A legislação garante a responsabilidade do operador pelas cargas: em caso de perda da mercadoria, a empresa é responsável pelo ressarcimento e pagamento dos impostos (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) A grandeza da atividade portuária requer uma série de precauções. Muitas situações podem acompanhar o trabalho de operadores, terminais e autoridades portuárias. Em caso de acidentes, incêndios e outros sinistros, o prejuízo pode ser milionário e comprometer o caixa das companhias. Por esse motivo, a contratação de seguro passou a ser essencial para o setor. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Uma das corretoras especializadas nesse nicho de mercado é a Umma, de São Paulo. Anteriormente chamada de Anhumas, a empresa busca ampliar sua atuação no setor portuário, usando a expertise acumulada em quatro décadas. “A gente sentiu necessidade de juntar esse DNA que temos de atendimento exclusivo, voltado ao cliente, com a modernidade. Atualizar os procedimentos, a parte de inteligência artificial, dar um golpe de modernidade numa empresa que tem 41 anos”, afirma o presidente do conselho da Umma Seguros, Eduardo Azem. De acordo com o CEO, Nicholas Weiser, o reposicionamento de marca foi consolidado no ano passado. “Buscamos manter nossa característica, que é o atendimento personalizado, com espírito de boutique”, afirma. A letra M dobrada significa proximidade com o cliente. “Contratamos uma agência, que fez todo o trabalho de modernização da marca”, acrescenta. Segundo ele, a corretora Umma trabalha com todas as seguradoras do mercado. “Nós somos uma corretora de seguros e consultoria de riscos. Nossa ideia é tentar, trazendo esse conceito achar o melhor caminho para cada cliente”. Porto O interesse pelas empresas ligadas ao ecossistema portuário remete às origens da empresa. “Quando houve as privatizações na época em que o Fernando Henrique Cardoso era presidente (entre 1995 e 2002), existiam concessões muito mais interessantes do que a área de portos, onde os meus concorrentes se situaram, como de energia e rodoviárias. Os portos ficaram meio de lado e pensamos que poderia ser uma oportunidade”, explica Azem. Ele acrescenta que a seguradora buscou estudar todos os produtos no mundo, sendo que os melhores exemplos eram de Londres (Inglaterra). “Trouxemos um produto que permeia toda a responsabilidade da autoridade portuária e dos operadores”, detalha Azem. Hoje, a chamada apólice de Responsabilidade Civil do Operador Portuário (RCOP) é dividida em três seções. Uma delas é a responsabilidade sobre os danos a terceiros. “Todo recinto alfandegado, em caso de perda da mercadoria, é responsável pelo pagamento dos impostos. Então, se você trouxe uma mercadoria de R\$ 5 milhões e deu perda nesse terminal, é responsável não só por repor os R\$ 5 milhões, como pagar todos os impostos que ficaram suspensos. A responsabilidade no terminal é bastante grande”, explica Azem. A outra seção é a patrimonial, voltada para a parte de bens móveis e imóveis, ou seja, equipamentos e parte predial. E a terceira é sobre perda de receita, quando existe perda financeira decorrente de algum dano coberto. “A parada de um guindaste por falta de energia elétrica, ou mesmo um bloqueio de berço, onde os navios não podem entrar ou sair do porto”, acrescenta o diretor de Risk Solutions, Thiago Fagundes. Santos As operações no Porto de Santos, incluindo as futuras concessões, são acompanhadas de perto pela empresa, disposta a ampliar sua presença no mercado. “Nós estamos preparados para conseguir atender essas novas concessões. A gente está com clientes no Brasil inteiro, de Norte a Sul, mas busca uma presença ainda mais forte no Porto de Santos”, pontua Azem. Nicholas Weiser, por sua vez, cita um outro aspecto. “Um trabalho que a gente tem muito forte - e que a expertise no operador portuário nos traz também - é na parte de regulação do sinistro. Quando ocorre um acidente, temos uma equipe muito forte para que a gente possa atender de forma diferenciada os eventos de pequeno, médio e grande portes dos nossos clientes”. Estrutura consolidada Alguns números robustos comprovam a musculatura da empresa: mais de R\$ 10 bilhões de ativos já segurados, mais de mil clientes atendidos, 30 mil vidas dentro da parte de benefícios e um índice de retenção de clientes na casa dos 98%. “Vivemos um processo de horizontalização da empresa, formando várias equipes, por um crescimento nos próximos cinco anos”, complementa Eduardo Azem. As lideranças da Umma: Nicholas Weiser, CEO; Eduardo Azem; presidente do Conselho; e Thiago Fagundes, diretor de Risk Solutions (Divulgação) Coberturas vão de cargas até riscos cibernéticos, passando por veículos e responsabilidade civil A customização do atendimento da Umma para cada cliente passa por alguns elementos. “Quando a gente olha para portos, ou setor logístico em geral olha todos os riscos. Há seguro de cargas, de riscos cibernéticos, frota de veículos, além do seguro de responsabilidade civil dos administradores, Há, ainda, grupos de garantias para processos judiciais. Quando as empresas entram numa concessão, vai ter um leilão e precisam entregar uma proposta. Normalmente os leilões exigem garantias”, explica o CEO da seguradora, Nicholas Weiser. Ele lembra que, quando se fala de armazéns, também existe seguro de incêndio, roubo, vendaval, alagamento, dentro de uma apólice chamada de riscos patrimoniais. “Quando um porto ou uma empresa de logística vai fazer uma ampliação do local, também tem o seguro de riscos de engenharia”, exemplifica. Mesmo os tipos de carga transportados por empresas ou terminais portuários têm atenção diferenciada. "O navio traz diversas mercadores diferentes, então há várias tratativas com relação a tipo de operação de guindaste, não é só contêiner. Há vários segmentos, com suas particularidades. Um exemplo é carga líquida, como combustível, que merece total atenção”, explica Thiago Fagundes, diretor de Risk Solutions da Umma, que está há 12 anos na empresa e é especialista em seguro de portos. Outro desafio do setor portuário é uma mudança cultural. “O conceito preditivo ainda não existe no nosso dicionário. É muito no corretivo, não é preventivo. Mas isso deverá mudar”, pontua Eduardo Azem. Equipe da empresa durante visita recente ao Porto de Santos: agregando conhecimento (Divulgação) Inteligência artificial e melhores práticas ESG estão no radar O olhar para o futuro, no caso da Umma, também passa pela incorporação, cada vez maior, da tecnologia - aí inclui-se a inteligência artificial - e a adoção das práticas de ESG (ambiental, social e governança, da sigla em inglês). Em resumo: para pensar adiante, também é importante buscar evoluir internamente. “Junto com as seguradoras, estamos olhando ferramentas que podem entender de riscos climáticos, alagamentos. Hoje, elas dispõem desse tipo de tecnologias. Temos nossos sistemas de controle de apólices, de riscos. Também temos feito um trabalho de consultoria de riscos, que usa modelagem de dano máximo provável. Também olhamos a parte de BI (business intelligence) e vamos buscando novas tecnologias, estudando de que forma a inteligência artificial pode ajudar mais”, explica Nicholas Weiser. Segundo ele, uma novidade são aos agentes de inteligência artificial. “Tive reunião com empresa especializada para que a gente tenha uma eficiência operacional”, reforça. ESG Enquanto isso, as práticas ESG também devem ganhar especial atenção na empresa, explica Azem. “Por muito tempo, a gente funcionava como um escritório. O principal objetivo era o cliente, mas a gente olhava pouco para dentro, para as nossas pessoas, para entender o desejo e onde querem chegar. Mas já estamos trabalhando nisso, recebemos uma proposta de estratégia de RH que vai contemplar o ESG”.