Usar a tecnologia para garantir eficiência com custos dentro de uma realidade aceitável. Foi o ponto central do painel Tecnologias Disruptivas no Transporte e na Logística: Da Estratégia Digital à Execução no Brasil, nesta quinta-feira (16), na Intermodal. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Pela complexidade das operações, as demandas de clientes, do nível de exigência cada vez mais intenso e escala de volume cada vez maior, é fundamental o uso de novas tecnologias para que a gente consiga entregar com eficiência, e com os custos compatíveis com o que você precisa, para chegar ao resultado final para a empresa”, analisa o presidente da DDM Logística, Agapito Sobrinho. Sobrinho coloca como primeiro objetivo garantir a experiência do cliente com a tecnologia. Depois, expandir para mensurar a eficiência. adotando a disciplina de custos para, no final, ter o resultado esperado. “O uso de IOT (Internet das Coisas) e Machine Learning (tipo de inteligência artificial que executa tarefas de análise de dados sem instruções explícitas) são importantes para nós. E agora estamos chegando em estágio de aplicação de Inteligência Artificial para usar de forma ainda mais inteligente esses dados que a operação gera, para tomar ações cada vez mais preditivas para garantir a eficiência da operação lá no final” detalha. Tempo real O principal exemplo trazido por Sobrinho envolvendo o uso dos recursos tecnológicos está em garantir a visibilidade, em tempo real, de todo o processo, de ponta a ponta, no transporte da carga. “Isso é fundamental na questão portuária e nas conexões portuárias. É você ver realmente todos os contêineres rastreados e usar esses dados de forma inteligente para garantir que esse processo esteja acontecendo com governança de forma fluida, em tempo, com qualidade e segurança”. A empresa também lida com o Porto de Santos, atuando na conexão rodoviária. “Usamos o mesmo modelo operacional: rastreio em tempo real de todas as movimentações de contêineres que fazemos, planejamento antecipado em relação ao que vai ser feito e acompanhamento dessa execução também em tempo real, usando tecnologia para isso”. Envolvimento e protagonismo Sobrinho também chama a atenção que é necessário envolver as pessoas, qualificá-las e treiná-las para esse ambiente tecnológico, dando-lhes protagonismo. “Temos investido bastante em esforço na qualificação e na disseminação dessa cultura digital e de inovação, permitindo que as pessoas inovem e tenham coragem para isso. Ou seja, que possam errar e, caso isso aconteça, reconheçam rapidamente o erro e corrijam, de modo a não atrapalhar o dia a dia. Aí trazemos a pessoa para uma posição de protagonista nesse processo e tira essa temeridade que a tecnologia vai substitui-lo”, finaliza. Outro participante do painel, o diretor comercial e de marketing da Invent Intralogistics, Augusto Ghiraldello, lembrou que as empresas desejam automatização de todo jeito e a todo custo, mas não é bem assim. “É necessário fazer uma análise se um software faz sentido ou se irá trazer mais problemas”, analisa. Muitas vezes, a condução de uma transformação digital está na simplicidade. “Quando a gente fala de automação, vai muito para o viés de esteira ou de robôs, tudo automático. A tecnologia é mais abrangente”. O diretor de abastecimento da Americanas, Fábio Bonotti, observou na discussão que as dificuldades variam em cada empresa e fica de olho nas pessoas. “Não há como menosprezar as pessoas e o impacto na rotina das pessoas. Caso contrário, é difícil escalar novas tecnologias e processos. Em uma empresa mais antiga, é preciso ter muita atenção para mudar, senão há muita resistência”. Também integrante do debate, Patricia Bello, diretora geral da GolLog, unidade de logística da Gol Linhas Aéreas, deixou claro que a transformação digital é sempre um desafio que não vai vir em curto prazo, embora ela tenha de acompanhar a enorme rapidez com que as tecnologias avançam. “Para o varejo e o transporte, um negócio daqui a cinco anos, por exemplo, não vai estar do mesmo jeito. A mudança tem ritmo exponencial. Tecnologias e formas de fazer negócio apresentam soluções que caducam nesse tempo. Faz mais sentido procurar soluções de retorno curto”, argumenta. Evento Essa foi a 30ª edição da Intermodal South America 2026, realizada entre a última terça-feira (14) e quinta-feira (16), no Distrito Anhembi, em São Paulo. A feira foi montada em uma área de 55 mil metros quadrados (m²), contando com 500 marcas nacionais e internacionais, 100 palestrantes, 500 congressistas. O público foi de 50.655 mil visitantes de 90 países durante os três dias de evento. Em paralelo à feira, ocorreu o Interlog Summit, que abrange o Congresso Intermodal e a Conferência Nacional de Logística, realizado pela Associação Brasileira de Logística (Abralog). A MSC é a patrocinadora oficial do evento e o Grupo Tribuna a mídia parceira.