Santos Brasil, na Margem Esquerda, quer expandir capacidade operacional dos atuais 2,7 milhões para 3 milhões de contêineres este ano (Alexsander Ferraz/AT) Maior terminal de contêineres da América Latina, o Tecon Santos, operado pela Santos Brasil no Porto de Santos, é um dos ativos que serão beneficiados pela recém-criada joint venture (aliança empresarial) United Ports LLC. Ela é fruto da parceria firmada entre duas gigantes globais, a armadora CMA CGM, controladora da Santos Brasil, e a Stonepeak, gestora de investimentos em infraestrutura. O negócio foi comunicado ao mercado há pouco mais de uma semana. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto no WhatsApp! A Stonepeak investirá aproximadamente R\$ 12 bilhões para adquirir uma participação minoritária de 25% na joint venture que abrange dez terminais que a CMA CGM opera em seis países (Brasil, Estados Unidos, Espanha, Índia, Taiwan, Vietnã). Segundo o CEO do Grupo CMA CGM, Rodolphe Saadé, ao unir forças com um parceiro com forte expertise em infraestrutura, “fortalecemos nossa capacidade de investir ainda mais em nossos terminais portuários”. O diretor-executivo da Stonepeak, James Wyper, destacou que os terminais de contêineres desempenham um papel essencial no comércio global e estão entre os ativos de infraestrutura de transporte mais difíceis de substituir ou replicar. “Essa joint venture representa uma oportunidade verdadeiramente diferenciada de investir em um portfólio de alta qualidade de terminais estrategicamente localizados”. Em comunicado ao mercado, a Santos Brasil esclareceu que “não é parte direta da operação anunciada, não há alteração no controle da Santos Brasil Participações S.A. e não há impacto imediato em suas operações, governança ou contratos vigentes”. A empresa informou ainda que eventuais desdobramentos da constituição da joint venture e da aquisição de participação nos ativos portuários estarão sujeitos à obtenção, dentre outros, de aprovações regulatórias aplicáveis. “A companhia manterá o mercado devidamente informado a respeito de desenvolvimentos relevantes sobre o tema”. Opiniões O consultor portuário Ivam Jardim avalia que os impactos para o Tecon Santos podem ser positivos do ponto de vista de capacidade de investimento. “A Stonepeak, como gestora global de infraestrutura, entra justamente para aportar capital de longo prazo e dar fôlego financeiro à CMA CGM, que realizou aquisições e investimentos relevantes recentemente no Brasil e em outros mercados”. Na prática, opina Ivam, isso pode significar a antecipação da execução dos investimentos já previstos para a Santos Brasil e até a viabilização de novos projetos de expansão de capacidade. “Ao reduzir o ciclo de investimento e garantir recursos disponíveis, o terminal pode crescer de forma mais célere, ganhar escala operacional e se tornar ainda mais competitivo e ágil no atendimento ao comércio exterior brasileiro”, complementou. Para o consultor portuário Luis Claudio Montenegro, a joint venture é um sinal claro do movimento estrutural em curso no setor portuário global. “Grandes armadores vêm aprofundando sua integração vertical, combinando operação portuária com capital financeiro de longo prazo, em busca de escala, eficiência e maior previsibilidade logística”, diz ele, destacando que esse “não é um movimento conjuntural, mas uma aposta estratégica na infraestrutura como ativo central do comércio internacional”. Montenegro comentou que no Brasil, esse movimento ganha relevância por envolver o Porto de Santos e o Tecon Santos. “Em condições adequadas, esse tipo de arranjo tende a impulsionar investimentos em capacidade, tecnologia e produtividade, com efeitos positivos sobre custos logísticos, confiabilidade operacional e competitividade do comércio exterior brasileiro”. O consultor observou que a joint venture entre a CMACGMe a Stonepeak pode representar uma oportunidade relevante para o Porto de Santos e para o Brasil no comércio internacional. “O risco não está na integração vertical ou na atuação de operadores incumbentes, mas na adoção de barreiras regulatórias que acabem travando investimentos,reduzindo a competição e deixando bilhões parados em um momento em que o País precisa exatamente do contrário:mais escala,mais eficiência emaiorinserção nas cadeias globais de comércio”.