Imóveis em área de marinha, como na orla de Santos, pagam taxas de foro, ocupação e laudêmio (Alberto Marques/Arquivo AT) A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) avalia que a eventual aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2022 pode não só trazer insegurança jurídica para o setor como também onerá-lo, gerando riscos à operação. A proposta, que transfere os chamados terrenos de marinha a estados, municípios e particulares, já foi aprovada pela Câmara Federal. Na segunda-feira, foi tema de audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, onde será votada, ainda sem data certa. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Explicação Durante a audiência, a gerente técnica da ATP, Ana Paula Gadotti, disse que os terrenos de marinha são diretamente ligados aos portos, porque é por meio deles que a operação acontece. A privatização dessas áreas, diz ela, pode comprometer ou inviabilizar a expansão das instalações dos TUPs. “O terminal portuário não poderá, por exemplo, fazer uma expansão. Ficará limitado, confinado no seu terreno. Se ele olhar para o lado e não tiver espaço para expandir ou receber carga, para poder movimentar e criar novos berços, novos cais para receber navios maiores, para fazer maior movimentação ”, afirmou Ana Paula. O que são Os terrenos de marinha são as áreas situadas na costa marítima que contornam as praias, ilhas, as margens dos rios e das lagoas, em faixa de 33 metros medidos a partir da posição de maré cheia (média) de 1831. O foro é pago à União pelo domínio do imóvel, em 0,6% do valor do bem. A taxa de ocupação refere-se a um direito precário sob um imóvel, equivalente a 2% do terreno. Já o laudêmio é 5% pago pela transferência onerosa do domínio útil (ou seja, na hora da venda). A PEC estabelece que a transferência desses terrenos seja feita mediante pagamento para ocupantes particulares e gratuitamente, se ocupados por estados, municípios e concessionários de serviços públicos. A gerente técnica da ATP destacou, ainda, outros pontos relevantes que podem impactar o setor que é crucial para a economia do País, já que só os associados da ATP representam 66% de toda a movimentação de cargas, entre commodities minerais, agrícolas, produtos siderúrgicos etc. “O fato também de (a proposta) não mencionar uma base financeira e não prever uma limitação do valor e até da área, que pode chegar a 100%, também pode possibilitar um incentivo à prática de preços abusivos. Porque se os terrenos forem passados para municípios, estados e as concessionárias públicas que já operam, nós, privados, que operamos mediante autorização, seremos impactados e teremos que adquirir terrenos de outros particulares”. Investimentos travados Em relação aos futuros empreendimentos, ela observou que, se houver a aprovação da PEC, a União será impedida de dispor de novas áreas para esses negócios, o que causará engessamento. Ao final da exposição, a gerente técnica colocou a ATP à disposição para colaborar com o aperfeiçoamento da proposição legislativa. Originário da Câmara dos Deputados, o texto da PEC 3/2022 foi aprovado em fevereiro de 2022 pelos deputados federais e agora está sob análise dos senadores.