[[legacy_image_341035]] O capitão de mar e guerra Marcus André de Souza e Silva, de 49 anos, assumiu, em janeiro o comando da Capitania dos Portos de São Paulo. Ele substituiu o também capitão de mar e guerra Robledo de Lemos Costa e Sá. Em entrevista para A Tribuna, o novo comandante fala sobre os desafios à frente da Capitania, de novos e antigos projetos e do prazer de conhecer as peculiaridades de Santos. Agora à frente da Capitania dos Portos de São Paulo, é a primeira vez em que o senhor serve uma organização militar de segurança do tráfego aquaviário. Quais serão os principais desafios? O principal desafio que enxergo neste novo cargo é a imensa responsabilidade em fazer cumprir a missão da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), que é a de contribuir para a orientação, coordenação e controle das atividades relativas à Marinha Mercante e organizações correlatas, no que se refere à segurança da navegação, defesa nacional, salvaguarda da vida humana e prevenção da poluição hídrica. Essa missão se torna ainda mais desafiadora considerando que ela deve ser executada justamente no maior complexo portuário do Hemisfério Sul. Um porto que possui 13 quilômetros de extensão e que escoa aproximadamente 67% do PIB brasileiro. Não obstante a extensa e complexa missão, existe ainda a preocupação em prestar um atendimento de qualidade aos usuários dos serviços prestados pela CPSP e ainda à Família Naval residente nos 151 municípios que compõem sua área de jurisdição. Um desafio adicional envolve a coordenação das ações relacionadas à Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no âmbito do Porto de Santos. O senhor, claro, tem uma trajetória na Marinha. Poderia destacar os bons momentos deste tempo, certamente acompanhados com interesse pela família? Ingressei na Marinha em 1991, como aluno do Colégio Naval. Foram inúmeros os bons momentos que tive o privilégio de vivenciar e que me fazem ter orgulho da carreira que optei abraçar. Ao longo desses 33 anos, tive oportunidade de servir em locais singulares como a Amazônia Oriental e o Pantanal; de comandar dois navios: o Navio de Apoio Logístico Fluvial Potengi (G17) e a Corveta Júlio de Noronha (V32); de ter servido em diferentes tipos de navios, incluindo o antigo Navio-Aeródromo São Paulo (ex A12) e de ter visitado inúmeras cidades no Brasil e no exterior. Fato curioso é que a primeira cidade que tive a chance de conhecer durante uma viagem de navio pela Marinha foi justamente Santos, em 1993. Outra oportunidade única que marcou minha carreira foi ter sido selecionado para ser oficial de intercâmbio brasileiro, como instrutor de marinharia e navegação, na Academia Naval dos Estados Unidos, em Annapolis, Maryland. Durante grande parte dessa aventura, tive a valiosa companhia e fundamental apoio de minha esposa Mônica, meu enteado Thiago e minha filha Mariana, muitas vezes me acompanhando em situações de pouco conforto e, por vezes inclusive, abrindo mão de objetivos em suas vidas. Dentre os desafios à frente do cargo, qual o senhor acredita que será a sua prioridade? Minha prioridade será apoiar as diversas iniciativas que garantam a operação segura do Porto de Santos e aquelas em andamento de grande importância para a Cidade, como a revitalização do Parque Valongo e a construção do túnel Santos-Guarujá. Da mesma forma, é intenção investir no desenvolvimento de ações que resultem em ampliação da mentalidade marítima junto à comunidade e no incremento da segurança da navegação como campanhas educativas, divulgação das atividades desenvolvidas pela Marinha do Brasil e o estabelecimento de novas parcerias e convênios junto às prefeituras dos municípios de nossa área de jurisdição. Seu antecessor, o capitão Robledo de Lemos Costa e Sá, desenvolveu um intenso trabalho à frente da Capitania. Quais trabalhos o senhor julga mais importantes a serem continuados? E trabalhos novos? O que se planeja? O Comandante Robledo, além de um amigo, é um oficial de elevada capacidade profissional e que, reconhecidamente, desenvolveu um belíssimo trabalho na CPSP. Tive a privilégio de acompanhar o Comandante Robledo por duas semanas, período em que ele procurou me orientar detalhada e cuidadosamente sobre os principais assuntos em andamento. Entendo ser importante dar continuidade ao excelente relacionamento estabelecido por ele junto à comunidade santista, às autoridades locais e instituições, públicas e privadas, voltadas às atividades aquaviárias e portuárias. A manutenção desse bom relacionamento é importante para garantir o bom diálogo entre a Marinha e os diversos setores da sociedade, contribuindo para soluções harmônicas para os problemas comuns. Pouco antes de sua chegada, houve a reativação do Grupamento de Fuzileiros Navais em Santos. Como o senhor avalia a importância do Grupamento para a Marinha aqui na Cidade? A reativação do Grupamento de Fuzileiros Navais de Santos é importante diante da relevância estratégica do Porto de Santos e amplia a atuação da Marinha do Brasil na área de jurisdição do Comando do 8º Distrito Naval. O Grupamento encontra-se com o efetivo inicial noticiado de 56 militares, devendo ser aumentado gradativamente conforme for recebendo novos meios e atribuições. O senhor nasceu no Rio de Janeiro, uma cidade com familiaridades com Santos. Assim é mais fácil para se sentir em casa? Já está conhecendo a Cidade? O Rio de Janeiro guarda várias similaridades com Santos, dentre as quais eu ressaltaria a bela paisagem, a relação de amor com o mar e a descontração. Essas características, somadas à calorosa receptividade que tive ao chegar na Cidade, especialmente a proporcionada pelos integrantes da Sociedade Amigos da Marinha (Soamar-Santos), possibilitaram uma rápida ambientação e aquele sentimento de estar confortável em casa. Em que pese já ter vindo a Santos inúmeras vezes por conta da profissão, nunca havia tido a oportunidade de viver a Cidade e, nesse ainda curto período por aqui, começo a conhecer e desfrutar das atrações de Santos, como uma caminhada pelos jardins da praia, a observação do pôr do sol a partir da Ponta da Praia, o Museu do Café, o Centro Histórico com suas belas construções e o pão de cará. Viver em Santos tem sido uma experiência bastante positiva. Algo que vem me chamando bastante a atenção é perceber o orgulho dos santistas por sua cidade. E já começo a entender quais são as razões.