[[legacy_image_291157]] O estudo que levará à elaboração do Plano de Logística e Investimentos do Governo do Estado deverá começar em novembro. Essa é a previsão da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), que analisa as propostas enviadas por empresas interessadas em prestar o serviço. O plano de logística, com conclusão prevista para 2025, norteará o Estado no desenvolvimento de projetos que visam expandir os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário. A medida vai ao encontro da intenção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que na última semana declarou que “quer resolver o problema da chegada de grãos ao Porto de Santos". Ele também citou o desejo de resgatar o "patrimônio ferroviário de São Paulo", melhorando a estrutura para trens de carga e viabilizando linhas de transporte de passageiros em território paulista. Em nota, a Semil informou que trabalha na estruturação do plano e, neste momento, as empresas que atenderam ao chamamento público para a contratação do estudo têm suas documentações analisadas para habilitação. A manifestação de interesse foi publicada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em 12 de julho. "Para aquelas que forem aprovadas, serão solicitadas as propostas técnicas e comerciais. A previsão é de que a empresa contratada para fazer o estudo que levará à elaboração do plano comece a trabalhar ainda em novembro”. ComplexidadeContudo, abrir estradas ou expandir ferrovias ligando o Planalto à Baixada Santista implica em projetos complexos, uma vez que isso envolve a Serra do Mar. É o que avalia o consultor portuário e consultor da Agência Porto Consultoria, Ivam Jardim, que é tecnólogo em Logística e Transportes. “Temos de separar obras com o objetivo de vencer a Serra do Mar e chegar ao Planalto com obras de acesso ao Município e ao Porto de Santos. Precisaremos de intervenções em ambas no médio prazo”. Na região, Jardim observa que. atualmente, pessoas e cargas só possuem um acesso à Zona Leste de Santos, onde está localizada a Margem Direita do Porto: a Via Anchieta. "A Rodovia dos Imigrantes não é um acesso à Zona Leste nem aos moradores que se utilizam de veículos leves. Ao chegarem no Litoral, todo esse fluxo é unificado e tem apenas a Anchieta como opção. Ao se pensar em acesso urbano à Zona Leste, a opção seria a implantação do túnel do maciço, conectando à Zona Noroeste, essa com acesso à Imigrantes por meio de São Vicente”. AcessosQuanto ao acesso ao Porto santista, o principal brasileiro, o especialista analisa que “especificamente na Margem Direita, são necessárias as conclusões das melhorias e de investimentos em viadutos para acesso direto e ampliado à Avenida Perimetral”. Jardim reforça que a construção de uma terceira rodovia de acesso ao Porto, alternativa à Via Anchieta, se faz necessário. "O Projeto Linha Verde se conectaria à Área Continental de Santos, que é a localização de expansão de nosso complexo portuário, sendo ideal para não trazer o fluxo portuário para dentro dos municípios”. Nos trilhosJá em relação ao plano de recuperação da malha ferroviária ociosa no Estado para a qual o governo planeja lançar concessões à iniciativa privada de shortlines, ou seja, de trechos curtos de linhas férreas, Jardim avalia que alguns trechos específicos, para demanda de celulose, por exemplo, estão em análise e poderão ser viabilizados no curto prazo. Outras ainda vão precisar ser bem avaliadas. "Ocorre que empresas de grande porte e que demandam a ferrovia já se instalaram em localização onde são atendidas. As não atendidas, para sobreviver, já se acomodaram em outras opções de transporte. Agora, é preciso calcular se o alto volume de investimento que o modelo ferroviário demanda se paga em comparação à logística já existente da empresa. Nas estradas de ferro em que há demanda de carga, não existe ociosidade. Isso só ocorre em antigas estradas de ferro que não possuem mais viabilidade econômica”.