Cabines para cobrança de pedágio não estão previstas na terceira pista da Rodovia dos Imigrantes (Alexsander Ferraz/ AT) A futura terceira pista da Rodovia dos Imigrantes não contará com praças de pedágio. Se houver cobrança de tarifa, o que ainda não foi definido pelo Governo do Estado, ela será por meio de pórticos eletrônicos (free flow). A medida deve agilizar o trânsito de caminhões, já que a nova pista poderá receber veículos pesados com destino ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A diretora da Agência de Transporte do Estado (Artesp), Raquel França Carneiro, disse para A Tribuna que a colocação de pórticos “precisa ser discutida e avaliada tecnicamente”. “A terceira pista é um projeto um pouco diferente. No traçado que a gente vem discutindo com a Ecovias (Imigrantes, concessionária), ela começa na altura da interligação. Então, vai ter uma declividade um pouco diferente e é composta praticamente por túneis”, explicou. O sistema free flow já está sendo implantado no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) e, em breve, substituirá as praças de pedágio localizadas em Riacho Grande e Piratininga. Andamento Fevereiro promete um passo importante no projeto de construção da terceira pista. De acordo com a Ecovias Imigrantes, responsável pelo projeto, até o final do mês deve ser entregue o projeto executivo que, em seguida, será encaminhado para certificação por empresa independente. Os projetos funcional e básico foram entregues em fevereiro e outubro de 2025, respectivamente. A estimativa é que todas as etapas de licenciamento ambiental, de acordo com a Artesp, em andamento junto à Cetesb, contemplando licenças Prévia e de Instalação, sejam concluídas até o final do primeiro semestre de 2026. Apenas ao final dessas etapas é que serão indicadas características precisas do empreendimento, os materiais a serem utilizados, técnicas de construção, prazo e custos para posterior realização das obras. A expectativa é de que as obras sejam iniciadas até o fim deste ano. “O projeto da terceira pista em desenvolvimento atende à solicitação do Governo do Estado para uma nova ligação entre a região do Planalto e a Baixada Santista, com vocação para veículos pesados, mínimo impacto ambiental e capacidade para atender a demanda de tráfego atual e futura”, argumenta a Ecovias Imigrantes. A proposta é de uma nova pista no trecho de Serra com 21,5 km de extensão, compostos prioritariamente por túneis, que somam 17 km, o equivalente a 80% de todo o trajeto, além de 4 km de viadutos. Um dos túneis terá cerca de 6 km de extensão. A nova ligação deve custar R\$ 8 bilhões e aumentar em mais de 140% a capacidade para veículos pesados no SAI. Projeto resulta em ganho logístico Especialistas ouvidos por A Tribuna reforçam os ganhos logísticos que a futura ligação entre o Planalto e o Litoral poderá oferecer. Para Marcos Vendramini, diretor da V2PA Engenharia, a futura rodovia beneficiará diretamente o fluxo de descida para o Guarujá (Margem Esquerda do Porto de Santos), o Litoral Norte e, indiretamente, o restante do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). “Contribuirá na redução de gargalos, como no final da descida da Anchieta, no cruzamento com a Cônego Domenico Rangoni, na interligação dela com a faixa de subida do SAI e na interligação do Sistema Anchieta-Imigrantes com o início de descida da Via Anchieta (pista Sul no Planalto)”. Vendramini entende que a segurança viária deverá aumentar ao propiciar um maior número de faixas e com melhores áreas de escape, raio de curvas muito maior, assim como a distância de parada (a Via Anchieta é muito sinuosa). Maior fluxo Já para o diretor da Agência Porto Consultoria, Ivam Jardim, a terceira pista da Imigrantes é fundamental para aliviar o gargalo da Serra do Mar, especialmente para o fluxo de caminhões com destino ao Porto de Santos. “A obra tende a reduzir congestionamentos na descida da Serra, aumentar a segurança viária e diminuir o tempo de viagem, o que é positivo para a logística portuária. Esse ganho se concentra no trecho de Serra”, avalia. Para Jardim, porém, é preciso atenção do Governo do Estado para os trechos que não serão alterados. “Os mesmos caminhões e veículos leves continuarão convergindo para a Imigrantes no trecho de Diadema–São Bernardo do Campo, que já apresenta congestionamentos frequentes, e para o eixo Cubatão–Santos, que opera com fluxo intenso nos horários de pico. Sem intervenções nesses pontos, parte do ganho obtido na Serra tende a ser absorvida por novos gargalos”, complementa.