Simpósio Regional de Recursos Hídricos – Infraestrutura de Hidrovias como Meio de Desenvolvimento Tecnológico Sustentável ocorre na AEAS (Vanessa Rodrigues/AT) A Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), criada em abril pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), quer investir em pesquisa para o desenvolvimento do modal no País. Um pedido de dotação (recursos) já foi encaminhado ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) da União para 2025. A notícia foi compartilhada nesta quinta (26), durante o segundo dia do 10º Simpósio Regional de Recursos Hídricos – Infraestrutura de Hidrovias como Meio de Desenvolvimento Tecnológico Sustentável, realizado na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS). Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! Um dos palestrantes, o diretor do Departamento de Gestão Hidroviária da SNHN, Eliezé Bulhões de Carvalho, defende que o Brasil invista mais em pesquisas para fomentar políticas públicas prioritárias. “Os Estados Unidos têm um corpo de engenheiros do Exército que cuida de hidrovias, é uma questão de estratégia nacional”, exemplificou, citando que na Europa, em países como França, Bélgica e Holanda, pesquisa e desenvolvimento compõem a cultura do setor público. “Política pública deve ser executada com uma base de pesquisa e não pode ficar descolada da sociedade”. Para A Tribuna, Carvalho disse que a dotação solicitada é de R\$ 50 mil, mas “o valor dos recursos a serem alocados” poderá variar conforme a demanda necessária para promover a pesquisa no setor de hidrovias. “É o setor que vai realmente contribuir para o Brasil na questão da redução de emissões de gases de efeito estufa. É o modo de transporte mais verde”, enfatizou. O gestor ressaltou ainda que eventos como o simpósio são oportunos para demonstrar que as pesquisas servem de base para a elaboração e execução de “serviços rotineiros como dragagens, criar modelos de dragagens sustentáveis e trazer tecnologia de ponta ao serviço que será oferecido ao usuário, como as populações ribeirinhas, por exemplo”. Já o superintendente de Novos Negócios da Hidrovias do Brasil, Marcus Vinicius da Silva Ferreira, que ministrou uma palestra cujo tema foi Benefícios da Navegação Hidroviária versus outros Modais de Transportes, alerta para uma série de deficiências que dificultam o avanço do modal hidroviário no País. “Faltam estaleiros para construir navios, docagem para fazer a manutenção do navio, ineficiência portuária, ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre a carga, custo de tripulação 30% maior do que o custo de tripulação estrangeira, bunker de abastecimento mais caro e o efeito praticagem. Na soma, às vezes, é mais barato rodoviário, num frete daqui para o nordeste, do que colocar um navio de forma competitiva”. O evento contou ainda com uma mesa de debate sobre as vantagens e os desafios dos modais de transporte, com a mediação do consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues. Ele destacou, por exemplo, a eficiência de portos sul-coreanos, que investem em inovações e possuem cadeias produtivas integradas, unindo a fábrica, a logística e o transporte da carga de valor agregado para exportação. O simpósio termina hoje e todos os participantes poderão assinar o termo de cooperação que será entregue ao diretor de gestão de Hidrovias, Eliezé Carvalho, endereçado à SNHN. “O objetivo é que a gente consiga materializar as nossas hidrovias. O nosso principal obstáculo é o meio ambiente. Então, nós precisamos criar um regramento específico de complexos industriais integrados a portos fluviais”, afirmou o diretor de Portos da AEAS, engenheiro Eduardo Lustoza. Uma visita técnica ao estuário do Porto de Santos está programada para hoje, às 9 horas. O ponto de encontro será na Ponte Edgard Perdigão, na Ponta da Praia, em Santos.