No Brasil, setembro registrou a remessa de 3,894 milhões de sacas de café ao exterior, alta de 3,1% (Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) O Porto de Santos mantém sua posição de absoluta liderança no escoamento da safra brasileira de café. Nos primeiros nove meses de 2026, o complexo santista foi responsável pelo embarque de 20,573 milhões de sacas de 60 kg, o que representa 70,7% de todo o volume exportado pelo país. Os dados constam no mais recente relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Na sequência do ranking logístico nacional aparecem os portos do Rio de Janeiro, que responderam por 25,2% das remessas (7,335 milhões de sacas), e o Porto de Paranaguá (PR), com 1,1% do total (312.128 sacas). Desempenho No panorama geral das exportações brasileiras, o mês </MC>de setembro registrou a remessa de 3,894 milhões de sacas ao exterior, alta de 3,1% em comparação com os 3,778 milhões de sacas aferidos no mesmo mês de 2025. Apesar do avanço em volume, a receita cambial do mês teve redução de 7,1%, somando US\$ 1,282 bilhão. Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o crescimento do volume em setembro decorre diretamente da recuperação das vendas para os Estados Unidos, após a eliminação de incertezas tributárias que afetavam o setor. Embora o governo norte-americano tivesse retirado a taxação sobre a maior parte do café verde brasileiro em novembro de 2025, o tipo solúvel permaneceu tarifado até julho deste ano. “A atuação conjunta do Cecafé, de entidades do setor, da National Coffee Association (NCA) e do governo brasileiro garantiu a manutenção da isenção do café verde e a inclusão do solúvel nas listas de exceção”. Com a clareza nas regras comerciais, diz o Cecafé, as compras norte-americanas deram um salto: somente em setembro, os EUA importaram 625.192 sacas de café do Brasil, alta de 86,4% frente às 335.339 sacas registradas em setembro do ano passado. Acumulados A performance de setembro impulsionou o primeiro trimestre do ano-safra 2026/27 (julho a setembro). No período, os embarques nacionais atingiram 11,21 milhões de sacas, avanço de 15,5% em relação aos 9,707 milhões de sacas dos mesmos três meses de 2025. A receita do trimestre subiu 0,8%, alcançando US\$ 3,561 bilhões. Já no acumulado de janeiro a setembro de 2026, o volume total exportado pelo Brasil ficou em 29,095 milhões de sacas, mantendo estabilidade (-0,2%) frente ao mesmo intervalo de 2025. A receita cambial do ano, porém, recuou 8,6%, caindo de US\$ 11,065 bilhões para US\$ 10,113 bilhões. A aproximação dos volumes totais em relação a 2025 é explicada pela reação dos embarques aos EUA e pela entrada da nova safra. O fluxo dos novos lotes sofreu atrasos iniciais devido a chuvas na colheita, sobretudo em julho, mas o ritmo internacional vem se normalizando desde agosto, com projeção do Cecafé de superar os totais do ano passado até o encerramento de 2026. A queda no faturamento anual reflete menor cotação internacional, problemas de qualidade nos primeiros lotes do tipo arábica atingidos pelas chuvas e maior proporção das espécies canéforas (conilon e robusta), que possuem preço médio inferior, no mix de exportação. Destinos e variedades Graças à reação em agosto e setembro, os Estados Unidos retomaram a liderança das compras de café brasileiro no ano, ultrapassando a Alemanha. De janeiro a setembro, os americanos adquiriram 3,805 milhões de sacas (13,1% do total nacional, embora 12,8% abaixo de 2025). A Alemanha absorveu 3,307 milhões de sacas (11,4% do total). Completam as cinco primeiras colocações a Itália (2,597 milhões de sacas, alta de 11,6%), a Bélgica (2,463 milhões de sacas, crescimento de 44,5%) e o Japão (1,451 milhão de sacas, queda de 23,3%).