Com capacidade para receber até 5 mil turistas, o terminal terá dois pavimentos com toda a estrutura de recepção dos passageiros para embarque e desembarque (Reprodução do Projeto) O Porto de Paranaguá (PR) pretende iniciar em 45 dias (outubro) a construção do terminal marítimo de passageiros, cujas obras devem durar oito meses. A estimativa é do diretor de Operações da Portos do Paraná, responsável pelos complexos de Paranaguá e Antonina, Gabriel Perdonsini Vieira. Ele falou sobre o tema durante o 8º Fórum da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), realizado na semana passada, em Brasília. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! “Temos para as temporadas 2027/2028 e 2028/2029 a reserva do berço onde nós contamos com operações de cruzeiros, por parte da MSC. Temos a certeza de que na temporada 2027/2028 estaremos com o novo terminal de passageiros já operacional”, afirma. “Isso coloca Paranaguá na rota dos cruzeiros não apenas de uma companhia, mas na perspectiva de outras operando simultaneamente”, emenda. Na temporada 2026/2027, Paranaguá terá 12 escalas do navio MSC Música – entre dezembro deste ano e fevereiro de 2027. A futura estrutura para o terminal de passageiros contará com 12,2 mil metros quadrados (m²) de área construída em um terreno de 40 mil m², atrás do terminal de contêineres, na área leste do complexo portuário. A Construtora Porto Beton S.A. foi a vencedora da licitação e ficará responsável pelo projeto executivo e pelas obras, orçados em R\$ 80,9 milhões, valor da proposta vencedora. A homologação do contrato aconteceu em 30 de julho e a ordem de serviço foi assinada em 14 de agosto. “Quando começamos a trabalhar nas escalas regulares, a gente já tinha o interesse de desenvolvimento do nosso próprio projeto e inicialmente investimos R\$ 2,5 milhões em um projeto básico de um terminal”, lembra Vieira. Como será Com capacidade para receber até 5 mil turistas, o terminal terá dois pavimentos com toda a estrutura de recepção dos passageiros para embarque e desembarque, com lobby, check-in/despacho de bagagens, sala VIP, estrutura para Receita Federal, Polícia Federal, Ministério da Agricultura e demais órgãos que atuam na área. Além disso, contará com estacionamento para 11 ônibus de turismo, 14 vagas para táxi e transporte por aplicativos, 62 para motocicletas e 222 para automóveis. “As temporadas 2022/2023 e 2024/2025 trouxeram a Paranaguá inúmeros benefícios, principalmente o montante injetado em nossa economia. No primeiro ano, foram R\$ 25 milhões, enquanto no segundo, R\$ 20 milhões. São números estimados, mas olhando pela perspectiva de Paranaguá, onde nós não havíamos ainda na época recebido esses cruzeiros regulares, ficamos muito satisfeitos com os resultados. Isso nos trouxe o interesse principal de investir em um terminal de passageiros que, sabemos hoje, é um grande desafio da nossa infraestrutura”, argumenta o diretor de Operações. O Terminal Marítimo de Paranaguá será operado pela iniciativa privada em processo de arrendamento, mas esses trâmites ainda não estão definidos, segundo apurou A Tribuna. A ideia é que o local seja aproveitado durante o ano inteiro para feiras, exposições e outros eventos. Faltam ações O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, fez um discurso defendendo uma integração maior entre os destinos dos cruzeiros, não apenas no Brasil, mas em países próximos. Ele participou do Fórum Clia Brasil, em Brasília, mas não falou com a imprensa. Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano (Clia Brasil/Divulgação) “O turista, quando visita (destinos) por intermédio dos cruzeiros, não quer fazer isso só em nosso país, mas em outros, como Uruguai e Argentina. E esse diálogo vem sendo mantido. O Brasil é líder desse mercado e o impacto gerado pelos cruzeiros marítimos também acontece na região como um todo”, comentou o ministro. Não explica Feliciano, porém, não detalhou o que o Governo Federal faz para ajudar o setor nessa questão. Recentemente, o ministro também desmarcou uma entrevista com A Tribuna após receber os temas que seriam tratados envolvendo cruzeiros. Para o ministro, o grande desafio hoje é ampliar a potência turística que o Brasil representa, tanto de olho nos viajantes brasileiros quanto nos estrangeiros. Mais de US\$ 5 bilhões advindos do exterior foram gastos no Brasil apenas neste ano, de acordo com ele. “Em 2025, chegamos à marca de 9,2 milhões de turistas estrangeiros no País, fugindo do patamar que sempre alcançávamos, que era de 6 milhões”, pontuou.