3° Seminário de Neurodiversidade e Políticas Públicas reuniu nesta sexta-feira, em Santos, especialistas e autoridades ligadas ao setor de inclusão (Alexsander Ferraz/AT) A inserção de pessoas com deficiência em um dos mercados que mais gera empregos na Baixada Santista, o Porto de Santos, foi um dos temas discutidos durante o 3º Seminário de Neurodiversidade e Políticas Públicas, nesta sexta-feira (10), em Santos. O encontro foi promovido em conjunto entre o IN Movimento Inclusivo, Universidade Católica de Santos (UniSantos) e Prefeitura de Santos, no auditório da instituição de ensino. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Com uma vasta programação que se estendeu pela manhã e à tarde, as discussões abrangeram políticas públicas, conscientização, combate ao capacitismo e inclusão em todos os espaços, como o mercado de trabalho e instituições de ensino. Uma das convidadas do evento, a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Nascimento, disse que iniciativas como o seminário ajudam a romper barreiras. “Pessoas com deficiência têm potencialidades, podem ter expertises diversas e ocupar não apenas uma, mas várias funções”, afirmou. A secretária nacional também apontou a importância da qualificação para ampliar a presença desse público no mercado de trabalho. “Com preparo e educação inclusiva, a gente consegue fazer com que mais pessoas saiam cada vez mais qualificadas para o mercado de trabalho”, ressaltou. O reitor da UniSantos, Cleber Ferrão, destacou a importância do seminário como espaço de articulação entre universidade, poder público, sociedade civil e empresas para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. “Quando abrimos o espaço para eventos como esse, envolvemos todo o nosso corpo docente, alunos de graduação e pós-graduação, além de oferecermos cursos aqui dentro. Isso fortalece o debate e amplia a participação de todos”, salientou. Docente na área de Ciência da Computação e ex-reitor da UniSantos, Marcos Medina Leite destacou a necessidade de revisão constante das políticas públicas. “A discussão requer que estejamos permanentemente revisitando quais são os nossos pactos sociais, porque as políticas públicas nada mais são do que um reflexo do que a sociedade entende como prioritário”. O presidente da Associação IN Movimento Inclusivo, César Lavoura Romão, ressaltou a importância do painel sobre inclusão profissional nas empresas portuárias. “Ampliar a acessibilidade e a inclusão nesse segmento empresarial é um dos objetivos”. Entretanto, César foi enfático. “O setor portuário é um dos que mais emprega na região, mas também é um dos mais desafiadores por causa de suas peculiaridades. Nosso objetivo é romper barreiras com inovação, promovendo transformação para a inclusão”, afirmou. “A gente vê colaboradores que entraram de uma forma — por exemplo, sem se comunicar verbalmente — e, na última temporada, já estavam se comunicando, falando com os colegas. A equipe fica completamente motivada vendo tudo isso”. Amanda Prado, Analista de Recursos Humanos sênior do Grupo ABA Infra (Alexsander Ferraz/AT) A analista de Recursos Humanos Sênior do Grupo ABA Infra, Amanda Prado, participou do painel sobre inclusão profissional no mercado de trabalho portuário. Ela disse que a ABA Infra, gestora de oito empresas no País, entre elas o Concais, que administra o Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, no Porto de Santos, desenvolve ações voltadas à inclusão de pessoas com deficiência e na área de neurodiversidade. “A gente vê colaboradores que entraram de uma forma — por exemplo, sem se comunicar verbalmente — e, na última temporada, já estavam se comunicando, falando com os colegas. A equipe fica completamente motivada vendo tudo isso”. Amanda explicou como funciona o recrutamento na inclusão profissional e disse que o seminário é oportuno para adquirir mais conhecimentos. “Acho que ninguém está 100% pronto, a gente sempre tem que aprender mais, adaptar mais e estar aberto a esse tema, que é muito diverso”, salientou. Vice-prefeita e secretária de Educação de Santos, Audrey Kleys (PSD) comentou que a preparação para o mercado de trabalho começa ainda nos primeiros anos da vida escolar. “Muitas dessas pessoas passaram pelo ensino público, onde discutimos cada vez mais qual é o melhor método de inserir nossos alunos nesse contexto do ensino regular, para que eles realmente consigam a autonomia desejada”. A aluna de Publicidade Gabriela Sandin, de 19 anos, foi a mestre de cerimônias do evento. Ela tem transtorno do espectro autista (TEA), “Às vezes, eu me sinto afastada por causa da deficiência, então estar aqui tem um significado muito importante para mim”.