Os operadores logísticos ainda apostam muito no transporte rodoviário, que representa 60% da matriz atualmente, em detrimento de outros modais, conforme apurou a pesquisa (Vanessa Rodrigues/AT) Para 91% das empresas que operam e transportam cargas no Brasil, o investimento em rodovias é o mais importante hoje no País, enquanto 89% apontam a redução da carga tributária como prioridade. O setor arrecadou R\$ 192 bilhões em receita bruta em 2023, o equivalente a quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB), e gerou R\$ 43 bilhões em tributos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Os números fazem parte do Perfil dos Operadores Logísticos 2024. O estudo, divulgado nesta terça (17), foi feito pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) para a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol). O mapeamento foi feito junto a 127 operadores logísticos que representam 40% do faturamento do setor, segundo a Abol. Para a associação, é uma amostragem válida num universo estimado em 1,3 mil empresas, de pequeno, médio e grande portes, que atuam entre as cinco regiões brasileiras: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A pesquisa é realizada a cada dois anos. “Comparando com a última pesquisa, a gente observa que os operadores logísticos ainda apostam muito no transporte rodoviário, (60% da matriz de transportes), seja fechado ou fracionado, em detrimento de outros modais, ainda que o apetite pela intermodalidade seja grande e desejável”, afirma a diretora-executiva da Abol, Marcella Cunha. Ela observa ainda que a cabotagem (transporte marítimo entre portos dentro do País) apresenta um avanço, embora ainda muito incipiente nessa cadeia produtiva. O estudo aponta que, no ano passado, os operadores logísticos responderam por cerca de 17% dos custos de transporte e armazenagem do Brasil (que somam R\$ 1,1 trilhão), sendo que 76% perceberam aumento de faturamento. A alta da margem, no entanto, não foi tão fortemente percebida devido ao crescimento dos custos e da pesada carga tributária. Apenas 25% dos operadores repassaram integralmente o aumento de custos para os preços cobrados dos clientes. Investimento Marcella Cunha avalia como positivo o aumento de investimentos realizados por 68% dos operadores logísticos, em 2023, em comparação ao volume injetado em 2022, conforme o levantamento. Os aportes foram aplicados principalmente em softwares (83%), seguido de obras de infraestrutura (78%) e aquisição de novas máquinas ou equipamentos (69%). O setor empregou cerca de 2,3 milhões de pessoas direta e indiretamente no País em 2023, sendo a maioria contratada com carteira assinada, segundo a pesquisa. Abrangência No Brasil, 47% das empresas operam nas cinco regiões brasileiras ao mesmo tempo e 40% têm participação internacional. Em 2022, 37% estavam presentes em todas as regiões brasileiras. Os operadores de maior porte estão presentes em 81% de todas as regiões. Em 2024, os operadores atuam em mais de 20 setores diferentes. Cada um possui, em média, clientes de nove indústrias distintas. No topo da lista está o setor de bebidas, com 72%, alta de 14% em comparação a 2022. Em seguida, aparece o setor automotivo e de autopeças, com 70% e expansão de 13% nos últimos dois anos. Na terceira posição estão os cosméticos, com 66% e elevação de 2%. Portos Santos está entre os cinco portos brasileiros apontados como os que mais carecem de melhorias em infraestrutura de acesso, segundo os operadores logísticos pesquisados. Os demais são Paranaguá (PR), Navegantes (SC), Itajaí (SC) e Itapoá (SC). Setor pretende reduzir emissões O setor busca fontes de combustível limpas, dentro da premissa ESG, diz o levantamento; do total, 39% preferem eletricidade para veículos (Carlos Nogueira/Arquivo AT) Em média, operadores logísticos pretendem reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 37% em até oito anos, segundo a pesquisa divulgada pela Abol. Diante de um cenário no qual 13% das emissões são feitas pelo setor de transporte, 94% dos operadores já contam com um departamento voltado à sustentabilidade. A sondagem demonstra que 39% das empresas têm metas e objetivos claros, com orçamento definido. Outros 23% já têm um setor com indicadores, mas sem definição orçamentária. Para cumprir os objetivos, há iniciativas como a redução da idade média da frota (55%), otimização da malha logística (47%) e a roteirização (47%). Entre as medidas já adotadas estão o uso de veículos elétricos e utilização de energia renovável, com 41% e 53% das empresas apostando nessas soluções, respectivamente. Combustível O setor também busca fontes de combustível limpas, dentro da premissa ESG (Ambiental, Social e Governança, da sigla em inglês). Entre os participantes da pesquisa, 39% preferem eletricidade para veículos. Outras fontes em uso são o etanol (33%) e o GNV (26%). Ambos possuem baixos níveis de emissão de carbono e maior quantidade de pontos de abastecimento espalhados pelo país. Há ainda o biogás, diesel verde, gás natural liquefeito e hidrogênio verde, usados por menos de 10% dos operadores, porém com grande potencial para se desenvolverem no médio e longo prazos. A maior parte dos operadores logísticos (63%) afirmou que absorve totalmente os custos para redução das emissões, sem qualquer tipo de repasse para o preço final de seus serviços. “A Abol tem participado ativamente desse processo por meio do grupo ESG, que há quase três anos desenvolve ações e projetos que contribuem na jornada de descarbonização de cada associada. Conseguimos que todas se nivelassem a partir da construção da sua matriz de materialidade e inventário de emissões”, diz a presidente, Marcella Cunha. “Também acompanhamos de perto a regulamentação do Mercado de Carbono brasileiro, em tramitação no Congresso Nacional, assim como o PL (projeto de lei) dos Combustíveis do Futuro, que incentiva o desenvolvimento de tecnologias e alternativas menos poluentes”, relata.