Nevoeiros que atingiram a região fizeram com que o canal do Porto permanecesse fechado para navios (Daniel Gois/AT) A cadeia logística do Porto de Santos registrou um prejuízo de aproximadamente US\$ 800 mil (pouco mais de R\$ 4,1 milhões) durante o fechamento do canal de navegação por condições climáticas, na semana passada. A estimativa é do diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar-SP), José Roque. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Os nevoeiros que atingiram a Baixada Santista fizeram com que o canal do Porto permanecesse fechado por 20 horas e 25 minutos, entre os últimos dias 1º e 3. Na quarta-feira, o canal ficou fechado das 7h05 às 8h35 e, novamente, entre 9h45 e 12h10. Entre quinta-feira e sexta-feira, as interrupções ocorreram das 3h50 às 14h e, depois, das 18h20 às 0h40. As interrupções determinadas pela Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) ocorreram por conta da visibilidade inferior a 500 metros. Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS) e a Praticagem, 14 navios ficaram parados durante o bloqueio causado pela neblina, seis que deixariam o cais santista e oito que entrariam. As manobras foram feitas quando as condições melhoraram. José Roque explica que o cálculo utilizado para estimar o prejuízo leva em consideração o tipo de navio, o valor da diária de cada embarcação e o tempo em que ela permaneceu parada. “Levamos em conta se o navio é de granel sólido, líquido ou contêiner. De acordo com o on-hire, que é o aluguel do navio, o custo fixo por dia, calculamos o número de horas”, detalha. O diretor-executivo do Sindamar-SP complementa que chegou ao valor total analisando os navios que estavam para entrar, na Barra, e os atracados que não conseguiram sair naqueles períodos. Vai piorar Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Grupo de Especialistas em Cultura Oceânica da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Ronaldo Christofoletti afirma que os dados indicam que a frequência de eventos climáticos extremos e de nevoeiros deve aumentar nos próximos anos. “A mudança do clima intensifica e muitas vezes aumenta a frequência. Os nevoeiros ocorrem por uma diferença de temperatura da água do mar e da atmosfera acima. Recentemente, batemos um novo recorde mundial de aumento da temperatura superficial do oceano.” A temperatura média global da superfície dos oceanos atingiu, no fim de junho, o maior nível já registrado para esse período, conforme aponta o observatório europeu Copernicus. Em 21 de junho, os mares superaram marcas observadas na mesma data em 2023 e 2024: a média chegou a 20,86°C, acima dos 20,83°C registrados nos anos anteriores. Christofoletti ressalta que a Baixada Santista está localizada em uma região de transição entre o Nordeste e o Sul do País, o que também influencia. “Por isso, a frequência ainda tende a aumentar um pouco.” Os nevoeiros fizeram com que o canal do Porto permanecesse fechado por 20 horas e 25 minutos (Daniel Gois/AT) Tecnologia pode ajudar Para o futuro, a Autoridade Portuária de Santos (APS) espera ser possível minimizar os impactos dos nevoeiros e das mudanças climáticas por meio da implantação do VTMIS, sistema de auxílio eletrônico à navegação capaz de realizar o monitoramento em tempo real do tráfego aquaviário. A ferramenta contará com estações meteorológicas e oceanográficas e sensores, entre eles o visibilímetro, instrumento que acompanha e mede com precisão a visibilidade. Ao atuar em conjunto com outros sistemas de planejamento em terra e no mar, a APS espera que o VTMIS permita prever as condições ambientais para planejar e antecipar manobras com alto grau de precisão, contribuindo para reduzir o tempo de interrupção do canal e ampliar a segurança portuária. Praticagem Em nota, a Praticagem de São Paulo explicou que, com a tecnologia atualmente disponível, não é possível prever com exatidão quando, onde e com que intensidade e duração haverá um nevoeiro. O nível de precisão é semelhante ao das previsões meteorológicas. A Praticagem diz esperar que os avanços tecnológicos proporcionem, em futuro próximo, uma previsibilidade mais precisa em relação a esse fenômeno meteorológico que tanto interfere na segurança da navegação. “Em paralelo, nossa instituição procura se manter atualizada em termos de equipamentos próprios, como estações meteorológicas e visibilímetros, além de convênios com instituições acadêmicas, a fim de proporcionar a maior segurança e com o mínimo de restrições operacionais possíveis para o tráfego aquaviário”.