[[legacy_image_340347]] As empresas do setor logístico brasileiro ampliaram o olhar para as melhores práticas ambientais, sociais e de governança nos últimos anos. Há busca por soluções, principalmente, para diminuir danos ambientais com combustíveis, além do incentivo à diversidade, equidade e inclusão dentro das companhias. O foco em ESG (ambiental, social e governança, da sigla em inglês), porém, não significa que as soluções caminham rápido. Há dificuldades tecnológicas e estruturais para implementar. Essas são as conclusões do painel ESG na Logística: Estágio Atual, Desafios e Oportunidades, que fez parte da programação da Intermodal, na noite de ontem, em São Paulo. Participaram Araceli Silveira, vice-presidente de Experiência de Público e Sustentabilidade da Informa Markets; Danillo Matos Marcondes, diretor de Infraestrutura e Investimentos da GLP Capital Partners; Pedro Moreira, presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog); Marcelo Lopes, diretor-executivo de Suprimentos do Carrefour; e Bruno Batista, diretor-executivo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). “Na AbraLog a gente criou esse conselho estratégico (de ESG) no ano passado. Nossa ideia é criar um movimento que conduza o setor nas boas práticas ESG. Nós entendemos que governança é o tema central, sem ela você não consegue avançar nas outras duas”, diz Pedro Moreira. Araceli Silveira, cuja empresa organiza feiras em todo o mundo (inclusive a Intermodal) afirma que a companhia tem um programa global de sustentabilidade, com governança clara e metas em três pilares. “Nós lançamos esse programa aqui no Brasil há dois anos. Então a nossa governança digamos assim, está desenhada porque é o que precisamos fazer e em que prazo. A governança é o pescoço, o que direciona tudo”. Ela diz, porém, que só regras não funcionam. É preciso “coração”. “Sem as pessoas engajadas querendo fazer diferença todos os dias na empresa, não resolve. Nós trabalhamos no engajamento do nosso pessoal. No final, é sobre isso”. Danillo Matos Marcondes explica que uma governança estruturada incentiva outras empresas relacionadas a seguirem os mesmos critérios ESG nas parcerias. “Através de acordos de acionistas, está tudo ali bem definido, bem escritos. Na hora que a gente fecha as parcerias, é sempre se preocupando com questões que são fundamentais em compliance”. Bruno Batista diz que deve haver comprometimento de fato com ESG e isso significa colocar metas e monitorar os indicadores, não apenas deixar no papel. “A primeira prestação de contas é para os funcionários - todo mundo busca trabalhar em um lugar que se preocupa com isso. A segunda prestação de contas é com os clientes, que estão cada vez mais atentos e colocando o tema como necessário. Já a terceira é com os acionistas. E sem esquecer as comunidades onde estamos inseridos e causamos impactos sim”. Para todos os participantes, a aceitação da importância das práticas ESG é um fato, porém, há limitações na prática, como na área ambiental. “Em relação a combustível e a equipamento o transporte que utiliza diesel, por exemplo, às vezes os avanços não vêm na mesma velocidade”, diz Bruno Batista.