Este ano, o evento propõe que os modelos de negócios sejam repensados, com reconfiguração de rotas comerciais e redução de emissões de gases de efeito estufa (Maxwell Rodrigues/Grupo Tribuna) Representantes da cadeia global de contêineres discutem avanços e desafios no TOC Américas 2024, que acontece até quinta-feira (3) na Cidade do Panamá, no Panamá. Este ano, o evento, que ocorre no Centro de Convenções do Panamá, propõe que os modelos de negócios sejam repensados, com reconfiguração de rotas comerciais e redução de emissões de gases de efeito estufa. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! Temas como inteligência de negócios, digitalização e sustentabilidade são debatidos em diversos painéis e palestras. Em paralelo, ocorre a conferência Tech TOC, que oferece sessões focadas em tecnologia e uma feira onde os participantes têm a oportunidade de conhecer as últimas inovações do setor. O Grupo Tribuna é representado no encontro pelo consultor para assuntos portuários Maxwell Rodrigues. O diretor regional da América do Sul da Portwise, Guilherme Soares de Sá Peixoto, afirmou que o evento cria oportunidade de intercâmbio não somente entre as empresas, sob o ponto de vista tecnológico, mas também para avaliar as oportunidades de negócios. Sobre um dos principais temas do encontro, a evolução da automatização, Peixoto explicou que seu “desenvolvimento na Europa ou na Ásia é diferente do cenário que observamos nos EUA”. Em terras americanas, trabalhadores portuários deflagraram uma greve nas costas Leste e do Golfo. Eles protestam contra a automação nos terminais (leia mais na reportagem abaixo). “O avanço vem sendo implementado há bastante tempo por lá e é inevitável. Independentemente de serem criados novos empregos e transformarmos o skills (habilidades) do profissional portuário, a busca por otimização e melhoria de desempenho e resultado é algo que continuará, já não se discute mais isso”, afirmou o executivo da Portwise. Já o vice-presidente adjunto da América Latina e Caribe da HPC Hamburg Port Consulting GmbH, Marcelo Garcia D’Antona, falou sobre o modelo de negócio ser repensado. “O que se ouviu aqui é o quanto as mudanças impactam os negócios, tão rapidamente. É importante que o setor portuário crie a resiliência necessária para assegurar que os clientes continuem sendo atendidos nas suas necessidades”. Por sua vez, Maxwell observou a ausência de autoridades públicas no TOC Américas e viu D’Antona concordar com ele. “Os clientes que usam os portos do Brasil têm operações globais e, por isso, as autoridades portuárias deveriam estar aqui. As cadeias de produção, abastecimento e distribuição começam na China e acabam no Brasil. Mudanças na China, com certeza, vão afetar o Brasil. O TOC Américas é de extrema importância e merecia um acompanhamento próximo dos representantes do setor”. Novo sistema O diretor comercial da Certus Port Automation, Dave Walraven, disse que a empresa está desenvolvendo um sistema de detecção de dano em contêineres, capaz de apontar imperfeições a partir de um banco de dados. “Baseado nos exemplos, treinamos o modelo para se obter os resultados. Desenvolvemos sistemas juntamente com clientes para que eles compartilhem os dados conosco”. Walraven comentou ainda que a inteligência artificial melhorou a tecnologia OCR (optical character recognition), desenvolvida para reconhecer texto dentro de imagens, como fotos e documentos digitalizados. “A IA fez uma grande mudança no desenvolvimento dos sistemas. Com ela, o reconhecimento do sistema é muito mais rápido”. Por fim, Walraven orientou que empresas que buscam otimizar suas operações contratem companhias com experiência global. “Não é só executar o projeto, desenvolver hardware, software e serviços juntos, mas também oferecer manutenção e suporte para upgrades futuros e extensões”.