos à empresa vencedora da licitação, a 2N Engenharia Ltda. A obra terá verba do Fundo de Desenvolvimento Urbano no Município de Santos (Fundurb), fruto de um Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc) com a empresa Compass. De acordo com o arquiteto da Siedi, Roger Guerra, a obra está no ritmo esperado, mesmo com as condições adversas de chuva nos últimos dias. “Começamos em setembro. A parte de telhamento já foi praticamente 100% retirada para a colocação de forro, em preparação para a segunda fase, em que é necessária estrutura específica para que o Mercado seja climatizado”, diz. Trabalhadores estão retirando o revestimento de argamassa da fachada, para que também haja recuperação de marquises, troca de coberturas e restauro de esquadrias. O anexo para onde os permissionários foram deslocados, por causa das obras, também será revitalizado. [[legacy_image_220005]] PróxImas etapasA parte interna do Mercado será recuperada na segunda fase do projeto e, até lá, ele continua sem previsão de reabertura. A segunda etapa de obras prevê a instalação de uma cervejaria, restaurantes e 18 boxes com peixaria, hortifrúti, açougue, temperos, bebidas, laticínios e padaria na parte térrea do Mercado. O mezanino será ocupado por um café, uma varanda e 18 boxes com exposições, salão de beleza, venda de joias e artesanato, estúdios de tatuagem e piercing e espaços para coworking, ateliê, antiquário e suvenires. Haverá investimento total de R\$ 24 milhões, dos quais R\$ 20,8 milhões do Dadetur (estadual) e o restante da Prefeitura. Haverá, ainda, um Centro Temático, ocupando quase 1 mil m2, voltado à economia criativa, com oficinas de cinema e produção audiovisual. A última etapa da obra prevê a modernização do entorno e a integração com a futura estação Mercado do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e com a nova estação de catraias. [[legacy_image_220006]] Degradação no entornoOdete Ferreira, de 82 anos, é comerciante do Mercado Municipal há 56. Ela vende frutas frescas em uma barraca e, hoje, está trabalhando no prédio anexo ao Mercado, para onde alguns comerciantes foram realocados do espaço original. “Trabalhando não é bem a palavra, né, filho? Porque... Cadê os clientes?”, diz à Reportagem. Odete comenta que o movimento despencou mais de 70% desde que precisou ficar no anexo. “Infelizmente, o que você vê é só isso aí, moradores em situação de rua transitando para lá e para cá. Mas cliente, mesmo, não tem”, afirma. A comerciante relata que mal consegue pagar os R\$ 250,00 mensais à Prefeitura pelo espaço, além da sua conta de luz. “Nós tivemos que vir para cá no susto, mas mal tem gente que sabe que aqui está aberto. Pensam que está tudo fechado. Fora que (pessoas) têm medo de vir para cá”. Na rua, os comerciantes dizem que a reforma é uma “promessa de Copa do Mundo”. “Agora estou vendo uma parte das obras. A gente tem esperança que dê certo, mas fica difícil acreditar. O movimento aqui caiu muito com o fechamento do Mercado”, diz o comerciante Gilson Gaspar Ferreira, de 40 anos, que tem uma loja de família em frente ao estabelecimento. O pai dele inaugurou um ponto comercial de embalagens e produtos de limpeza há 46 anos ali. “O entorno daqui está bem degradado. Os clientes têm medo de vir para cá porque há usuários de drogas. Alguns ficavam embaixo das marquises e, agora, eles circulam por aí”, conta. Em nota, a Prefeitura informa que as equipes de abordagem social e do programa Consultório na Rua que atendiam as pessoas em situação de rua antes abrigadas sob a marquise do Mercado Municipal identificaram que esse grupo migrou para outros pontos da Cidade. Mesmo assim, essa população continua a ser atendida pelas duas equipes, segundo o Município. A Administração reforça que as equipes do serviço de abordagem social atuam em locais de maior concentração de pessoas em situação de rua — entre eles, o entorno do Mercado Municipal — em busca de construir vínculos de confiança com elas. O objetivo é orientar e oferecer encaminhamento aos demais serviços e equipamentos da rede municipal.