[[legacy_image_282323]] O transporte rodoviário de cargas está na linha de frente da movimentação de mercadorias no Brasil, seja com destino aos portos, para exportação e importação, ou aos mercados, para o consumidor final. E o diesel, que compõe em média 35% do preço do frete, acaba por balizar a economia nacional. A boa notícia é que o preço do litro do combustível está em queda há quase meio ano nos balanços divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). De acordo com a agência, o diesel registra quedas há 23 semanas. Na última parcial, foi de R\$ 4,95 para R\$ 4,94 o litro, um recuo de 0,2% frente à semana anterior. O valor mais caro encontrado pela agência na semana foi de R\$ 7,19 e o mais barato, de R\$ 4,09. Em Santos, o preço médio do litro do diesel verificado na última semana foi de R\$ 5,06. Os dados da pesquisa são referentes ao período entre 9 e 15 de julho. O diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC), João Ataliba de Arruda Botelho Neto, afirma que o combustível pode representar de 35% a 50% do custo na composição do frete cobrado para o transporte desde a coleta do produto até a entrega - parte disso, no Brasil, passa pelo Porto de Santos. A variação ocorre devido a fatores como a distância a ser percorrida e a carga a ser transportada. "É que alguns tipos de cargas têm um valor agregado alto. No caso do trecho percorrido, tem muita gente que vem dos rincões de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, e passa por estradas que ainda não são pavimentadas, e tudo isso é computado. Em uma estrada pavimentada, boa, o gasto é menor”, diz Ataliba. Ele aponta ainda que outras contas se somam ao preço do frete, como o alto custo dos pedágios e da manutenção dos veículos. "Além disso, os preços de peças também subiram muito. Essas são as principais reclamações que eu ouço de empresários associados, donos de grandes transportadoras”. Redução importanteDoutor em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa, o economista e empresário Igor Lucena analisa que a redução no preço do diesel tem sido muito importante na composição dos preços de transportes e fretes. "A gente tem assistido a uma queda nos preços do barril de petróleo ao longo dos últimos meses, e, como grande parte do nosso diesel é importado, a Petrobras está repassando parte desses valores ao consumidor. E tem, ainda, a desoneração de impostos, que foi mantida para o diesel”. Lucena explica que “as quedas do diesel têm sido subsequentes e a tendência é de um barateamento ainda maior. E um outro efeito duplamente positivo é o fato de estarmos tendo uma queda no preço do dólar, abaixo de R\$ 5. Isso se reflete no preço de importação dos barris e, no final, isso acaba sendo repassado”. Contudo, Lucena faz uma ressalva quanto ao encarecimento do custo do transporte em razão do estado precário de grande parte das rodovias do País. “Não há dúvida de que o nível de conservação das estradas estaduais e municipais Brasil afora, com algumas exceções, como parte de São Paulo e Minas Gerais, é algo negativo, pois aumenta os custos de manutenção drasticamente, em uma ineficiência do setor de transportes”. CompetitividadeO advogado e mestre em Direito Marítimo e especialista em Logística, Comércio Internacional e Agronegócio, Larry Carvalho, observa que o diesel é o principal fato de composição do custo logístico e a redução do preço do combustível representa menores custos para toda a cadeia produtiva, com ganhos para o Brasil. "Menor custo representa maior competitividade do produto brasileiro no exterior”. Por fim, o especialista em Comércio Exterior e diretor da AGL Cargo, Jackson Campos, comenta que o diesel representa em torno de 35% do custo do frete rodoviário, "mas é claro que esse custo vai depender da eficiência de cada veículo e se ele usa ou não biodiesel, que é um pouco menos eficiente, porém mais sustentável. O impacto é grande, pois incide diretamente nos preços do que é transportado, seja um produto acabado ou uma matéria-prima”.