Entre 90 e 95% da celulose produzida pela Bracell é escoada em ferrovia para a exportação por Santos (Divulgação/Bracell) O cluster (conjunto de empresas) de celulose localizado na Margem Direita do Porto de Santos abriga três terminais inteiramente dedicados à movimentação da commodity. Dois deles, a Bracell e a Suzano, transportam o produto da fábrica até os terminais por ferrovia, enquanto a Eldorado Brasil utiliza o modal rodoviário, ou seja, caminhões. A Tribuna ouviu dirigentes de dois dos três terminais para conhecer o plano logístico de cada uma para escoar a celulose até Santos otimizando as operações e o custo-benefício. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Gerente sênior de Logística da Bracell, Rubens Rigueira explicou que a companhia possui um sistema intermodal. “A celulose é transportada por caminhões bitrem da fábrica em Lençóis Paulista (SP) até o terminal intermodal rodoferroviário em Pederneiras (SP), onde são carregados os vagões com destino ao Terminal Portuário da Bracell em Santos”. Rigueira disse que entre 90 e 95% da celulose produzida na fábrica é escoada para Santos por ferrovia, alcançando uma média diária de 7,7 mil toneladas. Ao todo, a Bracell possui 530 vagões que são operados por locomotivas da operadora ferroviária MRS Logística. “A operação logística da Bracell tem foco em eficiência, inovação e sustentabilidade. Por isso, optamos pelo modelo intermodal de logística, aproveitando os benefícios, disponibilidade e facilidades de cada tipo de transporte”, comentou o executivo em relação ao custo-benefício da integração dos modais rodoviário e ferroviário. Frota elétrica A empresa deu início à transição para caminhões elétricos em 2023. Em 2024, 33,2 mil toneladas de celulose foram transportadas por frota elétrica, rodando 91,5 mil quilômetros. “A iniciativa, ainda em fase experimental, contribui para a redução das emissões de gás de efeito estufa (GEE) em nossa logística e utiliza energia renovável gerada no próprio processo industrial”, detalha Rigueira. Eldorado transporta a produção por caminhões A Eldorado Celulose escoa hoje toda a produção por caminhões. Embora possua infraestrutura para operar com trens, a migração só ocorrerá se o custo-benefício superar o do modal rodoviário, explica o diretor de Logística do terminal no Porto de Santos, Flavio da Rocha Costa. “Não faz sentido migrar para a ferrovia para pagar o mesmo ou mais caro. Vendemos commodity e o preço é ditado pelo mercado, então precisamos reduzir custos para aumentar a rentabilidade”. A Eldorado tem capacidade para exportar até 3 milhões de toneladas pelo terminal no cais santista (Divulgação/Eldorado Brasil) Costa disse que a fábrica despacha, em média, 150 caminhões por dia, dividindo as cargas entre Santos e outros portos do Sul do País. “De 70 a 80 caminhões têm Santos como destino diário”. Estrutura pronta O diretor de Logística explicou que, há dois anos, a companhia inaugurou o terminal com capacidade para receber 72 vagões e que mantém negociações com operadoras ferroviárias, mas ainda sem acordo fechado. “Temos duas opções: reativar a rota via Aparecida do Taboado (MS) ou via hidrovia até Pederneiras (SP). Estamos avaliando qual oferece melhor competitividade”, afirma. Paralelamente, a empresa obteve autorização do Governo Federal para construir um ramal ferroviário de 90 quilômetros ligando a fábrica, em Três Lagoas, à Aparecida do Taboado, ambas no Mato Grosso do Sul. O projeto executivo já foi concluído e a fase de desapropriação finalizada. A escolha da construtora está em andamento e a conclusão da obra ainda não tem previsão. Quando concluído, o ramal permitirá o embarque direto para Santos sem transbordo. Ainda assim, Costa garantiu que o modal rodoviário continuará sendo usado. “Na logística, precisamos de plano A e B. Se houver problema na ferrovia, o caminhão entra em ação. E o contrário também vale.” Expansão A Eldorado tem capacidade atual de produção de 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano, com escoamento máximo de 3 milhões de toneladas pelo terminal de Santos. O projeto de expansão prevê elevar a produção para 4,5 milhões de toneladas, destinando 3 milhões para Santos e o restante para mercado interno, América Latina e portos do Sul. No cenário portuário, a companhia mantém diálogo com concorrentes como Suzano e Bracell para otimizar operações e reduzir custos logísticos. “Competimos comercialmente lá fora, mas aqui dentro (do Porto) precisamos, muitas vezes, atuar em conjunto para ganhar eficiência”, frisou. Suzano A Tribuna procurou a Suzano, mas a companhia não se manifestou.