[[legacy_image_348316]] Se o universo logístico-portuário tem predominância masculina, há espaços onde essa situação é inversa. Características como assertividade, cuidado e organização ajudam a reforçar a importância de contar com um número cada vez maior de colaboradoras. A Tribuna visitou uma empresa de logística, em Santos, que tem mais de 60% de funcionários do sexo feminino. “Foi a prática que nos deu essa certeza (de que seria um bom caminho). Aconteceu tudo muito naturalmente. A gente foi identificando esse perfil feminino, que funcionou muito bem, desde os cargos iniciais, como os de estagiárias. Várias que começaram nessa função hoje são gerentes comerciais, por exemplo. Temos identificado um perfil muito analítico, mais centrado e que cabe muito bem”, afirma o diretor comercial da Process Log & Comex, Lucio Lage Rodrigues. OrganziadasSegundo ele, a capacidade de organização, além de saber lidar com pressão, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, em várias demandas, são atributos comuns às mulheres que representam 64% do corpo de funcionários (ao todo, são 25 mulheres, de um total de 42 colaboradores). “No nosso setor logístico, lidamos com clientes de diferentes países, tudo ao mesmo tempo, e elas conseguem conectar bem todas essas demandas, fazendo o processo da melhor maneira”, acrescenta Rodrigues. AscensãoA empresa, que começou a funcionar em 2018, tem mulheres em cargos de liderança, em um processo que transcorreu com naturalidade. É o caso da analista plena de importação Bianca dos Santos Figueiredo, de 23 anos. Apesar de jovem, soma três anos de empresa, onde ingressou como estagiária e hoje chefia equipes em duas funções: desembaraço aduaneiro e importação. Uma das vantagens de fazer parte do quadro majoritariamente feminino é ser ouvida com total atenção. “Aqui não tem isso, de ser por gênero. É por conhecimento. Estou há mais tempo na empresa e, na verdade, são eles que vêm me perguntar como funciona, como fazer tal coisa... Dou bastante treinamento para o pessoal sobre a minha função. Isso é bem legal”, explica. Bianca, que é formada em Comércio Exterior na Fatec de Praia Grande, admite que já houve momentos em que precisou “falar mais alto” para ser ouvida fora dali. “Há alguns clientes que, às vezes, não nos ouvem. Daí precisa um homem falar que o que eu estava falando era verdade. Mas não é comum, nunca fui desrespeitada”, pondera. Troca de experiênciasEnquanto isso, em uma mesa próxima da de Bianca, a analista júnior de embarque Nathany Cantanhede Barbosa, de 21 anos, que está há apenas dois meses na empresa, vê o ambiente com predominância feminina como algo positivo. “Eu já trabalhava numa empresa do mesmo ramo de logística, e aí apareceu essa oportunidade de vir para cá. Onde eu trabalhava, a maioria na parte de logística era de homens. Aqui, a realidade é outra. Foi uma surpresa boa, que acaba inspirando a gente”, descreve. A jovem trabalha em contato com fornecedores, até o momento em que o contêiner entrar no navio. O espaço permite aprendizado sobre as diversas tarefas e também reforça os laços entre as colaboradoras para além da logística. “É muito legal porque, além do trabalho, temos aquelas conversas do dia a dia, da nossa vida pessoal. Essa troca com mulheres que são mais experientes ou ocupam cargos onde, normalmente, você só vê homens é algo que inspira. Ver onde elas chegaram mostra que posso chegar lá também”, explica Nathany. Ela conta que até mesmo na faculdade, onde estuda Gestão Portuária, a assertividade feminina e o olhar cuidadoso fazem diferença. “Nossos professores falam: quando formamos um grupo, entregamos um trabalho melhor que os meninos. Tem um olhar diferente”, lembra. ConselhoBianca e Nathany dividem um mesmo pensamento: as portas estão se abrindo, cada vez mais, para mulheres no setor. Por isso, vale a pena o investimento na carreira - e redobrar a aposta no olhar feminino. “O Comércio Exterior é um ramo muito grande. Sugiro que (as mulheres) entrem, se especializem, lutem por um emprego que, com certeza, vão conseguir ocupar o seu espaço”, diz Bianca. “Embora ainda aconteça em alguns lugares, o gênero não deveria ser critério, mas sim o conhecimento, a entrega”, emenda Nathany.