O aquaviário e comandante de rebocador Thiago Kerner Vidal em atuação: “O fator natureza influencia bastante, como o vento, a maré e a corrente”, diz ele (Alexsander Ferraz/AT) Todo navio que chega ou deixa o Porto de Santos é auxiliado por dois ou mais rebocadores entre a entrada do canal de navegação e o ponto de atracação. Para conferir de perto como funciona o trabalho dessas potentes embarcações de apoio, A Tribuna embarcou no rebocador Rocha Pedro, da empresa Svitzer, e acompanhou uma operação realizada no cais santista. O aquaviário e comandante de rebocador Thiago Kerner Vidal explica que nenhuma operação é igual à outra. “Você pode atracar dez vezes o mesmo navio, no mesmo lugar. Cada vez será diferente. O fator natureza influencia bastante, como o vento, a maré e a corrente, mas também o peso e a carga do navio, o prático a bordo etc”. Segundo ele, o navio não é como um carro, que tem freio. “Quando para o motor, ele continua em movimento. Então, o rebocador auxilia o navio na atracação e desatracação para atenuar o risco de qualquer acidente”. O comandante de rebocador conta ainda que os tripulantes trabalham sete dias embarcados e descansam outros sete. A jornada diária é de 12 horas, com intervalo do mesmo período. Além disso, todos os tripulantes recebem treinamento para salvamento, combate a incêndio e de sobrevivência. Quanto à operação, Thiago Vidal explica que o primeiro rebocador encontra o navio na altura da Fortaleza da Barra (sentido área de fundeio). Já o segundo rebocador se aproxima um pouco depois. O tempo a partir deste momento até a atracação do navio vai de 45 minutos a uma hora. Já a desatracação é mais rápida, leva de 10 a 30 minutos. Planejamento Gerente da Svitzer, Fábio Adelino Aguiar ressalta que, para conduzir o navio ao atracadouro, é feita antes uma programação conjunta com a Praticagem, Autoridade Portuária de Santos (APS) e com os agentes marítimos, que são representantes dos armadores no Porto. “Quando a atracação ou desatracação é confirmada, somos informados e escalamos os rebocadores para fazer a operação. Eles vão ao encontro do navio e o prático que está a bordo instrui os comandantes dos rebocadores sobre como atuar naquela manobra, onde vai passar o cabo, se vai girar o navio e qual velocidade. Tudo é comandado pelo prático”. Operação Com A Tribuna a bordo, o comandante Vidal conduziu o rebocador até um navio de bandeira do Panamá, carregado de fertilizantes, em uma região situada entre a Ilha de Santo Amaro e a área de fundeio. Um tripulante da embarcação lançou o cabo que foi conectado ao rebocador. Uma vez conectado, o comandante do rebocador aguardou as orientações do prático a bordo para iniciar a navegação. Em movimento, o rebocador navegou a uma distância de segurança de 50 metros do navio, lado a lado, até o berço de atracação. Chegando no terminal, o rebocador se posicionou de frente e encostou no casco para, literalmente, empurrar o navio até o cais. Uma vez encostado, o navio foi amarrado ao berço do terminal e o rebocador foi desconectado. Geralmente, os rebocadores navegam dentro dos portos, mas podem fazer reboques em alto-mar e até salvamentos. Embarcações garantem segurança O gerente da Svitzer, Fábio Adelino Aguiar, destaca que os rebocadores prestam um serviço essencial no Porto. “O navio não é construído para atracar ou desatracar, exceto o de cruzeiros. O casco e a parte de máquina de um navio são feitos para ter eficiência na navegação, então, quando ele chega ao Porto, precisa do auxílio dos rebocadores”. Quanto ao número de tripulantes de um rebocador, Aguiar diz que a Capitania dos Portos define conforme o tamanho e a tecnologia embarcada. “A maioria dos nossos rebocadores comporta três pessoas, um comandante, um chefe de máquinas e um marinheiro. Porém, em rebocadores maiores, a gente conta com mais um marinheiro, totalizando quatro pessoas”. Rebocador possui forte cabo para conectar e puxar os navios no porto (Alexsander Ferraz/AT) Frota A Svitzer é uma empresa dinamarquesa, com 191 anos de atividade, estabelecida no Brasil há nove anos. Possui uma frota de aproximadamente 430 rebocadores, sendo 22 distribuídos entre oito portos brasileiros. “A nossa maior operação é no Porto de Santos, onde temos quatro e pretendemos trazer mais um ainda nesse ano”. De acordo ele, dos quatro rebocadores de Santos, três são novos e foram substituídos entre o final do ano passado e o início desse ano. Já o quarto tem aproximadamente cinco anos. “O que é relativamente novo, pois o tempo de vida útil desse tipo de embarcação pode ultrapassar 25 anos, se ele for bem cuidado”. Cinco empresas prestam o serviço em Santos, somando 21 embarcações (Alexsander Ferraz/AT) Incêndio O gerente da Svitzer explica que da frota nova de seis rebocadores que foram construídos, dois são da classe Fire Fighting 1 (Fi-Fi 1), que possuem equipamento especial de combate a incêndio. “O jato desses rebocadores alcança até 100 metros para manter uma distância segura entre a embarcação e o rebocador e, também, para a proteção da tripulação, e por causa da altura do navio”. Os rebocadores da Svitzer têm 24 ou 32 metros de comprimento, por 12 de largura. Aguiar explica que a empresa preza muito pela segurança da navegação portuária. “Às vezes, você tem mau tempo, incêndio, entre outros fatores indesejáveis que, se não tiver uma resposta rápida, uma equipe treinada e os equipamentos certos, não consegue atuar e nem salvar vidas. Algumas vezes, a gente faz alguns reboques oceânicos. Já rebocamos um navio de Rio Grande (RS) até São Sebastião, mas o nosso objetivo é atuar dentro dos portos”, finalizou Aguiar.