(Alexsander Ferraz/AT) Debaixo de sol forte, mas protegidos com bonés, capacetes e as roupas que cobrem todo o corpo, eles percorrem o campo colocando uma a uma as mudas no solo previamente preparado. São os ajudantes florestais, responsáveis pelo plantio do eucalipto nos extensos terrenos usados pela Eldorado Brasil Celulose na cidade de Três Lagoas e arredores, no Mato Grosso do Sul. Em linha reta, atrás de um reservatório de água puxado por um trator, andam entre quatro e seis ajudantes florestais. Eles colocam as mudas nas covas e com um equipamento em mãos, uma espécie de pistola interligada com o tanque de água, já acomodam a terra e fazem a primeira rega da muda. As mudas ficam a 3,4 metros de distância umas das outras e com espaço lateral de 2,6 metros. É a distância necessária para que os eucaliptos cresçam adequadamente, atingindo 25 metros em sete anos. São 1.131 plantas por hectare (10 mil metros quadrados, pouco mais do que um campo de futebol), que recebem 400 quilos de fertilizantes no início, mas que depois ficam sob a ação da natureza. O solo A maior parte das terras adquiridas pela Eldorado eram antigas fazendas de gado, usadas para pastagens. A preparação do solo para receber as mudas inclui a retirada de vegetação rasteira, como capim, geralmente com produtos químicos, o combate a formigas e outras pragas, a aração (mistura do solo com máquinas pesadas, deixando-o solto e mais ‘fofo’) e a adubação. “A primeira etapa do preparo é a limpeza do solo. Se houver vegetação, realizamos um controle mecânico (com máquinas) e uma limpeza também mecânica. Depois, aplicamos um controle químico para eliminar as ervas daninhas. No caso da braquiária (uma grama bastante usada na pecuária), usamos um produto para controlá-la”, explica Gabriel Borges Ferreira, coordenador de Silvicultura da Eldorado. Esse processo no início é essencial para que a planta não enfrente competição por recursos logo no início. “Por isso, nos concentramos em manter a área o mais limpa possível”. A parte de aração do solo é feita com uma máquina equipada com um subsolador. Além de remexer o solo em até 45 centímetros de profundidade, o equipamento já despeja o adubo e faz as covas para plantio. “O subsolador também faz os riscos no solo, as linhas de plantio”. Para que acompanhe a demanda da colheita, não se pode parar de plantar. Quanto mais se colhem eucaliptos adultos para a celulose, mais se planta para manter o ciclo das florestas. As áreas onde as árvores adultas já foram derrubadas também volta a receber novas plantações. Porém, as novas mudas são colocadas entre os tocos, já que eles permanecem no solo com as raízes até a decomposição natural. Atualmente, a Eldorado tem uma máquina que retira parte desses tocos para uso como biomassa na usina termoelétrica Onça Pintada, em Três Lagoas. A usina gera energia suficiente para abastecer toda a fábrica da empresa e ainda sobra. O excedente é vendido para o sistema de energia elétrica nacional. Áreas especiais recebem as mudas No campo, o trabalho começa com a montagem de áreas de apoio em locais estratégicos, com banheiros químicos e estrutura de trabalho, já que os locais costumam ficar muito distantes da área urbana. Nesses pontos são recebidos os caminhões com mudas, que chegam do viveiro da Eldorado em Andradina. Elas passam por nova inspeção antes de seguirem para o plantio. “É onde as mudas são preparadas antes de serem plantadas. Esses locais são posicionados estrategicamente para otimizar a logística e garantir a qualidade das mudas”, diz o coordenador de Silvicultura da empresa, Gabriel Borges Ferreira. “As mudas permanecem nesses locais por, no máximo, três dias, para evitar a perda de qualidade”, explica Ferreira. Ele detalha que, a cada três dias, caminhões transportam cerca de 100 mil mudas para essas bases. “Recebemos as mudas e no mesmo dia realizamos todo o processo de inspeção, análise e tratamento”, complementa. A seleção Cada muda é direcionada para áreas específicas, conhecidas como talhões, de acordo com as características do solo e as necessidades de cada espécie de planta. “Cada clone (feito em laboratório) tem uma característica específica que define seu local de plantio. Por exemplo, há clones mais resistentes a solos arenosos ou que demandam menos água. Por isso, direcionamos cada lote para o ambiente mais adequado ao seu desenvolvimento”, explica Ferreira. Antes do plantio, o solo das fazendas é analisado pela equipe de tecnologia da Eldorado. “A primeira coisa que fazemos é o mapeamento da fazenda, identificando áreas produtivas e realizando análises de solo. Só seguimos com o plantio se a área for aprovada”, afirma o coordenador. Após a aprovação, o terreno é talhonado, ou seja, dividido em talhões, e estradas são abertas para facilitar o acesso e o preparo da área. Operações diárias A Eldorado opera todos os dias no plantio e colheita de eucalipto. “Temos aproximadamente 300 mil hectares de área plantada com eucalipto e uma meta de fechar o ano com 30 mil hectares adicionais”, destaca Ferreira. Segundo ele, as áreas plantadas são monitoradas nos primeiros 15 dias para avaliar a taxa de sobrevivência das mudas. “Se o índice de sobrevivência for inferior a 97%, realizamos o replantio das mudas que não se desenvolveram”, explica. Além disso, práticas como irrigação suplementar são realizadas quando necessário. “Nos primeiros dias, é fundamental garantir que as mudas tenham a água necessária para se estabelecerem, especialmente em dias quentes, como os que frequentemente enfrentamos no Mato Grosso do Sul”, comenta.