Profissionais têm a responsabilidade de auxiliar nas manobras de entrada e saída de navios dos portos (Vanessa Rodrigues/AT) A distância entre Montreal, no Canadá, e a cidade de Santos, é de 10,7 mil quilômetros. De voo, são mais de 10 horas a bordo. Porém, as duas cidades, esta semana, estão ligadas pelo mar. O elo entre elas está em navios, e os condutores, os práticos do Porto de Santos, que recebem, até domingo, uma comitiva do Canadá para conhecer de perto a operação da Praticagem de São Paulo, especialmente quanto a navios de grande porte. O objetivo dos três profissionais que vieram é levar a expertise para o porto da América do Norte. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Escolhemos Santos por ter um volume muito alto de tráfego, é um dos portos mais movimentados da América Latina, com manobras muito difíceis. E sabíamos que o profissionalismo dos práticos daqui seria muito importante para entendermos como funcionam esses tipos de navios, como os porta-contêineres. Foi uma escolha fácil”, explica o diretor-executivo do Centro Nacional de Especialização em Praticagem Marítima do Canadá e prático ativo do Rio São Lourenço, entre Trois-Rivières e Montreal, capitão Alain Arseneault. Ele explica que, no momento, o tamanho máximo de um navio recebido pelo Porto de Montreal é de 300 metros de comprimento por 44 metros de largura. Agora, visa categorias de navios de contêineres de 49 metros de largura. “Eles vieram aqui para visualizar pessoalmente, embarcando nos navios da categoria que pretendem levar para o Rio São Lourenço. Estão fazendo, junto com os diversos práticos, várias manobras de entrada e de saída, especificamente desses grandes navios, principalmente da MSC e da Maersk”, reforça o presidente da Praticagem de São Paulo, Fábio Mello Fontes. Dois práticos Arseneault conta que o trabalho de praticagem no Porto de Montreal é desempenhado por apenas dois profissionais, especialmente no inverno. Nas outras estações do ano, depende do tipo de navio recebido. “É uma praticagem diferente. Lá, praticam no rio. Quando eu faço uma manobra aqui de duas horas, a deles é de cinco a sete horas de duração”, exemplifica Fontes. O diretor-executivo do Centro Nacional de Especialização em Praticagem Marítima do Canadá se mostrou impressionado com a qualidade do trabalho desenvolvido no Porto de Santos pela Praticagem de São Paulo. Ele lembra que outros portos, como Antuérpia, na Bélgica, também foram visitados. “Os pilotos do Santos trabalham muito durante 24 horas, estão sempre prontos para servir. O que me impressionou é que são muito bons gestores de navios, da velocidade, da maneira como o navio se movimenta. Têm uma compreensão muito profunda de como a dinâmica de estabilidade e manobrabilidade de um navio. E a parte de comunicação também é muito boa. É como uma grande coreografia, tudo bem planejado”, reforça. Fábio Mello Fontes (de boné) recebeu o canadense Alain Arseneault (Vanessa Rodrigues/AT) No exterior, santistas se destacam com o trabalho no mar O diretor-executivo do Centro Nacional de Especialização em Praticagem Marítima do Canadá. Alain Arseneault, e o presidente da Praticagem de São Paulo, Fábio Fontes, navegaram juntos de lancha na manhã de ontem. Há um respeito mútuo entre eles. “O capitão Fontes é uma lenda viva na comunidade de pilotagem ao redor do mundo. E para mim, ter a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente e vê-lo no trabalho, é uma grande felicidade”, diz o canadense. O brasileiro age com reciprocidade. “Estamos muito orgulhosos disso, porque mostra que somos importantes para eles. Temos conversado muito, trocando experiências e informações. Quando eu for ao Canadá, irei visitá-lo”, promete Fontes. Porto e a cidade Arseneault conta que ainda não pôde conhecer a Cidade em detalhes, mas que pretende visitar alguns lugares, como o Museu Pelé. Chamou a atenção a grandiosidade do cais santista e a forma como está inserido no cotidiano da Cidade. “O Porto de Santos tem uma operação muito extensa. É possível ver que o porto está no coração da cidade. É um lugar muito bom, muito vivo”.