Redução de visibilidade pode encobrir perigos à navegação, gerar desorientação e colisões, explica a Capitania dos Portos de São Paulo (Carlos Nogueira) A neblina ou os nevoeiros que costumam fechar o Porto de Santos, impossibilitando a navegação, como aconteceu no fim do mês passado e novamente no início deste mês, causam prejuízos às atividades portuárias. Clique aqui para seguir agora o canal de Porto & Mar no WhatsApp! O transporte marítimo por cabotagem (entre portos dentro do País) é muito afetado, explica o diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), Luís Resano. Segundo ele, a condição provoca, além de atrasos, o encurtamento de operações como a carga e descarga dos navios. “Se um porto fechar por três horas, naquele horário que o navio estava programado para chegar, ele vai atrasar três horas na sua operação. Com isso, haverá um tempo muito apertado para carregar, descarregar e seguir para o próximo porto. Causa um efeito dominó na cabotagem”, explica. Esse tipo de situação, diz Resano, acaba por reforçar um conceito ultrapassado de que a cabotagem é imprevisível. “O dia em que o navio chega é previsível, bem como o dia do recebimento da carga. Mas acontecem esses fatos alheios à nossa vontade e que podem impactar a credibilidade da cabotagem”, pontua. Segurança A paralisação da entrada e saída de embarcações no canal é determinada pela Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) quando a visibilidade horizontal no canal fica abaixo dos mil metros. Segundo o capitão dos Portos Marcus André de Souza e Silva, a medida é necessária para garantir a segurança de navios e navegantes. “Essa redução de visibilidade pode encobrir perigos à navegação, outras embarcações e gerar desorientação, resultando na redução do tempo de reação, colisões e no desaparecimento de pessoas e embarcações”, afirma. Segundo o capitão, ainda que algumas embarcações possuam equipamentos para navegar com baixa visibilidade e que o trabalho de práticos e rebocadores contribua com a segurança, a suspensão da navegação pelas características físicas e geográficas do Porto de Santos. “O canal é estreito - com 220 metros de largura. Há um grande fluxo de embarcações de pequeno porte, além da travessia de balsas e da proximidade com as cidades. Essas características elevam o grau de risco de operações em condição de baixa visibilidade”, esclarece. O trabalho dos práticos também fica impossibilitado quando há redução da visibilidade, conforme explica o gerente de Operações da Praticagem de Santos, Viriato Geraldes. “O trabalho do prático requer muito do olho humano, é uma navegação de habilidade pessoal daquele profissional, que conhece bem as características do local, explica. “Às vezes, o navio tem que atracar em determinados locais onde o espaço entre as embarcações é bem reduzido, então é preciso ter uma condição de visibilidade”. Possíveis soluções Para o diretor-executivo da Abac, os impactos do nevoeiro na navegação poderiam ser mitigados com soluções tecnológicas, como o VTMIS (Sistema de Gestão de Tráfego de Embarcações, na sigla em inglês). “Acredito que o investimento em tecnologia e na segurança do tráfego aquaviário é necessário”. O gerente de Operações da Praticagem acredita que, mesmo com o sistema, a suspensão da navegação seria necessária em condição climática adversa. “A presença desse aparelho é inócua, até porque o nosso centro de operações em Santos cumpre um papel que vai além de um simples VTMIS”. O capitão dos Portos ressalta que, mesmo que equipamentos possam permitir a navegação em condições adversas, o grau de risco seria alto. “Não havendo grande prejuízo, situação de emergência ou risco iminente à vida, a segurança da navegação deve prevalecer”, diz.