Presidente do Sindicam, Luciano de Carvalho, afirma que já houve alta de até R\$ 0,80 por litro: “preocupados que isso apenas seja o início” (Alexsander Ferraz/AT) O aumento no preço do diesel e a possibilidade de alta constante e até falta do produto na Baixada Santista, em razão do conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, estão entre as principais preocupações dos caminhoneiros, das empresas transportadoras de carga da região e do comércio de combustíveis. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Sindicombustíveis Resan), José Camargo Hernandes, afirma que, apesar de a entidade “não exercer nenhum tipo de controle sobre os preços de bomba dos postos revendedores”, os aumentos das distribuidoras já devem ter sido repassados nos últimos dias. “Não temos como informar o percentual exato. O que podemos afirmar é que, na média do dia 3 até o dia 7 de março, o custo óleo diesel subiu R\$ 0,43 e a gasolina entre R\$ 0,02 e R\$ 0,05 nas distribuidoras”, calcula Hernandes. A ausência do diesel para venda é um dos receios. “Nosso temor é que possam vir a ocorrer desabastecimentos pontuais”, exemplifica Hernandes. “Se o conflito continuar, poderemos sofrer com reflexos econômicos como aumentos da inflação e prejuízos maiores, tanto para os consumidores, quanto para os revendedores e demais agentes econômicos”, completa. Preocupações Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista (Sindisan) informou que as transportadoras já começaram a relatar aflições e possíveis reflexos desse cenário. “Somente nesta semana, duas empresas associadas procuraram a entidade. Uma delas informou que identificou, de uma semana para cá, aumento próximo de 20% no valor do diesel, enquanto outra relatou que na semana passada pagava R\$ 5,40 por litro e agora já encontrou valores em torno de R\$ 7,44”, diz o Sindisan, em nota. O sindicato iniciou contato com outras entidades do setor para acompanhar a situação. A principal preocupação do Sindisan é que, segundo a entidade, o diesel representa um dos maiores custos operacionais do transporte rodoviário de cargas, podendo superar um terço de toda a estrutura de custos das empresas. “Quando há aumento no combustível, o impacto é imediato na logística, no planejamento das operações e no valor do frete. Esse efeito não fica restrito às transportadoras. O transporte é um elo essencial da cadeia produtiva e, quando o custo do frete aumenta, isso pode refletir também nos preços de produtos, nos prazos de entrega e na organização da logística de abastecimento”, detalha. O Sindisan defende que haja diálogo e transparência entre transportadores, embarcadores e demais agentes da cadeia logística. “O frete precisa refletir os custos reais da operação para que o transporte continue viável. Quando há negociação equilibrada e mecanismos de reajuste que acompanhem variações como a do combustível, é possível distribuir esse impacto ao longo da cadeia e evitar que apenas um dos lados absorva todo o aumento”. Autônomos O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Luciano de Carvalho, afirma que já houve alta de até R\$ 0,80 por litro. “Estamos preocupados que isso apenas seja o início. Isso nos causa grande instabilidade, é muito ruim e prejudica a todos os caminhoneiros”, explica. Carvalho teme que as grandes transportadoras não queiram repassar o reajuste do combustível para os clientes e descontem do frete do caminhoneiro. “Isso ficaria inviável. O pessoal vai querer cruzar os braços, chamar manifestação, paralisação ou greve. Estamos monitorando porque isso pode ocorrer a qualquer momento. A gente não vai admitir que esse aumento do combustível seja descontado do frete do caminhoneiro”, afirma.</CW> Parado O mercado de diesel importado no Brasil, responsável por cerca de 30% do mercado interno, está paralisado, uma vez que o preço a ser vendido no País ficaria inviável, de acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo.