O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Governo Federal, identificou 79 problemas considerados de correção prioritária para a infraestrutura de transportes brasileira nas próximas décadas. O diagnóstico abrange gargalos relacionados ao transporte de cargas, ao deslocamento de passageiros e a desafios estruturais que afetam todo o sistema logístico nacional. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O PNL estava em construção desde 2024 pelo Ministério dos Transportes. O documento ressalta que a limitação de recursos públicos e privados exige a definição de prioridades. De acordo com levantamento, não haverá capacidade financeira para viabilizar todas as obras e projetos de infraestrutura identificados, tornando necessária a seleção de investimentos com maior potencial de retorno socioeconômico e capacidade de transformação da matriz de transportes. Logística afetada Na área de cargas, o plano mapeou 54 questões voltadas à solução de problemas que impactam as exportações, o abastecimento interno e a movimentação de mercadorias no mercado doméstico. Entre os segmentos analisados estão cadeias como a do minério de ferro, soja, milho, açúcar, papel e celulose, carnes, combustíveis, produtos industrializados e siderúrgicos. O documento traz a necessidade de reduzir custos logísticos, ampliar a eficiência dos corredores de transporte e aumentar a competitividade dos produtos brasileiros. Modais O PNL também reúne 17 pontos voltados a problemas estruturais que afetam o sistema de transportes como um todo. Entre eles, a elevada dependência do modal rodoviário, a baixa participação de ferrovias, hidrovias e cabotagem na matriz logística, os gargalos de acesso portuário, a precariedade das estradas vicinais, a escassez de mão de obra qualificada, os desafios de licenciamento ambiental e a vulnerabilidade da infraestrutura aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo o plano, o transporte responde por cerca de 217 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano, o que corresponde a aproximadamente 10,7% das emissões nacionais de gases de efeito estufa. Desse total, cerca de 93% estão associados ao transporte rodoviário. A proposta do Plano é concentrar recursos em iniciativas capazes de ampliar a multimodalidade, reduzir a dependência das rodovias, fortalecer corredores logísticos e aumentar a integração regional e internacional do sistema de transportes brasileiro. Governo quer finalizar planos setoriais este ano O Governo Federal planeja lançar até o final de 2026 os planos setoriais consolidados dos modais logísticos do Brasil, segundo o ministro dos Transportes, George Santoro. “Vamos fazer os planos setoriais de transportes rodoviário, ferroviário e hidroviário até dezembro. A gente quer entregar esses planos e detalhar regionalmente e nacionalmente cada cronograma desses investimentos”, afirmou nesta quarta-feira (12), durante evento de lançamento do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050. Os planos setoriais funcionarão como um desdobramento do PNL 2050 e devem detalhar, para cada modal, os principais corredores logísticos, gargalos de infraestrutura, projeções de demanda e prioridades de investimento. Os documentos servirão de base técnica para a definição de projetos públicos e privados nas próximas décadas. De acordo com Santoro, os estudos terão detalhamento regional para identificar necessidades específicas de cada área do País. A proposta é alinhar os investimentos às características econômicas locais e aos fluxos predominantes de carga, permitindo maior eficiência na movimentação de produtos entre centros produtores, consumidores e portos de exportação. “Até dezembro, a gente vai entregar para o próximo governo todos esses pontos prontos e aprovados”. Aéreo de cargas O Governo Federal planeja incluir, a partir da próxima revisão do PNL, que deve ser feita em quatro anos, o planejamento específico para o setor de transporte aéreo de cargas, segundo o ministro. “Ela (a carga aérea) ainda aparece com pequeno volume nas notas fiscais eletrônicas, e isso acabamos não capturando como relevante para ser tratado. Mas é fundamental no próximo ciclo que a gente inclua”, disse Santoro. Expansão O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou que a pasta trabalha para fomentar a movimentação de cargas no modal aéreo com a expansão da infraestrutura aeroportuária e foco nos aeroportos regionais. Segundo ele, a estratégia é levar investimentos para terminais de menor porte por meio do Programa Ampliar.