A chegada da primavera não traz apenas flores e dias mais longos: também pode significar alívio no bolso do consumidor brasileiro. Com o início da safra de diversos alimentos, como frutas, verduras e legumes, os preços devem cair gradualmente nos mercados e feiras do país. Para muitas famílias, isso representa uma oportunidade de diversificar a alimentação com mais qualidade nutricional e menor impacto financeiro. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Por que a primavera reduz o preço dos alimentos A primavera é um período-chave para a agricultura no Brasil. O aumento da luminosidade, as temperaturas mais amenas e a retomada das chuvas favorecem o crescimento de diferentes culturas. Com maior produtividade, a oferta cresce, e, consequentemente, os preços caem. Segundo o economista agrícola João Mendes, “a lei da oferta e da procura é clara: quando há maior produção e abundância nas prateleiras, os preços recuam. Isso já começa a ser percebido em grandes centros de distribuição, como a Ceagesp, em São Paulo”. Quais alimentos devem ficar mais baratos Entre os itens que devem apresentar maior redução de preços neste início de primavera estão: Manga, melancia e abacaxi – frutas tropicais que entram em período de safra; Tomate e pepino – hortaliças bastante consumidas no dia a dia; Alface, rúcula e espinafre – folhas que se desenvolvem melhor em temperaturas amenas; Abobrinha e berinjela – legumes que ganham mais espaço nas colheitas; Banana-nanica e banana-prata – variedades que aumentam a produção neste período. De acordo com levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), alguns desses produtos podem registrar quedas de até 15% no preço médio ao longo da primavera. Impacto direto no bolso do consumidor O alívio nos preços pode parecer pequeno em valores absolutos, mas representa um respiro importante para o orçamento das famílias. Em 2024, a alimentação no domicílio foi um dos principais fatores de pressão inflacionária. Agora, a expectativa é de que o setor contribua para manter a inflação controlada. “Um quilo de tomate que custava R\$ 9,00 em agosto pode cair para R\$ 6,50 em setembro. Esse tipo de redução faz diferença no carrinho de compras, especialmente para quem precisa preparar refeições todos os dias”, destaca a nutricionista e pesquisadora em segurança alimentar, Carla Soares. Consequências para a saúde da população A maior oferta de frutas, verduras e legumes não só melhora o orçamento familiar, mas também incentiva hábitos mais saudáveis. Com alimentos frescos e acessíveis, fica mais fácil adotar uma dieta variada e balanceada, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Quando o preço cai, a população tende a consumir mais produtos in natura. Isso pode ajudar a reduzir o consumo de ultraprocessados, que muitas vezes são escolhidos por serem mais baratos”, explica Soares. Dicas para aproveitar os preços mais baixos Comprar em feiras livres: a variedade costuma ser maior e os preços, mais competitivos. Optar por produtos da estação: além de mais baratos, são mais saborosos e nutritivos. Congelar excedentes: frutas como manga e banana podem ser congeladas em pedaços para uso posterior em vitaminas e sobremesas. Planejar cardápios semanais: evita desperdícios e garante o aproveitamento integral dos alimentos. Perspectivas para os próximos meses A expectativa é que os preços sigam em queda até meados do verão, quando novas culturas entram em colheita. No entanto, especialistas alertam que fatores climáticos extremos, como chuvas intensas ou estiagens, podem afetar a estabilidade dessa tendência. “A primavera é promissora para o consumidor, mas precisamos considerar que o Brasil ainda enfrenta desafios relacionados a eventos climáticos. O fenômeno El Niño, por exemplo, pode alterar parte dessa previsão”, ressalta o economista João Mendes.