O Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) quer saber o número exato de mulheres que trabalham no setor portuário paulista. Para fazer esse mapeamento, pediu informações sobre o quadro funcional às empresas e às administrações dos portos de Santos e de São Sebastião, no Litoral Norte. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos, disse que a presença feminina é pequena, mas progressiva. Por isso, é necessário fazer adequações. “Não estou falando somente de vestiários e sanitários exclusivos para as mulheres, mas também de uniformes que atendam às necessidades do trabalho e que sejam adequados a elas”, afirmou. Cirino explicou que o levantamento estatístico permitirá identificar o que é necessário. “O intuito é obter informações relacionadas ao quantitativo de trabalhadores que exercem suas atividades nas áreas administrativa e operacional, bem como sua distribuição por gênero”, destacou. De acordo com o sindicalista, a finalidade do levantamento é exclusivamente acadêmica e estatística, direcionada “à elaboração de estudos sobre a composição da força de trabalho no setor portuário, inexistindo qualquer finalidade fiscalizatória, negocial, judicial ou qualquer outro objetivo secundário ou oculto”. O sindicato informou que, na Autoridade Portuária de Santos (APS), 140 mulheres atuam em diferentes funções, entre as quais 83 em atividades administrativas e 57 em operacionais. A função de técnico portuário é a com maior presença feminina, contando com 52 profissionais. Outras 47 mulheres ocupam funções de nível superior, enquanto 14 exercem cargos de liderança. “Sabemos quanto o Porto de Santos movimenta, quantos navios atracam diariamente, quantos caminhões entram e saem do porto, mas não temos quantas mulheres efetivamente atuam no cais. O Sindaport, enquanto representante dos trabalhadores, precisa ter essa informação. Estamos aguardando o retorno das empresas”. As administrações dos portos de Santos e de São Sebastião, do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo Santos) e empresas que atuam no complexo portuário confirmaram apoio ao levantamento estatístico. Aderiram As Autoridades Portuárias de Santos e São Sebastião afirmam que o mapeamento ajudará a orientar políticas de equidade de gênero, ampliar a inclusão e identificar oportunidades de melhoria nas condições de trabalho. Em nota, a APS informou que vai colaborar integralmente com a iniciativa. “O levantamento é importante para nortear políticas reais de equidade de gênero e de adequação da infraestrutura, garantindo um ambiente de trabalho seguro e inclusivo a todas as mulheres portuárias”. Já a Companhia Docas de São Sebastião (CDSS) considera o levantamento positivo e já contribuiu com as informações solicitadas. “Acreditamos que esse mapeamento é uma ferramenta importante para ampliar o conhecimento sobre a participação das mulheres no setor portuário e identificar oportunidades de aprimoramento das condições de trabalho”. Empresas A DP World disse que esse é um passo importante para orientar ações que ampliem a diversidade no setor. “Só é possível avançar de forma consistente quando entendemos o cenário atual, identificamos desafios e acompanhamos a evolução ao longo do tempo”. A Eldorado Brasil Celulose, que opera o novo terminal EBLog, na margem direita, em Santos, confirmou que irá colaborar com o levantamento. "A participação feminina fortalece o setor portuário. Na Eldorado, não fazemos distinção e motivamos nossa gente, oferecendo um futuro promissor e uma carreira sólida", afirmou a coordenadora de Recursos Humanos Comex e CSC na EBLog, Ingrid Sierra. Por fim, a Brasil Terminal Portuário (BTP) informou que irá contribuir com dados para o levantamento e que “o mapeamento será uma importante contribuição para todo o setor portuário, pois seu resultado nos permitirá ter mais conhecimento e um diagnóstico real sobre a inclusão de mulheres no Porto de Santos”. A BTP informou que ampliou a participação feminina nas áreas operacional e de liderança por meio de ações de capacitação e inclusão. “Em 2025, as mulheres representavam 25% dos motoristas de terminal tractors (tratores de terminal). Nove estivadoras foram contratadas após formação inédita pelo Ogmo Santos. Além disso, elas passaram a comandar 55,5% das gerências da empresa. Entre 2024 e 2025, o número de colaboradoras cresceu 43,7% em relação a 2023”.