Imóvel deve abrigar um centro de capacitação profissional para qualificar trabalhadores que atuarão na construção do empreendimento (Divulgação/PMG) A Prefeitura de Guarujá ofereceu à companhia portuguesa Mota-Engil, concessionária do túnel imerso Santos-Guarujá, uma área pública destinada à instalação de um centro de capacitação profissional para qualificar trabalhadores que atuarão na construção do empreendimento. O espaço, localizado em Vicente de Carvalho, já serviu ao Centro de Formação Profissional (Camp Guarujá). Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Durante a participação no 1º Encontro Porto & Mar 2026, promovido pelo Grupo Tribuna na última quinta-feira (26), o prefeito de Guarujá, Farid Madi (Pode), comentou que fez a oferta durante reunião com representantes da concessionária. “Já comuniquei a empresa Mota-Engil, vencedora do leilão, que viu com bons olhos a proposta, e determinei à Secretaria de Desenvolvimento e Assuntos Aeroportuários que acompanhe diretamente essa determinação como prioridade”, afirmou o prefeito. Segundo a Administração Municipal, trata-se de uma estrutura de aproximadamente 2,5 mil metros quadrados (m2), localizada próximo ao futuro canteiro de obras do túnel Santos-Guarujá, com espaço para salas de aula e áreas abertas que podem ser adaptadas para treinamentos técnicos e atividades práticas. A intenção do Município é preparar a população local para ocupar as vagas que serão geradas durante a construção do equipamento. “Temos que qualificar essa mão de obra de mais de 5 mil trabalhadores em Vicente de Carvalho, não vamos perder esse momento histórico de desenvolvimento”, afirmou o prefeito. Além da qualificação profissional, a proposta tem como objetivo evitar a repetição de problemas sociais antigos. “Vamos poder ter esse espaço para qualificar essa nossa mão de obra, para que nós não corramos o risco do que aconteceu no Guarujá na década de 1980. Com o boom imobiliário, muita gente veio para ocupar essas vagas e, quando as obras acabaram, essas pessoas acabaram indo para a periferia de forma desordenada, e nós pagamos um preço até hoje”, ressaltou. O chefe do Executivo guarujaense salientou que o diálogo com a concessionária tem sido positivo, mas reforçou a necessidade de participação ativa do Município nas decisões. “É imperativo que possamos ser ouvidos para apresentar nossas demandas e que elas sejam tratadas com a seriedade necessária”, concluiu. Canteiro de obras e doca seca Cogita-se instalar o principal canteiro de obras, onde se pretende construir a doca seca para montagem dos módulos de concreto do túnel que serão imersos, na área da Prainha, em Vicente de Carvalho, em direção ao chamado Linhão. Nesta mesma região, deverá ser construída parte de desembocadura do túnel, do lado de Guarujá, e remanejamento de vias. O terreno fica entre a Prainha e a Praça 14 Bis. O projeto O projeto prevê a construção da primeira travessia submersa do País, conectando Santos e Guarujá por meio de uma estrutura de aproximadamente 1,5 km de extensão — dos quais cerca de 870 metros serão imersos. A nova ligação deve reduzir a dependência do sistema de balsas e das rotas rodoviárias, reduzindo o tempo de deslocamento, de aproximadamente uma hora para menos de cinco minutos. Além de melhorar a mobilidade urbana, a obra terá impacto direto na logística do Porto de Santos ao facilitar o fluxo de cargas e reduzir gargalos operacionais na região. Estruturado como uma parceria público-privada (PPP), pela Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos (SPI), a obra é conjunta entre o Governo de São Paulo e a União, com valor estimado de R\$ 6,8 bilhões. Desse total, R\$ 5,2 bilhões são aporte público — cada governo contribui com 50% — e o restante será custeado pelo futuro concessionário privado. Mão de obra Em setembro do ano passado, a Prefeitura de Guarujá chegou a abrir uma pré-seleção de trabalhadores para mil vagas de emprego destinadas às obras do túnel. Pouco depois, porém, cancelou o processo porque iria esperar a assinatura do contrato pela Mota-Engil, empresa vencedora do leilão. “Assim que a nova data for definida, a Prefeitura seguirá com a pré-seleção, a princípio para 600 vagas de pedreiro de alvenaria e 400 de auxiliar de serviços gerais”, disse a Administração, na época. O processo não foi retomado. A mão de obra prioritariamente local está prevista no edital. Procurada, a empresa não se manifestou a respeito do tema.