Proposta é reduzir intermediações, ampliar rastreabilidade e padronizar informações que circulam durante a atividade dos fornecedores nos complexos portuários brasileiros (Vanessa Rodrigues/AT) Uma nova plataforma deve reduzir a burocracia causada pelo excesso de intermediadores e tornar o fornecimento de suprimentos a navios mais rápido e eficiente nos portos. A Suprinav foi criada pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e com a Associação Brasileira de Fornecedores e Serviços a Navios (ABNF). A plataforma está inserida no Porto sem Papel (PSP), sistema informatizado do Governo Federal. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! A solução permite que empresas que fornecem bens e serviços a navios realizem, em ambiente digital, procedimentos relacionados ao acesso portuário e ao abastecimento das embarcações. O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, afirma que o desenvolvimento e os testes da plataforma já foram concluídos. Houve uma prova de conceito no Porto do Rio Grande (RS), na qual foram identificadas melhorias que foram incorporadas à solução. “Estão em fase final de ajustes os procedimentos documentais entre o MPor e o Serpro, além das atividades acessórias para viabilizar a operação. Temos feito esforços para que a plataforma esteja disponível até dezembro”, afirma. Segundo ele, inicialmente, o sistema será destinado às empresas fornecedoras de bens e serviços a navios, prestadoras de serviços de suprimento de bordo e às responsáveis por serviços de inspeção e análise de cargas e descargas. “Será possível realizar serviços como o cadastro de empresas, a gestão de credenciais e o registro de equipes e veículos, além da solicitação de acesso às instalações portuárias e de ingresso a bordo. Também será possível a comunicação de suprimentos, a vinculação com o DUV (Documento Único Virtual) e o acompanhamento em tempo real das diferentes etapas do processo”, explica Ávila. O secretário reforça que a Suprinav é uma solução cujo uso será regulamentado por portaria pelo MPor e possibilitará acesso direto ao Porto Sem Papel, permitindo que as empresas prestadoras de serviços realizem seus procedimentos sem a necessidade de intermediação. Canal digital Segundo o diretor de Negócios do Serpro, Ermes da Costa Neto, a plataforma cria um canal digital direto para que empresas fornecedoras possam cadastrar seus dados, gerenciar credenciais e equipes, registrar profissionais e informações necessárias às operações, solicitar acessos e comunicar os suprimentos destinados às embarcações. “Essas informações são estruturadas e integradas ao Porto Sem Papel, permitindo que os atores responsáveis pelas autorizações e controles portuários tenham acesso a dados mais padronizados e rastreáveis”. Para ele, um dos principais diferenciais tecnológicos está nessa integração. “O objetivo não foi simplesmente transformar um processo manual em um formulário eletrônico, mas digitalizar a jornada de ponta a ponta, reduzindo intermediações, custos, retrabalho e circulação de informações por canais não estruturados”. Costa Neto acrescenta que a Suprinav é resultado de um processo que envolveu diferentes etapas, desde a identificação do problema e entendimento da jornada dos usuários até a definição do modelo de negócio, arquitetura da solução, as integrações, o desenvolvimento e as validações. “Mais importante do que associar o projeto apenas ao período de desenvolvimento de software é considerar que houve um trabalho anterior relevante de entendimento do problema, desenho da solução e articulação com os atores do ecossistema portuário. Foi uma construção multidisciplinar, envolvendo profissionais de negócios, produto, desenvolvimento, arquitetura, segurança, infraestrutura e especialistas relacionados ao Porto Sem Papel”. Elementos como segurança, rastreabilidade e auditabilidade estão entre os pilares do novo sistema. “A lógica é que cada informação relevante deixe de circular de maneira dispersa e passe a integrar um fluxo digital controlado e rastreável. Isso aumenta a capacidade de auditoria e reduz riscos decorrentes de processos manuais ou informações descentralizadas”. Costa Neto diz que a plataforma também prevê o acompanhamento das solicitações. “Para o fornecedor, significa saber o que foi solicitado e acompanhar sua evolução e, para os responsáveis pelos controles portuários, trabalhar com informações mais estruturadas”, destaca. “Isso nos incentiva a ir em busca de outros objetivos, como a regulamentação da categoria, encaminhada por meio do projeto de revisão da Lei dos Portos (733/2025), e o alfandegamento de parte dos nossos armazéns”, Geraldo Pierotti, presidente do Conselho da Associação Brasileira de Fornecedores e Serviços a Navios (ABFN). (Alexsander Ferraz/AT) Associação elogia avanço no setor No setor de suprimentos para navios, a nova plataforma é vista como um importante avanço. Para Flávio Pierotti, presidente da Associação Brasileira de Fornecedores e Serviços a Navios (ABNF), ainda não é possível estimar o tamanho da redução de tempo e custos, mas a eliminação de etapas intermediárias, como retrabalho, troca de e-mails e duplicidade de informações, traz queda de custos administrativos. “Para o fornecedor, conseguir acompanhar sua operação diretamente e em tempo real pode ser tão importante quanto a economia financeira. O ganho se estende a todos os envolvidos, uma vez que a redução da mediação de terceiros em atividades administrativas torna o fluxo mais direto, racional e eficiente”, afirma. Para ele, um dos principais gargalos é justamente a dependência da mediação de terceiros para a transmissão de informações que pertencem ao próprio fornecedor. “O fornecimento de navios é uma atividade dinâmica. Muitas solicitações surgem com poucas horas de antecedência e precisam ser atendidas antes da saída da embarcação. Quando uma informação precisa passar pelo fornecedor, depois por um terceiro e somente então chegar ao sistema, acrescentamos etapas, tempo e possibilidade de erro a uma operação que já trabalha com prazos muito curtos. Além disso, temos diferentes procedimentos nos portos brasileiros. A digitalização e a padronização tendem a proporcionar maior previsibilidade e eficiência”. Flávio Pierotti entende que o ponto fundamental é que a Suprinav não nasce como um sistema isolado, mas para inserir o fornecedor no ecossistema do Porto Sem Papel. “É um ambiente já utilizado na interação com diferentes autoridades e órgãos anuentes”. A Suprinav, diz ele, cria uma porta de entrada específica para o fornecedor, permitindo que ele passe a fornecer diretamente as informações de sua responsabilidade, mantendo as competências e responsabilidades dos demais participantes do sistema. “E ele não pretende retirar atribuições de ninguém, mas colocar cada informação sob responsabilidade de quem efetivamente a produz”. “O fornecimento a navios é uma atividade extremamente dinâmica. Muitas solicitações surgem com poucas horas de antecedência e precisam ser atendidas antes da saída da embarcação”, Flávio Pierotti, presidente da Associação Brasileira de Fornecedores e Serviços a Navios (ABFN). (Divulgação) Mercado internacional Ele cita, ainda, que os fornecedores brasileiros competem em um mercado internacional, sendo que um navio pode se abastecer em diferentes portos ao longo de sua rota. “Quanto mais eficiente, rápido e menos burocrático for o atendimento no Brasil, mais competitivo se torna o nosso país nessa atividade”. O presidente do Conselho da ABFN, Geraldo Pierotti, entende a chegada da Suprinav como a concretização de um pleito de mais de dez anos pelo segmento e uma motivação para o setor de suprimentos a navios. “Estamos deixando de ser invisíveis para as autoridades. Isso nos incentiva a ir em busca de outros objetivos, como a regulamentação da categoria, encaminhada por meio do projeto de revisão da Lei dos Portos (733/2025), e o alfandegamento de parte dos nossos armazéns”, detalha Geraldo.