Uma plataforma digital desenvolvida nos Estados Unidos com o intuito de zerar as filas de caminhões de carga de menor porte, como bebidas por exemplo, pode ser a solução para veículos pesados que transportam commodities ou contêineres para os portos brasileiros. A solução de agendamento inteligente para recebimento de cargas em armazéns e centros de distribuição, que reduz espera de 11 horas para 45 minutos, foi apresentada na Intermodal South America, que terminou nesta quinta-feira (16), em São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Denominado Opendock, o sistema foi apresentado pelo CEO da Loadsmart Inc, Felipe Capella, em palestra realizada no evento. A tecnologia, segundo ele, foi desenvolvida como solução logística para caminhões que aguardam para descarregar mercadorias — carga fria — em armazéns e centros de distribuição nos Estados Unidos. A intenção, agora, é expandir para a América Latina. “Com mais de 4 mil armazéns e centros de distribuição conectados globalmente e cerca de 15 milhões de agendamentos processados por ano, a plataforma já é utilizada por grandes operadores logísticos e empresas de diversos setores. Agora, a expansão para a América Latina, iniciada por México e Colômbia, chega ao Brasil como um passo estratégico”, afirmou. “O objetivo da plataforma é eliminar as filas, que são tão comuns aqui no Brasil, em razão de processos totalmente descoordenados na chegada de veículos”, disse Capella, reforçando que a expectativa é de “adesão por parte de um mercado que ainda convive com filas, custos elevados e baixa previsibilidade no recebimento de caminhões”. Custo alto Em sua explanação, o executivo fez um comparativo, espelhando o mercado de transportes brasileiro e o norte-americano. Segundo ele, enquanto no Brasil o tempo médio de espera pode chegar a 11 horas em grandes centros logísticos, nos Estados Unidos cai para 45 minutos. “A gente pode eliminar esse gargalo grande na logística brasileira”, afirmou. O empresário comentou ainda que o custo logístico no Brasil é praticamente o dobro do custo nos Estados Unidos. “O custo, aqui, representa 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB), nos EUA é 8,8% do PIB”. Ele afirma que as transportadoras repassam esse custo aos embarcadores e operadores logísticos. “Para a transportadora, a hora parada custa R\$ 240 e, consequentemente, isso resulta em um frete perdido e rotatividade de motoristas. O armazém paga o frete mais caro, com o preço da ineficiência embutido, e o pátio fica invisível porque ninguém sabe o que está chegando”. Segundo Capella, o uso do Opendock nos EUA, entre 2022 e 2024, impactou a logística com queda de 62% no tempo de espera, alta de 31% no giro de doca, queda de 45% nas ligações e elevação de 88% na pontualidade. Simples O empresário explicou que a lógica da plataforma é simples: cada doca passa a operar com regras claras e parâmetros – tipo de carga, equipamento, horários disponíveis e tempo de operação. A partir disso, as transportadoras fazem seus próprios agendamentos, garantindo que cada caminhão tenha um horário definido para chegada. “Cada um vai ter o seu slot específico”. O executivo afirmou ainda que a plataforma entra no mercado brasileiro com custo competitivo. “No Brasil, o custo da nossa plataforma vai sair em torno de R\$ 4 mil a R\$ 5 mil por mês e inclui desde o agendamento até o check-in do motorista via WhatsApp e a gestão de pátio e docas”.