[[legacy_image_96970]] A comerciante Cássia Rafaela da Silva, de 34 anos, fechou a loja de materiais elétricos que tinha na Vila Mathias, em Santos, para abrir duas na Zona Noroeste (ZN). A primeira foi em 2016, no Castelo; a segunda em 2019, na Areia Branca, quando também resolveu mudar de casa, no Morro Nova Cintra, e ir morar na ZN. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Primeiro minha mãe mudou para a Zona Noroeste e eu percebi essa população grande daqui esse povo agitado, uma mini São Vicente. E pensei, vou montar uma loja aqui. Deu super certo. O pessoal é comunicativo, amigo. O único problema são as enchentes”, diz Cássia. Essa também é a única pedra no sapato da cuidadora de idosos Amazonas da Silva, de 56 anos. Atualmente ela mora no Bom Retiro, mas já passou por outros três bairros da ZN. Foi lá que a viúva criou os quatro filhos e hoje aproveita as horas de folga no Jardim Botânico, perto da casa dela e onde a Reportagem a encontrou. Ali ela faz caminhadas todos os dias. “Aqui é muito bom (Jardim Botânico). Mas gosto de tudo na Zona Noroeste, das feiras livres, dos mercados, tem tudo. Já morei em outros lugares, mas aqui é meu lugar. Já nem lembro quantos anos estou na Zona Noroeste”, afirma. Reformado, o Jardim Botânico é um dos espaços mais frequentados pelos moradores daquela região, seja para passear, apreciar a natureza, fazer exercícios ou levar as crianças para se divertirem nos brinquedos. A corretora de imóveis Lina Sales, de 60 anos, é uma das que aproveitam o local. Costuma levar a neta, Giovana, de 2 anos. Há um ano ela trocou São Vicente pelo bairro Santa Maria. “Pelo pouco que conheço, está bem satisfatório. Tudo arrumado, ruas limpas e muitas opções de mercados, padarias”. Considerando o Censo Demográfico de 2010, a Zona Noroeste contabilizava 82.133 habitantes, correspondendo a 19,5% da população de Santos. Atualmente, a estimativa é que mais de 100 mil habitantes morem nos 16 bairros da área. A ocupação de parte dos bairros que formam a Zona Noroeste teve início na década de 1920, passando por uma intensificação três décadas depois. A contagem oficial e a data de comemoração do aniversário da Zona Noroeste são simbólicas, com celebração sempre no último domingo de agosto, devido à Lei Municipal 4.047, de 1976. Presentes? O principal presente para a ZN, que é o fim dos alagamentos, ainda está distante, mas já há um início de solução. Começou na última quinta-feira (26), a construção da primeira estação elevatória C7 (EEC7) do sistema contra alagamentos que será feito na região. As obras ocorrem na Avenida Haroldo de Camargo, junto ao Caminho da Divisa, no Castelo. “É o grande sonho de muito tempo dos moradores, a questão da drenagem, que faz parte de um componente de desenvolvimento”, afirmou o prefeito Rogério Santos (PSDB), adiantando que essa elevatória é a primeira das quatro a serem construídas até 2024, de um projeto que prevê 13 estações. O prefeito ressalta que esse sistema contra enchentes só é possível porque foi feita a urbanização da Haroldo de Camargo e a retirada de famílias para projetos habitacionais. “E ainda pretendo começar este ano a primeira policlínica do Dique da Vila Gilda e temos projetos para outras no Caneleira e no São Jorge. Já na Avenida Álvaro Guimarães faremos uma remodelação, valorizando o comércio local”, diz. Mercado imobiliário Nos últimos anos, torres de apartamentos foram construídas na área do estradão, ao lado do sambódromo da Zona Noroeste. Segundo o setor da construção civil, os empreendimentos tiveram sucesso nas vendas e ainda há muita gente que gostaria de morar na região. Por isso, o mercado imobiliário na ZN ainda deve ser expandido, especialmente com a construção de prédios no lugar de antigas casas. Segundo o diretor regional do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Carlos Meschini, a Zona Noroeste deve crescer muito. “Temos ainda o problema das enchentes, os impactos da entrada da Cidade, isso prejudica um pouco. Mas a Zona Noroeste é o caminho do futuro, porque ainda tem espaço. É inevitável. Já existe um movimento do setor, com projetos já para o ano que vem. Tem empresas de São Paulo procurando áreas lá”. O prefeito Rogério Santos afirma que tem um retorno muito positivo do setor imobiliário sobre a Zona Noroeste. “É uma região que tem se desenvolvido bastante, quando se anuncia imóveis rapidamente eles são vendidos, por isso há um grande interesse de investidores privados”. Rogério diz, porém, que há poucos terrenos disponíveis atualmente. “Os que tem, próximos ao sambódromo, já pertencem ao poder público, para investimento em moradia de interesse social. Mas, claro, há muitas casas que no futuro podem ser transformar em imóveis verticalizados. O Governo vem fazendo investimentos na região e eles serão contínuos”. Programação deste domingo (29) Entre 10h e 16h - parabéns, bolo e entretenimento no Jardim Botânico18h - Missa de Ação de Graças pelo aniversário da Zona Noroeste na Paróquia Sagrada FamíliaEntre 15h e 21h - Feira de Empreendedorismo e Economia Criativa na Praça Bruno Barbosa