[[legacy_image_358432]] A Autoridade Portuária de Santos (APS) disse nesta terça-feira (21), em nota, que “não há qualquer conclusão” sobre possíveis reparações, como indenizações, a trabalhadores portuários perseguidos e torturados com aval da administração portuária durante a ditadura militar. A manifestação ocorreu após o presidente da APS, Anderson Pomini, participar de reunião sobre o tema no Ministério Público Federal (MPF). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O MPF pede reparação aos portuários pelos danos causados por uma “intensa colaboração” da administração do Porto de Santos com a repressão da ditadura militar. Um inquérito do MPF, baseado em milhares de documentos e diversos depoimentos, demonstra que, entre 1964 a 1985, gestora portuária manteve vínculo estreito com os órgãos do regime militar, coordenando a perseguição a trabalhadores e coibindo atividades sindicais. Diante das constatações, o Ministério Público pretende que APS assuma o compromisso de reparar os prejuízos ocasionados tanto às vítimas dessas perseguições quanto à sociedade. A situação teria começado em 1964 com a Companhia Docas de Santos (CDS), entidade privada, e continuou quando a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) assumiu, em 1980. Ao assumir o comando do porto, a Codesp herdou e deu prosseguimento a um sistema repressivo interno criado por sua antecessora, explicou o MPF. As investigações revelam que a CDS arquitetou uma estrutura de policiamento interior no Porto de Santos para monitorar todas as movimentações dos empregados. As ações, inicialmente preventivas, ganharam contornos de repressão principalmente a partir de 1966, quando foi criado o Departamento de Vigilância Interna (DVI).