Terminal marítimo, em Santos, já faz planejamento para temporada brasileira de cruzeiros, que vai de outubro deste ano até abril de 2027 (Vanessa Rodrigues/AT) O Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, no Porto de Santos, teve renovada a certificação internacional de segurança. Trata-se de um requisito para que instalações portuárias recebam navios que operam no comércio marítimo internacional. O documento, que tem validade de cinco anos, é concedido pela Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! “A certificação reforça a confiança de todos que utilizam o terminal. Passageiros, trabalhadores, tripulantes, armadores e autoridades passam a contar com uma estrutura preparada para prevenir riscos, controlar acessos, responder rapidamente a incidentes e garantir que as operações ocorram dentro dos mais elevados padrões internacionais de segurança, proporcionando um ambiente mais protegido e organizado”, afirma o gerente de Segurança do Grupo ABA Infra, ao qual o terminal pertence, Matheus Paixão. A renovação foi obtida no início deste mês sem ressalvas - ou “sem não conformidade”, de acordo com terminologia técnica. “Na prática, isso significa que todos os requisitos avaliados atenderam plenamente às exigências da auditoria, sem necessidade de correções. Esse resultado demonstra que os processos de segurança estão consolidados, funcionando de forma integrada e eficiente, refletindo o comprometimento da gestão e de toda a equipe com a cultura de segurança”, explica Paixão. A certificação é mantida por meio de auditorias realizadas pela Conportos, além de inspeções e verificações contínuas - e sem aviso prévio - para assegurar a conformidade permanente do terminal pela Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Cesportos/SP). “A auditoria é bastante criteriosa e avalia desde a documentação do Estudo de Avaliação de Riscos (EAR) e Plano de Segurança Portuário (PSP)”. Depois disso, a conferência acontece sobre a aplicação prática das medidas de segurança contidas nos documentos. “São verificados controle de acesso, monitoramento eletrônico, equipamentos de inspeção não invasiva, sistemas de comunicação, procedimentos operacionais, resposta a emergências, proteção de áreas restritas, treinamentos, simulados, registros documentais e a capacitação das equipes. Além da documentação, os auditores acompanham a execução das atividades em campo”, detalha o gerente. A preparação, no entanto, não acontece apenas nos dias que antecedem a auditoria. “Em segurança portuária, não existe a possibilidade de ‘ensaiar’ para uma avaliação. Ou a cultura de segurança está incorporada à rotina do terminal, ou as fragilidades acabam sendo identificadas durante a auditoria”, comenta. O trabalho, segundo o profissional, começa com a estruturação do Elemento Organizacional (célula de segurança interna), homologado pela Cesportos/SP, e com equipes permanentemente capacitadas para exercer suas funções. “A manutenção da certificação depende de um trabalho contínuo, que envolve treinamentos, inspeções, auditorias internas, atualização de procedimentos, testes dos sistemas e acompanhamento diário dos controles de segurança”, afirma. Os protocolos (exigidos pelo ISPS Code) são voltados para prevenir e reduzir riscos relacionados ao acesso não autorizado às instalações, atos ilícitos contra navios e instalações portuárias, introdução de objetos proibidos, furtos, sabotagens, drogas, interferências nas operações, além de outras ameaças que possam comprometer a segurança da navegação, das pessoas e da infraestrutura crítica. “Em situações de risco, são acionados planos específicos que definem responsabilidades, fluxos de comunicação e medidas imediatas para preservar vidas, proteger as instalações e manter a continuidade das operações”, revela Paixão. O gerente de Segurança lembra que o resultado demonstra maturidade da gestão de riscos do terminal. “Isso evidencia uma organização preparada para identificar vulnerabilidades, antecipar ameaças e responder de forma rápida e coordenada diante de qualquer situação que possa comprometer a segurança das operações”, afirma. Sem interrupção Apesar da futura transferência do Concais de Outeirinhos para o Valongo, o gerente de Segurança do Grupo ABA Infra, Matheus Paixão, garante que isso não significa interromper investimentos. “O Concais continua realizando investimentos contínuos em equipamentos, sistemas e melhorias operacionais, sempre em alinhamento e com a devida comunicação à Autoridade Portuária. Segurança é um valor inegociável para o terminal. Por isso, mesmo preservando os grandes investimentos de infraestrutura para a futura área, seguimos reforçando os recursos tecnológicos e operacionais que garantem a proteção de passageiros, trabalhadores, tripulantes e das operações, além de contribuir para o conforto e a eficiência da operação atual”, afirma. Para a próxima temporada de cruzeiros, Paixão observa que a preparação envolve planejamento operacional, capacitação das equipes, manutenção dos equipamentos, além de alinhamento com armadores e autoridades. “Sabemos que a geração da demanda e a decisão de incluir Santos nas rotas são comerciais e cabem aos armadores. A missão do Concais é garantir que o terminal nunca seja um obstáculo a essa decisão. Assim, sempre que um armador optar por operar no Porto de Santos, encontrará um terminal preparado para atender os navios com segurança, eficiência, capacidade operacional e conforto para passageiros, tripulantes e trabalhadores”.