Transporte marítimo é responsável por 90% da carga do mundo. Para especialista, investir em segurança é fundamental para o negócio (Carlos Nogueira/ArquivoAT) O gerenciamento de risco cibernético nos portos é indispensável à manutenção do fluxo comercial internacional, uma vez que 90% das cargas negociadas no mundo passas pelos complexos portuários. Para o especialista em Inteligência, Cibersegurança e Proteção de Dados Carlos Albuquerque, a comunidade portuária precisa conhecer e investir em segurança cibernética para proteger os negócios. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O especialista fez uma palestra com o tema Cibersegurança nos Terminais Portuários. A iniciativa foi do Comitê de Segurança da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) e houve tranmissão ao vivo pela internet nesta quarta (17), à tarde. Segundo Carlos Albuquerque, a cibersegurança envolve, além da proteção de dados, os sistemas digitais de controle operacional e de segurança da navegação. O especialista alertou que as ameaças cibernéticas são uma realidade e que os atores do setor portuário precisam obter mais conhecimento sobre o tema. “O risco cibernético não é um risco de TI (Tecnologia da Informação), é um risco de negócios. Muita gente confunde isso. O transporte marítimo é responsável por 90% da carga em todo o mundo. Os terminais são plataformas de exportação. Então, a segurança cibernética é fundamental para contribuir para a continuidade do negócio”. Ataques Albuquerque destacou que os terminais portuários devem se atualizar e implementar as medidas necessárias para a proteção de suas estruturas. E explicou que os alvos dos ataques podem ser sistemas de tecnologia operacional e a conexão com uma gama de equipamentos, como, por exemplo, guindastes, terminais, sistemas de portões, sistemas de combustíveis, câmeras etc. Avanços Contudo, Albuquerque salientou que o Brasil tem avançado no entendimento da importância da segurança no setor portuário, o que abrange dados e informações estratégicas. Hoje, no País, há 53 terminais portuários em conformidade com a Resolução 53/2020 da Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos), que trata de Gestão de Riscos, Segurança Cibernética e Atos Ilícitos nos terminais. “A norma permite que um porto nacional seja espelho de um internacional em conformidade, criando uma cadeia de suprimentos segura”, explicou. Porém, o especialista enfatizou que ainda há muito a se avançar sobre o assunto em todo o mundo. Desigualdade é desafio no setor Segundo a International Association of Ports and Harbors (IAHP, Associação Internacional de Portos,), entre os principais desafios de segurança cibernética estão falta de abordagem holística e colaborativa, ausência de uma linguagem comum e desigualdade entre os portos, com alguns dotados de sistemas muito inteligentes, enquanto outros dependem mais das interações pessoais e de transações em papel. “Na Noruega, já existem centros integrados que discutem segurança cibernética no setor portuário, como se fossem um grande centro de comando e controle e monitoramento”, exemplificou o especialista em Inteligência, Cibersegurança e Proteção de Dados Carlos Albuquerque. Um retrato, porém, ainda distante da maioria dos países, inclusive do Brasil. “Apesar de a primeira resolução da International Maritime Organization (IMO) ser de 2016 e estarmos em 2024, ainda encontramos uma necessidade muito grande em conscientizar sobre ameaças e vulnerabilidades”. O especialista diz que é necessário implementar sistemas de proteção e segregação de redes atualizados. “O crime evoluiu, as ameaças evoluíram. Então, a gente não pode ter a mesma segurança cibernética de dez anos atrás”. Para o diretor-presidente da ATP, Murillo Barbosa, a palestra trouxe elementos importantes aos terminais. “Vivemos um momento desafiador em relação às ameaças cibernéticas em todo o mundo. E no setor portuário não é diferente. O Albuquerque trouxe exemplos internacionais, como um ataque de hackers iranianos ao Porto de Londres, mas também citou que tentativas de invasão a sistemas portuários são identificadas diariamente aqui no Brasil. Ou seja, não é algo distante da nossa realidade”, comentou. Contribuição O diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa, destacou que o especialista trouxe exemplos internacionais, como um ataque de hackers iranianos ao Porto de Londres, mas também citou que tentativas de invasão a sistemas portuários são identificadas diariamente aqui no Brasil. “Foi uma palestra enriquecedora para os associados e outros atores do setor, que contribuirá para uma análise mais profunda, por parte de cada empresa, de medidas que devem ser adotadas para a condução segura dos seus negócios”.