Everandy Cirino dos Santos, presidente do Sindaport, está preocupado com os associados da entidade (Vanessa Rodrigues/ AT/ Arquivo) O Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) alerta para a onda de golpes contra trabalhadores portuários com valores a receber por meio de ações na Justiça. O advogado Eraldo Franzese explica que criminosos pesquisam informações públicas de processos judiciais, especialmente os que envolvem precatórios (ordem para que ente público pague valores a quem entrou com a ação), para enganar clientes. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Eles sabem todos os detalhes do processo, principalmente quando há previsão de liberação de valores. Isso dá credibilidade à abordagem”, afirma o advogado. Segundo Franzese, os golpistas se apresentam como advogados, utilizando foto de profissionais ou a logomarca do escritório para reforçar a fraude, fazendo contato por telefone ou aplicativos de mensagens. Em seguida, informam que o valor está prestes a ser liberado, mas que seria necessário efetuar o pagamento de uma suposta taxa, custas processuais ou regularizar pendências junto à Receita Federal. “Eles sempre criam uma história para justificar um depósito prévio. Dizem que, se não pagar, o dinheiro não será liberado”, explica. Mas o advogado esclarece que não existe qualquer procedimento que exija pagamento antecipado para liberação de valores judiciais. “Quando o processo está para liberar dinheiro, todas as providências já foram tomadas. O cliente não tem que pagar nada para receber”, enfatiza. “Os golpistas são muito convincentes. Eles exploram a expectativa legítima que a pessoa tem de receber um valor e criam um senso de urgência”, afirma. O advogado relata que, além das ligações, os fraudadores passaram a realizar videochamadas e, em alguns casos, orientam as vítimas a acessar a própria conta bancária durante o contato. “Na semana passada, houve um caso em que a pessoa foi orientada por vídeo a movimentar a conta e acabou fazendo a transferência. É preocupante”, comenta. Franzese diz que a escalada dos golpes ocorre em ciclos e que registrou o primeiro boletim de ocorrência em 2023. “Há períodos de maior incidência. Agora, em fevereiro, tivemos um novo pico. Três clientes já sofreram prejuízos financeiros”, afirma. O advogado comenta ainda que, em um caso recente, uma associada chegou a agendar um Pix, mas conseguiu cancelar a transferência após entrar em contato com o sindicato e confirmar que se tratava de fraude. O escritório de Franzese, que atua há mais de seis décadas e representa diversos sindicatos de trabalhadores portuários, tem reforçado os alertas por meio de redes sociais, comunicados internos e apoio das entidades sindicais. O advogado orienta que “se ligarem pedindo dinheiro para liberar precatório ou qualquer valor do processo, desligue. Procure diretamente os canais oficiais do escritório, como o telefone fixo ou o WhatsApp institucional. Inverta o contato”. Franzese também chama atenção para o uso indevido de imagem e até de simulações de voz, facilitadas por recursos de inteligência artificial. “Hoje, eles conseguem reproduzir foto, logomarca e até simular fala. Isso torna o golpe mais sofisticado e perigoso. Infelizmente, os golpes vão se aperfeiçoando. O que podemos fazer é alertar continuamente para evitar novas vítimas”. Everandy Cirino dos Santos, presidente do Sindaport, que representa cerca de 4 mil associados, entre trabalhadores portuários da ativa, aposentados e pensionistas, reforça para que as pessoas que forem contatadas pelos golpistas desliguem o telefone e procurem os canais oficiais. “Os associados devem procurar o sindicato, falar com os diretores”. Comunicado Comunicado no site do escritório e do Sindaport esclarece que não faz parte da política de comunicação com o cliente utilizar as redes sociais para qualquer transação. “Não solicitamos qualquer dado pessoal, conta bancária, senhas, pagamento ou depósito de qualquer natureza por redes sociais e aplicativos”, ressaltando que “já estamos tomando as providências devidas para responsabilizar os fraudadores”, afirma o sindicato. Em caso de dúvida, o telefone para contato é 3228-9700.