Trânsito de veículos pesados prejudica asfalto das vias da Alemoa, em Santos, que não recebem manutenção adequada (Vanessa Rodrigues/ AT) Bairro fundamental para a atividade portuária e logística de Santos, no litoral de São Paulo, o Distrito Industrial da Alemoa sofre com dificuldades relacionadas à zeladoria, pavimentação e drenagem, fazendo com que empresas, terminais e transportadoras instaladas no local tenham problemas constantes. A estimativa é que circulem diariamente pelo bairro em torno de 15 mil caminhões. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Como um bairro titulado e tributado igual a todos os outros, não entendemos ser justo não termos coleta de lixo, varrição e manutenção preventiva da drenagem, além de pavimentação regularmente”, sintetiza o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), João Maria Menano. A presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan), Rose Fassina, lembra que as queixas são recorrentes sobre a pavimentação comprometida pelo intenso tráfego de veículos pesados, as obras que se estendem por longos períodos e acabam interferindo na rotina operacional e as vias sem alternativa de desvio quando há trechos interditados. “Isso causa atrasos na entrada e saída de cargas, aumento de custo com manutenção de veículos e insegurança para motoristas que precisam contornar trechos interditados ou danificados. Como a Alemoa concentra praticamente todo o acesso rodoviário ao Porto, qualquer instabilidade viária ali afeta a cadeia logística como um todo”. O diretor-executivo da Dínamo Inter Agrícola e presidente da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), Luiz Alberto Levy Júnior, argumenta que os impactos atingem a mobilidade, a segurança e a eficiência das operações. “Buracos, pavimento deteriorado e pontos de drenagem e limpeza que precisam de maior atenção acabam aumentando o tempo dos deslocamentos, provocando desvios, desgaste dos veículos e trazendo dificuldades também para quem trabalha diariamente na região”. Levy Júnior acrescenta que há avanços na tentativa da Prefeitura de melhorar a zeladoria. “A Alemoa gera empregos, movimenta a economia e presta um serviço fundamental ao Porto de Santos. Melhorar sua infraestrutura e sua zeladoria significa melhorar também a competitividade do próprio Porto”. Outro lado Em nota, a Prefeitura informou que, em conjunto com a Terra Santos, vem intensificando os serviços de corte de mato e árvores e limpeza nas ruas da Alemoa. Na terça-feira (21), diz a Administração, houve mutirão com 58 trabalhadores na Rua Comendador Hercílio Camargo Barbosa. “Os serviços ainda não foram finalizados em razão da extensão da via pública. Os trabalhos também foram iniciados na Avenida Dr. Alberto Schweitzer. A limpeza, incluindo varrição, capinação, raspação e coleta de resíduos, vem ocorrendo rotineiramente, dentro do previsto para o bairro”, lista. A Prefeitura disse ainda que houve serviço de manutenção asfáltica entre os dias 1º e 18 nas avenidas Alberto Schweitzer, Aurélio Batista Felix e Alfredo das Neves, além das Ruas dos Italianos e José P. Blandy. Prefeitura de Santos asfaltou e liberou a Rua dos Italianos para o tráfego (Vanessa Rodrigues/AT) Entidades querem solução Um bom e recente exemplo da complicada situação no Distrito Industrial da Alemoa está na Rua dos Italianos. Uma das principais vias de saída de caminhões, ela estava intransitável, chegou a ficar interditada e sem previsão de liberação ao tráfego, conforme A Tribuna noticiou no último dia 7. No entanto, a abertura veio na semana passada, após receber manutenção asfáltica e limpeza no sistema de drenagem, de acordo com a Prefeitura. A liberação foi confirmada na última quinta-feira pela Reportagem. “Entendemos que o grande fluxo de veículos pesados impõe desafios específicos à conservação do pavimento. Por isso, talvez seja necessário pensarmos não apenas em reparos pontuais, mas em uma solução de engenharia mais definitiva, adequada à realidade operacional da Alemoa”, sugere o diretor da Dínamo e presidente da ABTTC, Luiz Alberto Levy Júnior. A presidente do Sindisan, Rose Fassina, também acha que a solução definitiva não passa por reparos pontuais, mas por tirar o peso do tráfego de uma malha viária urbana que nunca foi projetada para esse volume. “Isso significa acelerar o projeto de acesso direto ao Porto, hoje em fase de planejamento entre Prefeitura, Autoridade Portuária de Santos, Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), Governo do Estado e Ecovias. Enquanto essa alternativa não sai do papel, qualquer via da Alemoa que sirva de desvio vai continuar se deteriorando”. O presidente da AMA, João Maria Menano, diz que não há dúvida sobre o que é necessário ser feito. “Tem que arrumar, limpar drenagem existente e pavimentar novamente, se for o caso”, define. “Evidentemente que fechar uma rua por completo atrapalha todo o trânsito de caminhões. De fato, a manutenção preventiva corrigiria o problema ao invés de sempre termos que fazer as corretivas diante do trânsito constante, mas é preciso e é possível acharmos um meio-termo sempre”, finaliza