Pedro Doria abordou a profunda mudança na base da sociedade brasileira ao longo dos anos e a influência disso no modelo político atual (Silvio Luiz/AT) O processo de polarização política no qual o Brasil está inserido não aparenta mudar antes de 2030. É a projeção do jornalista e escritor Pedro Doria, com larga experiência em redações e criador do canal do YouTube Meio, que trata de temas da atualidade. A palestra integrou o evento comemorativo dos 65 anos da Advocacia Ruy de Mello Miller (RMM), realizado nesta quinta-feira (16), no auditório do Grupo Tribuna. O escritório é referência no setor portuário brasileiro. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Doria apresentou números de uma pesquisa para a Presidência da República feita pelo canal Meio em parceria com o Instituto Ideia. O levantamento projeta que haverá segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Há, porém, um período decisivo a ser percorrido, a se medir por acontecimentos importantes ocorridos em pleitos anteriores. “A primeira eleição que eu cobri profissionalmente foi a segunda eleição do Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Uma das coisas que aprendi a respeito da campanha, a partir de meados de agosto, é o seguinte: a duas semanas do primeiro turno cai avião com candidato a presidente (Eduardo Campos, em 2014) e outro leva facada (Jair Bolsonaro, em 2018). Tudo muda de uma hora para outra”, lembrou. Crises O jornalista lembra que o Brasil vive uma crise democrática e de representação. “É uma crise à qual a gente vai ter que sobreviver de alguma forma. E o País não está sozinho nisso. Existe uma revolução na maneira como as pessoas se comunicam e se informam”, observa. Ao mesmo tempo, analisa, houve uma profunda mudança na base da sociedade brasileira. “O País era pobre e hoje é de classe média, embora baixa. Isso muda as expectativas da sociedade em relação aos políticos. A gente não vai escapar de algumas reformas e estamos travados em um processo de polarização no qual está metida aproximadamente metade da sociedade brasileira”, argumenta. O jornalista também deixou claro que as relações do Brasil com as potências mundiais não podem ser medidas com ideologias. “Não podemos deixar que preferências pessoais façam com que a gente se incline na direção dos Estados Unidos ou da China. Não sabemos quem vai ganhar essa briga e, por isso, não faz sentido brigar com ninguém”. Público acompanhou debate relevante com sócios do escritório RMM (Vanessa Rodrigues/AT) Painel trouxe temas importantes Trazer à luz as principais discussões relacionadas ao Direito Marítimo e Portuário. Foi a intenção do painel que compôs o evento da Advocacia Ruy de Mello Miller (RMM). Os debatedores foram os advogados e sócios do escritório: Lucas Rênio (coordenador do núcleo sindical), Thiago Robles (coordenador do núcleo de negociações coletivas), Samara Gualberto (responsável pela filial no Arco Norte), José Carlos Higa (coordenador do núcleo de Direito Público) e Fernando Moromizato (um dos coordenadores do núcleo de Direito Marítimo, Portuário e Aduaneiro). A mediação foi do consultor para assuntos portuários do Grupo Tribuna, Maxwell Rodrigues. O sócio administrador da RMM, Thiago Miller, lembrou que o ponto envolvendo capital e trabalho portuário é o único que não avança desde 1993, quando foi promulgada a Lei de Modernização dos Portos (8.630). “Estamos propondo o que a gente já vinha fazendo, que é construir relações e diálogo, avançando em todos os temas levantados: inovação, remuneração, tempo de trabalho e mudança dos equipamentos. Isso pode ser colocado na negociação”. Thiago Miller discursou no evento (Vanessa Rodrigues/AT) Os investimentos no Arco Norte, futuro da logística do agronegócio brasileiro, também foram abordados. “Aquela região precisa avançar, porque ainda é muito carente de infraestrutura. Tudo lá é mais difícil”, afirma. Para a regulação da infraestrutura, lembrou Miller, há os instrumentos legais. “Vamos ser coerentes e aplicar a lei. Não precisa mudá-la. Precisamos dotar nossas administrações de pessoas técnicas. Andamos para trás”. E o Direito Marítimo é responsável por garantir os direitos dos usuários e a adequada prestação dos serviços. “A empresa privada se submete porque é de interesse do País”, finaliza.