Especialista em Economia Aplicada e coordenador do Doutorado em Logística e Transportes da Universidade de Gênova, na Itália, o professor italiano Claudio Ferrari esteve no 2º Seminário Nacional de Pesquisa Aplicada ao Setor Portuário (Senaport), no mês passado, em Santos (Alexsander Ferraz/AT) Especialista em Economia Aplicada e coordenador do Doutorado em Logística e Transportes da Universidade de Gênova, na Itália, o professor italiano Claudio Ferrari esteve no 2º Seminário Nacional de Pesquisa Aplicada ao Setor Portuário (Senaport), no mês passado, em Santos. O evento foi realizado na sede da Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos (Cenep), com o apoio da Autoridade Portuária de Santos (APS). Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Assim como Santos em relação ao Brasil, a cidade da Velha Bota também possui um dos mais importantes complexos portuários do país e do Mediterrâneo. Além disso, Santos e Gênova são cidades-irmãs oficialmente desde março de 2024. A Tribuna conversou com Claudio Ferrari antes da palestra “Os portos marítimos como sistemas de inovação para impulsionar as transições digital e verde”, responsável por abrir o evento. Gênova tem o maior porto da Itália em termos de extensão, movimentação geral e importância histórica, embora o de Trieste lidera em movimentação de carga total (tonelagem). Santos tem o maior porto do Brasil e do Hemisfério Sul. Quais as semelhanças entre os dois portos, além do tamanho de cada um? A principal semelhança é o processo de mudança digital pelo qual estamos passando. E não apenas ele, mas obviamente todos os portos do mundo. E, em seguida, o papel que esses portos desempenham na formação e definição da economia regional dos locais onde estão localizados. Aproveitando esta semelhança mencionada, o que Gênova tem a ensinar a Santos envolvendo transição digital e verde e vice-versa? Talvez seja mais o contrário, dado o tamanho dos dois portos (risos). Mas o que eles podem aprender um com o outro vem, eu diria, da troca de experiências. Porque cada um está certamente vivenciando essas transformações, digamos, com as ferramentas à sua disposição, portanto, também com as instituições, operadores, centros de pesquisa e universidades. Assim, cada um está, de alguma forma, vivenciando essas transformações ao reunir o ecossistema em que cada um vive. Talvez da troca dessas informações possam surgir tanto as melhores e mais bem-sucedidas experiências quanto a possibilidade de crescimento conjunto. “O porto sozinho não é suficiente para inovar: ele precisa se conectar de alguma forma com outros portos. É precisamente por meio dessa rede de contatos que crescemos juntos.” No que o ambiente acadêmico, a universidade, tem ajudado Gênova nesse tema? Nesse sentido, com recursos do Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PRR) da União Europeia e essencialmente de fundos europeus, Gênova liderou, em particular a Universidade de Gênova, um projeto dedicado à criação de um ecossistema de inovação que, partindo da Universidade, do CNR (Conselho Nacional de Pesquisa) e do IIT (Instituto Italiano de Tecnologia), principal detentor de patentes na Itália. Foi criada uma série de projetos dedicados à inteligência artificial e à robótica em quatro áreas, incluindo a portuária. No que o fato da transição digital e verde acontecer nos portos pode favorecer esse processo envolvendo este mesmo tema em outros setores econômicos? “Absolutamente sim. Basta pensar na produção de energia de fontes renováveis. Se há um problema de instabilidade ou de demanda muito variável, o porto pode fornecer energia para a cidade que está no entorno. É um exemplo banal, mas mostra como o porto não vive sozinho e a relação com a cidade e com o ambiente em volta é fundamental.”