Viveiro produz 16 milhões de mudas de eucalipto por ano (Alexsander Ferraz/AT) A líder de operações florestais Marinez Rodrigues Dias, de 37 anos, participa de uma das etapas mais importantes do ciclo da celulose: ela trabalha no viveiro de mudas da Eldorado Brasil, em Andradina (SP). Ali estão 600 mil matrizes, que são mudas de várias espécies diferentes de eucalipto. Cuidadas e alimentadas como ‘bebês’, elas dão origem a milhares de outras, totalizando 16 milhões por ano, que vão ajudar a povoar os 285 mil hectares (quase 400 mil campos de futebol) de florestas mantidas pela empresa no Brasil. Marinez está há 11 anos na empresa, onde entrou como ajudante, mas é no coração do viveiro de mudas, onde lidera a equipe do chamado ‘jardim clonal’, que ela se sente especial por participar de um processo que resulta em um dos produtos mais usados no mundo e exportado para vários países. “É gratificante, porque aqui é o início de tudo. Depois de 90 dias, as mudas vão para o campo, onde são plantadas nas florestas. Em sete anos, essas árvores serão colhidas para extração da celulose. Saber que nosso trabalho inicia todo esse ciclo é incrível”. Para a líder de operações florestais, o bom resultado com plantas vai muito além da técnica apurada. “Tem que trabalhar com amor e disponibilidade. Tratamos como se fosse nosso. Sou muito grata por tudo isso”. Marinez trabalha em uma das mais importantes etapas do ciclo da celulose, no viveiro de mudas, em Andradina (Alexsander Ferraz/AT) Cada detalhe A seleção e cuidado com as mudas no viveiro é essencial para que as árvores colhidas após sete anos, com aproximadamente 25 metros, estejam adequadas à fabricação da celulose. Por isso, há análise em cada etapa para verificação de pragas, doenças e nutrição das plantas. Se algo estiver fora do padrão, a equipe de tecnologia é chamada para adotar medidas de correção. O viveiro florestal da Eldorado Brasil Celulose fica em uma área de 160 mil metros quadrados. A capacidade de expedição de aproximadamente 16 milhões de mudas por ano corresponde a 44% da demanda total de mudas da empresa. O restante é adquirido de viveiros comerciais. O processo de produção no viveiro envolve diversas etapas, desde o jardim clonal, onde galhos são retirados das matrizes para a produção de novas mudas, até a expedição final. Entre essas etapas estão o estaqueamento, a casa de vegetação, a casa de sombra, o crescimento, a rustificação e o preparo para o envio ao campo. O objetivo é garantir que as mudas estejam em condições ideais para o plantio nas florestas. Além da produção de mudas, a Eldorado Brasil realiza estudos sobre os possíveis impactos das mudanças climáticas, com simulações que se estendem até o ano de 2050. A partir desses cenários, são realizadas pesquisas para desenvolver clones e manejos florestais adaptados às condições projetadas. Essas iniciativas buscam assegurar a continuidade da produção diante de variabilidades climáticas que possam impactar o setor florestal. A estratégia de produção própria combinada com a aquisição de mudas no mercado permite à empresa atender às suas necessidades enquanto mantém o padrão genético e a qualidade exigidos no plantio. Valeriano trabalha com as matrizes, que irão gerar novas mudas, plantadas em areia, para controlar a adubação (Alexsander Ferraz/AT) Plantação em areia No viveiro de mudas da Eldorado Brasil Celulose, em Andradina (SP), as matrizes fixas que vão gerar novas mudas são plantadas em areia. Essa escolha permite um controle preciso da adubação, já que o excesso do produto pode ser facilmente lavado e eliminado. O sistema de irrigação é feito com tubos gotejadores que fornecem uma solução nutritiva diretamente às plantas. Além disso, há um sistema de cobertura para evitar que a água da chuva leve os nutrientes das plantas. “Quando chove, precisamos cobrir as áreas de plantio, porque a chuva pode lavar o adubo da areia. Isso nos faria perder o controle sobre os nutrientes fornecidos às plantas, prejudicando o desenvolvimento delas”, explica o supervisor de viveiro Valeriano Cancela da Conceição, que coordena o local. Valeriano, de 62 anos, tem mais de quatro décadas de experiência na área. Ele explica que o ciclo produtivo começa com os clones selecionados no Eldtech, o centro de tecnologia da empresa. “Esses clones são escolhidos com base em características específicas. Por exemplo, há clones que toleram melhor a seca e outros que são mais adequados para solos úmidos. Isso é essencial para atender às necessidades de cada região onde nossas florestas estão localizadas”, destaca. Segundo Valeriano, essas matrizes podem permanecer produtivas por cerca de quatro anos. Durante o ciclo de vida das matrizes, galhos são retirados constantemente para a produção de novas mudas, até 12 galhos por mês de cada uma. “Essa retirada enfraquece a planta ao longo do tempo, e, por isso, temos que renovar as matrizes periodicamente, a cada quatro anos. Antes de replantar, limpamos a areia e preparamos tudo novamente, garantindo que o ambiente esteja adequado para as novas plantas”, completa.