[[legacy_image_202904]] Um pedaço de Santos onde ainda é possível se sentar na calçada, conversar com vizinhos, muitos deles amigos de décadas, residir numa casa — viver tranquilamente. A Zona Noroeste, que, de forma oficial, comemora 46 anos hoje, é assim definida por seus moradores mais antigos. Apesar de ressalvarem que há problemas nessa região de Santos, não o trocam por nada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Nestes últimos tempos, tem melhorado mais. A sensação de insegurança, um dos problemas, diminuiu. E tem gente que fala muita coisa, mas desconhece a Zona Noroeste de fato”, afirma o aposentado Carlos Alberto da Costa Santana, de 65 anos — que, entre idas e vindas, está há 62 na mesma casa, que pertenceu a seus pais. Ele elenca fatores que fizeram o espaço se desenvolver, como o Jardim Botânico. Poder morar em uma casa é outro. “Eu já morei em apartamento com minha esposa, mas voltei. Eu gosto muito de pássaros, alimentá-los. Tem os cachorros, e até coelho já criei.” Na calçada de casa, ele lembra o clima familiar na região. E, entre um café e outro, relembra a infância. “Aqui não tinha nada. Encontrei um amigo de 30 anos e lembramos do morro, da época do matadouro, banho na maré cheia de gordura de boi, (de quando) roubava cavalo dos outros...”, conta. [[legacy_image_202905]] É que a região, hoje com cerca de 120 mil habitantes, abrigou o Matadouro Municipal. Inaugurado em 1916, funcionou até o fim da década de 1960. Animais eram levados de trem e abatidos. Santos se desenvolvia com o comércio cafeeiro, e o consumo de carne aumentou. Para pegar o bonde, Santana tinha que andar pela terra. “Passava o bonde 1, saíamos descalços, lavávamos os pés numa barbearia na Avenida Nossa Senhora de Fátima para ir para a Cidade. Era raro os táxis entrarem aqui”, diz. A casa onde mora não sofre alagamentos, problema que, segundo a Prefeitura, afeta 3,5 dos 12 km2 da região por causa da alta da maré ou da chuva. Boa parte do terreno onde a região se desenvolveu foi em área de aterro que afundou — há locais abaixo do restante da Cidade. DesenvolvimentoA aposentada Dilza Santana Menezes, de 81 anos, é irmã de Carlos. “Quando nós viemos para cá, não tinha água nem luz. Era tudo um areião. Ficamos um bom tempo. Primeiro, colocaram a água, que tinha que ser buscada na bica. Meu pai e meus primos iam buscar. Mas o problema era a luz... Um calor, os mosquitos. (...) Mas eu não troco por nada. Eu amo este lugar.” Morador da região há 56 anos, o aposentado Sidnei Ribeiro Nunes, de 60, diz que os terrenos se valorizaram com tempo. “Foi melhorando, sim. Uma vizinha pagou R\$ 300 mil em um terreno e está construindo. As casas valorizaram muito, porque são boas, bem construídas, com espaços amplos.” Outro ponto é a privacidade. “Claro, do lado de lá tem a praia, mas você fica aprisionado dentro do condomínio. Mas, aqui, você fica livre. E eu estou a dez minutos de carro da praia. É muito bom viver aqui.”