Trabalhadores portuários paralisaram ontem 36 portos nos Estados Unidos. As instalações, situadas entre o Maine e o Texas, movimentam 57% dos contêineres do país — em torno de US\$ 3 trilhões por ano (Matt Slocum/Associated Press/Estadão Conteúdo) Trabalhadores portuários paralisaram nesta terça-feira (2), 36 portos nos Estados Unidos. As instalações, situadas entre o Maine e o Texas, movimentam 57% dos contêineres do país — em torno de US\$ 3 trilhões por ano. É a maior greve da categoria nos EUA desde a década de 1970. Especialistas ouvidos por A Tribuna afirmam que o comércio exterior brasileiro pode ser afetado no longo prazo. Contudo, para os próximos dias e semanas, não são esperados prejuízos ao Porto de Santos provocados pelo movimento grevista. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! Nos primeiros seis meses do ano, o Brasil exportou US\$ 19,2 bilhões para os Estados Unidos, um recorde e 12% maior que o de igual período de 2023. Já nas importações, houve ligeira queda, de 1%, o que corresponde a US\$ 194 milhões. O especialista em Comércio Exterior e diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo, Jackson Campos, explicou que os EUA são a maior economia do mundo, comprando e vendendo para todo o globo. “Todos os produtos importados e exportados do Brasil serão afetados, mesmo os que não são oriundos dos EUA, já que navios devem atrasar e contêineres ficarão parados. O Brasil exporta madeira e commodities para lá e importa muitas peças de veículos e medicamentos”. Campos disse que atrasos podem gerar custos extras, de armazenagem e demurrage, além de falta de produtos no mercado interno. Por outro lado, ele descarta uma alta do diesel e entende que o Porto de Santos não deve ser afetado “no curto prazo”. A professora de Comércio Exterior, Logística, Gestão Portuária e Relações Internacionais da Esamc, Gisele Souza, avalia que “a interrupção do fluxo de produtos, desde alimentos até automóveis, causará atrasos nas entregas e escassez em diversos mercados, mas o impacto não será imediato, pois o caos logístico será determinado pelo número de navios e pelo tempo que ficarão parados nos portos”. Gisele destacou que os produtos importados dos EUA devem encarecer. Além disso, os atrasos no envio dos itens nacionais pode provocar perdas de negócios às empresas brasileiras. A especialista teme “escassez de contêineres nos portos americanos, o que dificultará o transporte de produtos brasileiros aos EUA, podendo gerar congestionamentos nos portos daqui. Entendo ser o maior problema, pois retornaremos ao caos logístico da pandemia, quando não havia contêineres vazios para exportação presos nos navios parados no porto”. Para Gisele, o Porto de Santos pode se tornar um destino alternativo, mas faz um alerta. “O aumento da demanda por serviços portuários pode sobrecarregar a infraestrutura e os recursos do porto, gerando atrasos nas operações e aumento de custos aos usuários. (...) A escassez de contêineres nos portos americanos pode gerar maior demanda em Santos, elevando os custos de locação. A escassez de contêineres levará a uma concorrência desleal de fretes pelos operadores logísticos, tal qual ocorreu na pandemia”.