Da esquerda para a direita: Alexandre Nascimento, Bruna Souza, Bruno Moraes e Suzanne Sena (Divulgação) Se o Porto de Santos bate a cada dia novos recordes de movimentação de cargas e trilha a rota da expansão, muito se deve aos trabalhadores que fazem funcionar todas as engrenagens do maior complexo do Hemisfério Sul. No mês em que o porto santista completa 134 anos de história, A Tribuna conta as histórias de quatro profissionais que têm o sangue portuário em suas veias. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Pioneira Há sete meses na Brasil Terminal Portuário (BTP), Bruna Fernanda Pereira de Souza, de 28 anos, vive sua primeira experiência portuária e está fazendo história. O motivo é que a função dela - operadora de bordo -, embora antiga no Porto de Santos, não tinha a participação de mulheres. Ela, que nasceu em Paulo Afonso (BA) e reside em Guarujá, foi uma das 13 trabalhadoras formadas no ano passado pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) de Santos. “Trabalhar no Porto sempre foi um sonho, uma oportunidade de carreira que parecia muito distante. Carregamos com orgulho esse título que foi conquistado. Passamos por muitas etapas. O processo do qual participamos tinha cerca de 6 mil participantes. A realidade tem mudado muito e estamos a cada dia garantindo nosso lugar no mercado de trabalho, até mesmo em funções anteriormente predominada por homens”, comenta Bruna. A profissão de operadora de bordo consiste em apear e desapear os contêineres, ou seja, prender e soltar os que estão a bordo, conforme o plano do navio, bem como auxiliar o operador de STS (portêiner) no correto posicionamento. “É uma função extremamente importante para as operações de contêineres no Porto de Santos e que contribui para o transporte das cargas de forma segura durante a navegação”, afirma. “Hoje, tenho a visão do que é o trabalho portuário e as possibilidades de carreira que existem. Pretendo continuar me especializando e crescer profissionalmente”, emenda. Implantando projetos Bruno Cassano Moraes, de 36 anos, estava longe do Porto de Santos até 2013, quando iniciou como trainee na Santos Brasil. A razão é geográfica. “Morei minha vida inteira em Diadema, na Grande São Paulo, e nunca tive contato com o Porto até iniciar na empresa. Gostei muito da área e do setor portuário, que, para mim, representa o desenvolvimento do País. Trata-se de uma atividade estratégica, que conecta o Brasil ao restante do mundo”, conta. Formado como engenheiro eletricista, Moraes entrou na área de projetos em 2015 e atualmente é especialista de implantação na Santos Brasil. “Minha profissão consiste em identificar necessidades, coordenar e garantir a execução de novos projetos dentro da empresa. Atualmente estou focado nos projetos de aquisição de equipamentos, como líder dessa categoria”, explica. A ideia é, basicamente, garantir que o projeto atenda aos requisitos do cliente final, no menor custo e prazo possível, sem perder de vista a segurança e a qualidade do resultado final. “Para chegar neste objetivo, temos que coordenar diversas empresas de elaboração de projetos técnicos com a correta execução em campo”, complementa, definindo sua trajetória pelo aprendizado constante, por atuar em um setor que exige conhecimentos multidisciplinares. “Entrei sem conhecer nada, e ao longo dos anos tive o privilégio de aprender com grandes mentores e participar de projetos cada vez mais relevantes”, define. Porto de Santos completa 134 anos em fevereiro (Alexsander Ferraz/AT) Do banco para o Porto Por 19 anos, o santista Alexandre Constantino Nascimento lidou com os números. Trabalhava em banco, mas sempre teve vontade de atuar no Porto. Aos 51 anos, está há cinco na BTP, em sua primeira experiência no setor. “Foi uma mudança incrível na minha vida. Nunca tive familiar na área portuária. A vontade veio quando via reportagens sobre o porto, aqueles navios gigantescos e as ótimas oportunidades de emprego e salário”, relembra. Nascimento é monitorador reefer facilitador. Trata-se do profissional essencial para que as cargas refrigeradas, como alimentos e medicamentos, cheguem ao seu destino com qualidade. “Damos total atenção a todas as cargas. Ligamos as unidades (contêineres) na tomada, conferimos os dados físicos disponíveis no contêiner com os nossos coletores (tablet), checamos a temperatura, ventilação e umidade, entre outros. Como facilitador, também sou responsável por uma equipe de monitoradores, a qual fui designado a treinar e cuidar. É um trabalho que realizo com muito orgulho e que permite retribuir tudo o que aprendi ao longo da minha trajetória no Porto”, explica. Depois de aprender no dia a dia e se especializar por intermédio de cursos oferecidos pela empresa, Nascimento pretende crescer profissionalmente na área. “Projeto ser um analista reefer, pois gosto muito dessa área. Tenho buscado estudar e me preparar para isso. Neste ano concluo minha segunda graduação que é em Gestão Portuária”, revela. Atenção com o cliente Suzanne Poncidônio Sena, de 33 anos, sempre esteve perto do Porto de Santos. É nascida e criada no Pae Cará, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, uma cidade cercada por empresas portuárias. Além disso, tem familiares que atuaram na sacaria de café. O caminho só poderia ser o setor. E começou cedo. Aos 16 anos, surgiu a oportunidade de Suzanne participar do processo seletivo da primeira turma do Projeto Formare na Santos Brasil, programa de educação profissional criado pela Fundação Iochpe, voltado à formação de jovens estudantes da rede pública. “Ser selecionada representou uma grande conquista e marcou o início da minha trajetória profissional no setor portuário, um divisor de águas na minha vida. Aprendi, me dediquei muito durante o curso, e fui efetivada no ano seguinte”, recorda. Formada em Comércio Exterior, com pós-graduação em Negócios Internacionais, além de cursos voltados à área portuária e ao relacionamento com clientes, Suzanne atua há seis meses como supervisora de relacionamento com o cliente, responsável pela célula de clientes NVOCC (não armadores) na Santos Brasil. “Uma das principais atribuições é representar a voz do cliente dentro da organização, levando suas necessidades, expectativas e pontos de atenção às áreas internas envolvidas. Esse papel é essencial para promover melhorias contínuas, prevenir falhas operacionais e fortalecer o relacionamento com os clientes”, afirma, comemorando a presença feminina no setor portuário. “Isso fortalece a diversidade, aprimora a gestão de equipes e contribui para decisões mais equilibradas e inovadoras. Além disso, inspira novas profissionais e torna o setor mais competitivo, moderno e alinhado às práticas de inclusão e equidade”, completa.