Maiores navios graneleiros que atracam no cais são de 80 mil toneladas, diz a Autoridade Portuária (Luiz Damasceno/APS/Divulgação) A Autoridade Portuária de Santos (APS) e o Porto de Ningbo-Zhoushan, na China, pretendem otimizar os embarques de grãos, principalmente soja e milho, implementando a transferência offshore de carga, ou seja, em alto-mar, de navio para navio. Para isso, assinaram um termo de cooperação técnica para o desenvolvimento do estudo e, dentro de 45 dias, os especialistas de ambos os portos se reunirão na China para dar início aos trabalhos. Ningbo é a principal rota chinesa das commodities embarcadas em Santos e nenhum dos dois ativos portuários conta com esse tipo de operação atualmente. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O objetivo é permitir que navios “capesize”, com capacidade para mais de 150 mil toneladas de carga, recebam em alto-mar a carga embarcada em navios menores no cais santista. Os maiores navios graneleiros que atracam em Santos são de 80 mil toneladas. O acordo entre Santos e Ningbo prevê estudos para implantar esse modelo de embarque, por meio de um grupo de trabalho bilateral de troca de informações. “Eles buscam alternativas para receber cargas de navios com maior volume. Obviamente, isso aumenta a eficiência da operação e reduz emissão de carbono e o custo do frete marítimo”, afirma o diretor de Operações da APS, Edilberto Ferreira Beto Mendes em entrevista para A Tribuna. Volume Mendes explica que o transbordo offshore aumentaria a velocidade da operação, já que os navios poderiam voltar mais rápido para receber nova carga. Ningbo-Zhoushan é o maior porto do mundo em tonelagem de cargas, com movimentação anual superior a 1,4 bilhão de toneladas. Para se ter uma ideia, no ano passado, Santos movimentou 186,4 milhões de toneladas, o que representa 13,3% do volume anual registrado no complexo portuário chinês. Ningbo-Zhoushan movimenta cerca de 7,5 vezes mais carga que o cais santista. Beto Mendes diz que o Porto de Santos foi escolhido pela relevância no comércio exterior e porque Ningbo-Zhoushan é o porto que recebe o maior volume dos grãos exportados para a China. “O nosso acordo de cooperação técnica não é uma receita do bolo pronta. É justamente para desenvolvermos e construirmos juntos a possibilidade de fazermos esse modelo de movimentação de carga. O navio fica offshore e com navios maiores fazendo o transbordo ship-to-ship”, explica. O diretor afirma que o superintendente de Operações do Porto de Santos, um técnico da Superintendência de Meio Ambiente e outro especialista da Autoridade Portuária estarão em Ningbo daqui a aproximadamente 45 dias para discutir os trâmites do estudo. “Esse acordo de cooperação técnica com Ningbo propicia que nós possamos receber navios de 21 metros de calado, que vão poder transportar de 150 a 180 mil toneladas, quer dizer, quase o dobro do que a gente movimenta hoje em toneladas”, enfatiza. Segundo ele, a estratégia permitirá ao Porto de Santos competir com instalações naturalmente mais profundas, sem depender exclusivamente do aprofundamento do canal. “A gente está buscando concorrer com portos offshore”. Embarque de soja no Porto de Santos (Luiz Damasceno/APS/Divulgação) O diretor ressalta, porém, que ainda não há prazo para implantação da tecnologia, pois o trabalho encontra-se na fase de estudos conjuntos. “Estamos iniciando as discussões sobre a tecnologia a ser empregada, a viabilidade, as questões ambientais. Vamos discutir todas as variáveis e, a partir daí, faremos um cronograma de trabalho para implantarmos a operação”. Para a APS, de acordo com o diretor, a iniciativa faz parte da estratégia de preparar o Porto de Santos para o crescimento da movimentação de cargas nos próximos anos, especialmente do agronegócio. “São ferramentas como essa que vão nos dar condição de continuar absorvendo o crescimento de cargas. A expectativa é que o complexo santista alcance cerca de 300 milhões de toneladas movimentadas em dez anos, exigindo novos investimentos em infraestrutura, inovação e eficiência logística”. No mundo As operações ship-to-ship (STS, navio para navio) são realizadas em diversos países para petróleo, derivados, gases liquefeitos e granéis sólidos, como carvão, minério de ferro e, em alguns casos, grãos. Indonésia, Índia, Austrália e Estados Unidos são alguns exemplos.