[[legacy_image_12721]] As obras estruturais do cais da Ilha Barnabé, na Margem Esquerda do Porto de Santos, estão suspensas, segundo a Autoridade Portuária de Santos, por problemas de fornecimento de materiais. A estatal, no entanto, garante que os serviços serão concluídos dentro dos 18 meses previstos em contrato firmado com a empresa vencedora da licitação, Ster Engenharia Ltda. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços O projeto prevê a recuperação estrutural do cais e dos dolfins (estrutura de concreto utilizada para a atracação de navios), a contenção do talude (lateral inclinada do canal de navegação), instalação de passarelas metálicas e construção de um dolfim de amarração, e será custeada com recursos próprios da APS, no valor de R\$ 24,8 milhões. O cais possui dois berços públicos (São Paulo e Bocaina) e um privado (Pier 1, da Ageo). A Autoridade Portuária informa que o canteiro para os trabalhos já foi mobilizado e “a expectativa é que as obras de contenção na retroárea do cais São Paulo sejam retomadas entre 3 a 4 semanas”. A Ilha Barnabé é responsável pela movimentação de granéis líquidos do Porto e concentra 35% das operações desse tipo de carga. Berço liberado Diante da suspensão das atividades, a Autoridade Portuária optou por liberar o berço para operações. “Todo o andamento e planejamento da obra está sendo transparente, em alinhamento com as associações representantes dos usuários dos berços da Ilha Barnabé, por meio de reuniões realizadas frequentemente”. A APS ressalta que os usuários serão avisados antecipadamente do bloqueio do uso do cais São Paulo. “Após o término da contenção da retroárea, será avaliada a possibilidade de liberação da atracação quando não houver trabalho dos operários, como nos finais de semana, feriados e à noite, conforme já divulgado. A decisão dependerá da viabilidade em relação à segurança”, destaca a nota. Impacto O diretor-executivo do Sindicato Agências Navegação Marítima Estado São Paulo (Sindamar), José Roque, confirma que as reuniões virtuais têm sido realizadas com transparência. O sindicalista acredita, no entanto, que ao serem iniciadas, as obras vão causar um impacto no tempo de espera das atracações. Segundo ele, a espera, que hoje pode chegar a dois dias, deve saltar para cinco. “Certamente a redução (de berços) exigirá um esforço conjunto entre agências, terminais e Autoridade Portuária para promoção a maior eficiência no uso dos berços remanescentes, a fim de que a demanda das cargas seja atendida a contento. Nesse sentido temos tido engajamento de todos os envolvidos e obtido resultados positivos”. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), em nota, ressalta que há “o temor” quando aos impactos das obras no escoamento da carga de produtos químicos. Entretanto, a entidade aponta que não há fazer previsões de eventuais danos com as obras paralisadas. “Aguardamos o compartilhamento do cronograma de obras, que deverá ser entregue (pela APS). A partir do cronograma detalhado da obra, poderemos identificar mais claramente seu impacto na logística das cargas”, diz em texto. A entidade ressalta, ainda, que participa de um grupo de trabalho formado pela APS, e representantes da Associação Brasileira de Terminais de Líquidos (ABTL). “A Abiquim apresentou nesse (grupo) propostas para reduzir o impacto das obras e aguarda a análise (da APS)”. A obra As obras ocorrerão nos berços São Paulo e Bocaina, que acessam por tubulação os terminais da Ageo e da Adonai, e serão feitas de forma alternada: primeiro a interdição será no São Paulo e, após conclusão da manutenção e liberação para operações, será realizada no Bocaina. Desta forma, no tempo em que as intervenções durarem, haverá sempre dois berços operando na Ilha. Considerando que o Píer 1 tem maior capacidade, o impacto na redução de capacidade esperado nesses berços com as intervenções é estimado entre 15% e 20% em termos anuais.