Claudio Ferrari frisa necessidade de alimentar de maneira correta os algoritmos em prol dos bons resultados (Alexsander Ferraz/AT) As transformações digital e verde, além de interligadas, estão mudando profundamente a natureza dos portos. Foi o destaque da palestra do professor italiano Claudio Ferrari, coordenador do Doutorado em Logística e Transportes de Gênova, na Itália, que abriu o 2º Seminário Nacional de Pesquisa Aplicada ao Setor Portuário (Senaport), em Santos. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O evento começou nesta quinta-feira (14), na sede da Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos (Cenep), com o apoio da Autoridade Portuária de Santos (APS), e termina nesta sexta-feira (15). Assim como Santos, a cidade da Velha Bota também possui um dos mais importantes complexos portuários do país e do Mediterrâneo. O professor argumenta que a inovação e a tecnologia vão liderar essas transformações, mas não de forma isolada. “Precisam de um contexto capaz de acolher, receber e gerenciar essas inovações. E a interação humana entre os atores portuários que não são só os que trabalham dentro do porto”. Ferrari observa que as transições digital e verde têm muitas conexões e uma, em muitas vezes, permite a outra. “Isso porque nos portos há concentração de logística, de energia e de dados que são necessários a ambos os processos. Além disso, podemos acrescentar outra perspectiva de mudança nos portos como um espaço multifuncional, multimodal, capaz de promover sinergia entre as atividades marítimas para promover uma atitude azul neutra, capaz de gerar crescimento sustentável e atento ao respeito da biodiversidade”, sintetiza. Algoritmos e energia No aspecto digital, o professor valoriza o tratamento ideal aos dados e, assim, alimentar de maneira correta os algoritmos em prol dos bons resultados. Como contrapartida, o olhar tem que ser mais cuidadoso para a vulnerabilidade. “A segurança está se tornando uma questão estratégica para os portos. Não só a do trabalho do porto, mas das informações. Grande parte delas acaba sendo trocada cada vez mais. E na gestão de dados isso é um risco. A gestão de dados não é só uma oportunidade, mas é cada vez mais uma questão de gerenciamento de dados”, explica. Na perspectiva do verde, Claudio Ferrari lembra que os portos estão se transformando em hubs energéticos. “São locais onde os navios se conectam à rede elétrica pelos cabos, colocando uma tomada em que se produzem novos combustíveis e que se integram a fontes de energia renováveis. São portas de entrada de algo não só para o bem do porto, mas da cidade, do entorno e, às vezes, do país, que se baseia neles para sua história e economia”. Autoridades presentes no evento destacam integração acadêmica (Alexsander Ferraz/AT) Estudantes apresentam trabalhos de pesquisa e soluções O 2º Senaport mostrou-se, principalmente, um espaço para apresentação de trabalhos de pesquisa voltados ao setor portuário. Os estudantes são bolsistas da Fundação Cenep e representam várias universidades brasileiras. Ontem, as iniciativas mostradas versaram a respeito de eficiência energética portuária, tecnologia e automação no Porto de Santos, da relação Porto-Cidade e inteligência artificial. Hoje, seguem com pesquisas direcionadas à engenharia portuária, à saúde do trabalhador do setor, ao patrimônio arqueológico, histórico e cultural portuário e ao direito portuário e ambiental. “O evento é a oportunidade para que eles apresentarem os grandes projetos que estão desenvolvendo. Nossa felicidade vai ser o momento em que seja possível tirá-los do papel. É a visão de futuro do Porto, proporcionando isso para o mercado”, afirma o presidente da Fundação Cenep, André Bonini. Mais oportunidades O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, ressaltou a necessidade de outros encontros como esse e de disponibilizar espaços na empresa pública federal para que as universidades tenham contato diário com a operação portuária. “O link entre a operação portuária e, efetivamente, utilizarmos o cais como centro universitário fará com que o Brasil possa avançar e acompanhar as grandes infraestruturas do mundo, como a da Itália”, afirma.