Aumento no volume da movimentação deve impactar ainda mais os acessos rodoviários; Alemoa é considerado ponto crítico no estudo (Vanessa Rodrigues/AT) O total de cargas projetado para 2040 no Porto de Santos pode ser antecipado em dez anos, aumentando de 196,7 milhões de toneladas para 253,6 milhões em 2030 e alcançando 291,1 milhões de toneladas em 2035. O aumento no volume da movimentação pode impactar ainda mais os acessos rodoviários e aquaviário ao cais santista. É o que aponta o estudo técnico Santos 10+, divulgado nesta terça-feira (23) pelo Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp). Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Ao longo de oito meses, mais de 20 entrevistas foram colhidas e sete grupos de carga foram avaliados: granéis sólidos agrícolas para exportação e importação, granel sólido mineral, granel líquido, carga geral conteinerizada, carga geral não conteinerizada e carga ro-ro (veículos). O levantamento apontou ainda que, no mesmo período, a capacidade operacional projetada crescerá de 250,6 milhões para 309,1 milhões de toneladas, estreitando a margem disponível para absorver novas altas de demanda. Conforme o estudo, enquanto projeções tradicionais apontam crescimento em torno de 20% no fluxo de caminhões ligados ao Porto até 2035, as simulações realizadas indicam aumento de até 136% no mesmo período. As simulações consideraram cenários com e sem as obras de infraestrutura previstas atualmente, como a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, a remodelação e ampliação da Avenida Perimetral da Margem Esquerda do Porto, em Guarujá, e o túnel imerso Santos-Guarujá. As análises dos acessos terrestres identificaram pontos críticos na Alemoa, em Santos, e na região da Rua do Adubo, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Na região Valongo-Saboó, onde atualmente circulam cerca de 730 caminhões por hora, o estudo projeta acréscimo de até 1.431 veículos por hora até 2035. Trechos que, mesmo com as obras previstas, apresentam tendência de saturação ao longo da próxima década, com redução dos níveis de serviço e aumento dos tempos de deslocamento. Em relação ao canal de navegação, o estudo aponta um crescimento contínuo da movimentação de embarcações ao longo da próxima década. A média diária de navios deverá passar de 35, em 2030, com o canal operando a 15 metros de profundidade, para 40,74 embarcações em 2035, cenário que considera o aprofundamento para 17 metros e a ampliação da capacidade operacional do complexo portuário. Segundo o relatório, o canal de acesso ao Porto de Santos já se aproxima da faixa considerada internacionalmente como limite para o início do planejamento de expansão da infraestrutura. Pomini: todos os contratos são objeto de inquérito “Não há nenhum contrato no Porto de Santos, na administração pública, que não seja objeto de inquérito. Esse é o Brasil que nós temos hoje. Tudo que se faz é objeto de questionamento e é bom que tenha, até para que se verifique a regularidade das nossas ações”. A declaração foi dada pelo presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, nesta terça-feira (23), ao comentar a rescisão do contrato de R\$ 72,8 milhões firmado com a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), ligada à Universidade de São Paulo (USP), para prestação de assessoria técnica ao projeto do túnel imerso Santos-Guarujá. Pomini se manifestou após A Tribuna publicar matéria mostrando que a APS rescindiu definitivamente o contrato, firmado sem licitação e alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF). O presidente da APS, porém, ressaltou que a decisão não teve relação com o inquérito e afirmou que a própria APS já havia suspendido o contrato antes da abertura da apuração pelo MPF. Segundo ele, o Porto de Santos concluiu que a contratação deixou de ser necessária após mudanças na modelagem de acompanhamento do empreendimento e na divisão de responsabilidades entre os governos Federal e Estadual. Segundo ele, chegou-se à conclusão de que o contrato firmado pelo Governo do Estado com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) atenderia parte das necessidades da primeira fase do empreendimento. Com isso, caberá ao Porto de Santos realizar outras contratações específicas, voltadas ao acompanhamento da execução da obra e da aplicação dos recursos financeiros, diz ele. Obra complexa O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), explicou que a preocupação do Porto é com o impacto da obra do túnel. “Nas operações portuárias como um todo, tanto pelo canal como pelo tráfego de caminhões, pelas perimetrais e nas cidades. Isso envolve muito estudo, muitos técnicos, uma formação interdisciplinar de diversos profissionais”, afirmou, explicando que a contratação da FDTE seria justamente para dar esse suporte técnico. Pomini detalhou que, por iniciativa da própria APS, o contrato com a FDTE foi cancelado. “Não houve nenhum cancelamento por qualquer vício ou afronta às formalidades”, disse. “O Porto tem uma preocupação de implementar essa obra centenária com segurança para os operadores portuários, para que não fiquem no prejuízo. Então, quanto mais a gente calcula, mais assessoria o Porto apresentar, menor será o impacto. Nós precisamos trocar quatro pneus dessa máquina com ela em movimento”.