Centronave tem alertado as autoridades sobre a situação do canal de Santa Catarina desde novembro do ano passado (Maurício Martins/AT) A situação do canal de navegação do complexo portuário Itajaí-Navegantes, em Santa Catarina, continua preocupante, com o assoreamento prejudicando a navegação. O superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, disse a A Tribuna que é difícil estabelecer um prazo para a retomada integral das operações e, principalmente, para a manutenção estável dos padrões de profundidade do canal de acesso. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O motivo, segundo ele, é o aumento da sedimentação por causa do cenário apresentado no local, que atravessa um período de condições hidrológicas adversas, com sucessivos episódios de chuvas intensas, aumento expressivo da vazão do Rio Itajaí-Açu e, por consequência, maior aporte e deposição de sedimentos no canal de acesso. “Nas últimas semanas, inclusive, foram registrados episódios de fechamento temporário do canal em razão da correnteza acima dos parâmetros de segurança estabelecidos para a navegação”, completa. Apesar das condições hidrológicas excepcionais, Pereira diz que “a navegabilidade do canal está mantida, com as operações portuárias ocorrendo dentro dos parâmetros de segurança estabelecidos pela Autoridade Marítima e sem prejuízos econômicos à atividade portuária”. Os navios, porém, não conseguem navegar com a capacidade máxima, o que afeta as operações e causa danos econômicos. Medidas A Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí (DelItajaí), subordinada à Marinha do Brasil, atualizou as medidas de profundidade do canal pela última vez em 1º de setembro. Foram substituídas as limitações anteriormente estabelecidas por meio do Fator de Ajuste de Calado, uma ação de prevenção, pelos novos parâmetros definidos pela Autoridade Marítima. A informação é do superintendente do Porto de Itajaí, já que a DelItajaí não respondeu aos questionamentos feitos pela Reportagem. As medidas estabelecidas são 12,9 metros para o canal externo, 12,5 metros para o canal interno, 12,2 metros para a Bacia de Evolução 1 e 12,6 metros para a Bacia de Evolução 2. Os parâmetros foram definidos com base nas condições verificadas no canal e nos levantamentos batimétricos realizados no período. Entre 30 de julho e o último dia 10 foi realizada campanha de dragagem com a draga de sucção Utrecht, seguida da realização de novas batimetrias. “Assim que os levantamentos forem recebidos pela Superintendência do Porto de Itajaí, os dados serão encaminhados à Autoridade Marítima para avaliação e eventual atualização dos parâmetros atualmente estabelecidos”, afirma o superintendente. Segundo Pereira, foram dragados mais de 2 milhões de metros cúbicos (m3) de sedimentos nessa última campanha. Ações O diretor-executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), Fábio Lavor, afirma que a dragagem realizada foi importante, mas ainda é pouco. “É necessário avançar com novas ações, incluindo dragagem, batimetria e monitoramento ambiental, além de um acompanhamento permanente das condições do canal. Precisamos de uma atuação célere dos atores públicos envolvidos para que essa questão seja efetivamente resolvida e para que possamos voltar a operar com a plena capacidade dos navios que operam na região de Itajaí”, define. A entidade tem alertado as autoridades sobre a situação desde novembro do ano passado. “Acompanhamos desde o início os problemas relacionados à profundidade do canal de acesso a Itajaí e Navegantes e temos manifestado nossa preocupação com qualquer redução que possa afetar a operação”, relembra Lavor. O diretor-executivo do Centronave observa que qualquer redução de profundidade afeta diretamente a capacidade de transporte dos navios e, consequentemente, representa prejuízo para toda a cadeia de comércio exterior. “Novas restrições podem comprometer a eficiência da operação e gerar impactos para os setores portuário e de navegação”. Monitoramento O Porto de Itajaí contratou emergencialmente (sem licitação), na última segunda-feira, uma empresa para implantação, operação e manutenção de um sistema permanente de monitoramento hidrodinâmico e meteorológico do canal de acesso ao complexo portuário. O contrato com a UMI SAN Serviços de Apoio à Navegação e Engenharia tem prazo máximo e improrrogável de 180 dias, com o valor de R\$ 4.488.230,43. O sistema permitirá acompanhar 24 horas por dia, em tempo real, parâmetros fundamentais à segurança da navegação, como correntes, marés, ondas, ventos, visibilidade e pluviosidade (chuva), fornecendo informações técnicas para a tomada de decisões sobre as condições de acesso e as manobras de navios no complexo. A estrutura contará com quatro estações físicas e dois pontos de modelagem numérica, cobrindo aproximadamente 9,3 quilômetros do acesso aquaviário.