O debate sobre o tema ocorreu na última edição do Summit Antaq, realizada pelo Grupo Tribuna no último dia 26 de novembro, em Brasília (Thiago Sousa/Especial para A Tribuna) De alto custo, a adoção do hidrogênio verde como meio de energia limpa está longe de ser a única solução para a almejada descarbonização do setor portuário. Outros combustíveis, como etanol ou o próprio biodiesel, já colocam o País numa posição de destaque na utilização de matrizes limpas de energia. Isso sem contar fontes como energia eólica e solar. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! É o que disseram especialistas na área., em debate na última edição do Summit Antaq, realizada pelo Grupo Tribuna no último dia 26, em Brasília. “O biocombustível não é atraente; o hidrogênio verde, sim. O hidrogênio verde pode ser a solução em pequenos pontos no Brasil. Mas, economicamente, isso não é viável de maneira geral”, afirma a superintendente de Desempenho, Sustentabilidade e Inovação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Cristina Castro Ela entende que o hidrogênio verde é viável na Europa, onde os espaços são menores. “Se existe uma grande possibilidade de sermos o país do presente, é com a transição energética”. Debate desigual Já a diretora de Políticas do Conselho Global de Energia Eólica (Gwec), Roberta Cox, vê um debate desigual quanto à descarbonização e necessidade de mudanças nas matrizes de energia limpa. Um exemplo, segundo ela, pôde ser visto na última Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP29), realizada em Baku, no Azerbaijão. “Chamou a atenção como tinha lobista de óleo e gás na COP. Fica complicado de as negociações avançarem. A gente precisa ter mais voz da transição energética. Então, é realmente muito difícil andar com essa agenda, sendo que a gente tem esse outro lado lançando força contrária, para a gente não ir tão rápido quanto necessário”, pondera. O secretário nacional de Hidrovias, Dino Batista, afirma que percebe ainda alguns preconceitos com relação ao combustível sustentável. “Muitas vezes, o foco dos países que estão à frente dessa discussão, principalmente europeus, é no contêiner, no transporte de produtos com menor valor agregado”. Fundamentais Para Roberta, os portos têm papel fundamental nessa transição energética. “No Brasil, temos uma matriz energética já muito limpa. Como o Brasil vai triplicar as renováveis? Aí entram as nossas indústrias. Vamos descarbonizar a indústria. Pode não ser apenas eletrificando, como também substituindo os combustíveis fósseis”. Ela acrescenta que, se a indústria conseguir se concentrar em áreas próximas a portos, a otimização será benéfica a todos. “Não precisa de linhas de transmissão, se você coloca energia eólica, e solar, gerando e trazendo energia nesse novo hub. Consegue descarbonizar a indústria e gerar produtos que agregam valor”. Enquanto isso, o presidente do Porto de Suape, Márcio Guiot, celebra o rol de oportunidades oferecidos pelo complexo pernambucano, que já é conectado com o conceito de porto-indústria. “Nossa região é diferenciada e é natural que seja procurada por empresas para se colocarem dentro desse contexto”, aponta. “É dessa forma que a gente acredita que tem condições de criar mais empregos, melhorar a renda da nossa população, investindo também em transferência de tecnologia”. Antaq O diretor da Antaq, Wilson Lima Filho, entende que existe um uma longa e importante trajetória a percorrer, pela descarbo-nização, com a participação de todos os órgãos estatais. “A IMO (Organização Marítima Internacional, na sigla em inglês) sugeriu criar, em cada País, um plano de ação nacional. Os debates e estudos são constantes e devem prosseguir. Mas é importante que nós tenhamos presentes o governo, as empresas e a Academia”, salienta.