O complexo portuário da Baía da Babitonga responde pela movimentação de mais de 60% das exportações e importações catarinenses (Sílvio Luiz/AT) A inédita parceria público-privada (PPP) para a dragagem de aprofundamento do canal da Baía da Babitonga para 16 metros, no litoral norte de Santa Catarina, chamou a atenção de todo o setor portuário brasileiro. Com isso, o Porto Itapoá (privado) e o Porto de São Francisco do Sul (público) podem ser os primeiros do País a receber navios porta-contêineres de 366 metros com a lotação máxima a partir de 2026. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Considerado estratégico, o complexo portuário da Baía da Babitonga responde pela movimentação de mais de 60% das exportações e importações do estado catarinense. Em 2024, o Porto de São Francisco do Sul operou 17 milhões de toneladas de mercadorias. Já Itapoá movimentou cerca de 1,2 milhão de TEU (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés), correspondente a 14 milhões de toneladas — 19% a mais em relação a 2023. Recursos A assinatura da PPP da dragagem ocorreu no último dia 21, no cais do Porto Itapoá. O Porto de São Francisco aportará R\$ 24 milhões e o terminal de uso privado (TUP) Itapoá, R\$ 300 milhões, investimento que será devolvido em parcelas até dezembro de 2037, aproximadamente 11 anos após o fim da obra. O ressarcimento do investimento de Itapoá será em cima do adicional de tarifas portuárias geradas pelo acréscimo no número de navios e pelo aumento no volume de carga movimentada, a partir da conclusão do aprofundamento. “Os navios que não entram hoje passarão a entrar, colocaremos uma conta garantia e vamos pagar Itapoá em menos tempo”, declarou o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira. O edital já está disponível no site do porto público. “A sessão pública (licitação) será no dia 3 de junho. Esperamos iniciar a obra no segundo semestre e concluir em 2026”, disse o gestor do Porto de São Francisco do Sul. Estima-se que serão removidos cerca de 12,5 milhões de metros cúbicos (m3) de sedimentos do canal. Parte do material, 7 milhões de m3, deverá ser utilizado para o engordamento da faixa de areia da orla de Itapoá que, nos últimos anos, tem sofrido com erosão marítima. A iniciativa também é inédita no setor portuário. Itapoá ampliará o cais para atracação de três navios de grande porte (Sílvio Luiz/AT) São Francisco do Sul é o maior porto do estado O presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira, comemorou os números alcançados pelo complexo. “São Francisco do Sul hoje é o maior porto de Santa Catarina, com 17 milhões de toneladas movimentadas. Em dois anos, nós estamos fazendo o maior investimento com recursos próprios da história”. Segundo ele, no ano passado, foram investidos cerca de R\$ 100 milhões, sendo R\$ 37 milhões na dragagem de manutenção, mais de R\$ 20 milhões em tecnologia da informação e R\$ 30 milhões na infraestrutura do porto. “Para entregar o melhor ativo possível a todos aqueles que precisam movimentar a economia”. Com a meta de se tornar o maior e mais eficiente porto de contêineres da América do Sul até 2033, o Porto Itapoá está iniciando a quarta fase de expansão, com previsão de R\$ 500 milhões em investimentos. Atualmente, o TUP tem um pátio de 455 mil metros quadrados (m²), com capacidade estática de 31 mil TEU e de movimentação de até 1,8 milhão de TEU por ano. Itapoá ampliará o pátio em mais 120 mil m2 e o cais, que hoje tem 800 metros, em mais 400 metros, o que permitirá a atracação de três navios de grande porte. Hoje, recebe duas embarcações por vez. “O Porto Itapoá é o maior movimentador de contêineres de Santa Catarina. Em 2024, movimentou 1,2 milhão de TEU”, disse o CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten.